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Frases de Milton Friedman

Milton Friedman (1912-2006) foi um dos mais influentes economistas do século XX e foi o fundador da Escola de Chicago, que é uma escola de pensamento econômico que defende o livre mercado. Devido às suas realizações e estudos nas áreas de análise de consumo e teoria monetária, recebeu o Prêmio Nobel de Economia em 1976.

Figura 1 – Milton Friedman

Friedman destacou-se por defender a liberdade econômica com mínima participação do Estado, Estado mínimo, defesa da democracia, valorização da livre concorrência, economia de Mercado como fonte para a prosperidade do país e das pessoas e redução de impostos. O Rodrigo Constantino elencou algumas frases que sintetizam o pensamento daquele economista:

O governo tem três funções principais. Deve providenciar a defesa militar da nação. Deve fazer cumprir contratos entre indivíduos. Deve proteger os cidadãos de crimes contra eles próprios ou seus bens.

Quando o governo – em nome de boas intenções – tenta reorganizar a economia, legislar a moralidade ou proteger interesses especiais, o resultado é a ineficiência, a falta de motivação e a perda de liberdade. O governo deve ser um árbitro, não um jogador ativo.

Subjacente à maioria dos argumentos contra o livre mercado, está a falta de crença na própria liberdade.

Se você colocar o governo federal para gerir o deserto do Saara, em 5 anos haverá escassez de areia.

A grande virtude de um sistema de livre mercado é que nele ninguém se importa com a cor das pessoas; Não se importa com a religião delas; Só o que importa é se elas podem produzir algo que você deseja comprar. É o sistema mais eficaz que descobrimos para permitir que pessoas que se odeiam se entendam e se ajudem mutuamente.

Uma sociedade que coloca a igualdade – no sentido de igualdade de resultados – antes da liberdade, acabará sem igualdade e sem liberdade. O uso da força para alcançar a igualdade destruirá a liberdade, e a força, introduzida para o bom propósito, acabará nas mãos das pessoas que a usam para promover seus próprios interesses.

O fato central mais importante sobre um mercado livre é que nenhuma troca ocorre, a menos que ambas as partes se beneficiem.

Muitas pessoas querem que o governo proteja o consumidor. Um problema muito mais urgente é proteger o consumidor do governo.

Ninguém gasta o dinheiro de outra pessoa tão cuidadosamente quanto gasta o seu. Então, se você quer eficiência e eficácia, se quiser que o conhecimento seja utilizado corretamente, você deve fazê-lo por meio da propriedade privada.

A liberdade política significa ausência de coerção de um homem por seus semelhantes. A ameaça fundamental à liberdade é o poder de coagir, seja nas mãos de um monarca, um ditador, uma oligarquia ou uma maioria momentânea. A preservação da liberdade exige a eliminação de tal poder na maior extensão possível, além da dispersão e distribuição de todo poder que não possa ser eliminado.

Uma lei de salário mínimo é, na realidade, uma lei que torna ilegal o empregador contratar uma pessoa com habilidades limitadas.

Um dos grandes erros é julgar políticas e programas por suas intenções, em vez de seus resultados.

O papel apropriado do governo é exatamente o que John Stuart Mill propôs em meados do século XIX… O papel apropriado do governo é proteger os indivíduos uns dos outros. O governo, ele disse, não tem o direito de interferir com um indivíduo para o bem desse indivíduo.

Eu diria que, neste mundo, a maior fonte de desigualdade tem sido os privilégios especiais concedidos pelo governo.
Nada é tão permanente quanto um programa de governo temporário.

Temos um sistema que cada vez mais tributa o trabalho e subsidia o não trabalho.

As drogas são uma tragédia para os adictos. Mas criminalizar seu uso converte essa tragédia em um desastre para a sociedade, para usuários e não usuários. Nossa experiência com a proibição de drogas é uma repetição da nossa experiência com a proibição de bebidas alcoólicas.

Eu sou favor de reduzir impostos sob qualquer circunstância, qualquer pretexto ou motivo, e sempre que possível.

Para o homem livre, o país é a coleção de indivíduos que o compõe, não algo além e acima deles. Ele se orgulha de uma herança comum e é fiel às tradições comuns. Mas ele considera o governo como um meio, uma ferramenta, não uma entidade concedente de favores e presentes, nem um senhor ou um deus a ser adorado e servido cegamente.

A combinação do poder econômico e político nas mesmas mãos é a receita certa para a tirania.

Fundamentalmente, existem apenas duas formas de coordenar as atividades econômicas de milhões de indivíduos. Uma é direção centralizada, envolvendo o uso da coerção – a técnica da força e do estado totalitário moderno. A outra é a cooperação voluntária dos indivíduos – a técnica do mercado.

A solução do governo para um problema geralmente é tão ruim quanto o problema.

Com algumas exceções notáveis, os empresários favorecem a livre iniciativa em geral, mas se opõem a ela quando se trata de si mesmos.

Sou a favor da legalização das drogas. De acordo com meus valores, se as pessoas querem se matar, eles têm todo o direito de fazê-lo. A maior parte do dano que vem das drogas é porque elas são ilegais.

A inflação é a única forma de tributação que pode ser imposta sem legislação.

Penso que uma das principais razões pelas quais os intelectuais tendem a se mover para o coletivismo é que a resposta coletivista é simples. Se houver algo errado, passe uma lei e faça algo sobre isso.

A história sugere que o capitalismo é uma condição necessária para a liberdade política. Claramente, não é uma condição suficiente.

Mesmo o ambientalista mais radical não quer eliminar a poluição. Se ele pensa sobre isso – e não apenas fala sobre isso -, ele quer limitar a poluição a uma certa quantidade. Nós não podemos realmente nos dar ao luxo de eliminá-la – não sem abandonar todos os benefícios da tecnologia que não só desfrutamos, mas de que dependemos.

A visão chave da Riqueza das Nações de Adam Smith é bastante simples: se uma troca entre duas partes é voluntária, isso não ocorrerá a não ser que ambas as partes acreditem que se beneficiarão disso.

A Grande Depressão, como a maioria dos outros períodos de desemprego severo, foi produzida pela má gestão do governo e não por qualquer instabilidade inerente da economia privada.

Se a liberdade não fosse tão economicamente eficiente, certamente não teria chance.

A inflação é sempre e em todos os lugares um fenômeno monetário, no sentido de que é e pode ser produzida apenas por um aumento mais rápido da quantidade de dinheiro do que da produção. … Uma taxa constante de crescimento monetário em um nível moderado pode fornecer um quadro sob o qual um país pode ter pouca inflação e muito crescimento. Não produzirá a estabilidade perfeita; Não produzirá o céu na terra; Mas pode contribuir de forma importante para uma sociedade econômica estável.

Somente o governo pode pegar um papel perfeitamente bom, cobri-lo com tinta perfeitamente boa e tornar a combinação sem valor.

Como vivemos em uma sociedade em grande parte livre, tendemos a esquecer o quão limitado é o período de tempo e a parte do globo para o qual existe alguma coisa como liberdade política: o estado típico da humanidade é a tirania, a servidão e a miséria.

Existem limites severos para o bem que o governo pode fazer pela economia, mas quase não há limites para os danos que pode causar.

A Grande Depressão nos Estados Unidos foi causada – e não digo apenas causada, foi enormemente intensificada e muito pior do que teria sido pela má política monetária.

A grande virtude da livre iniciativa é obrigar as empresas existentes a atenderem as demandas do mercado de forma contínua, produzindo produtos que atendam aos gostos dos consumidores com o menor custo possível, sob o risco de serem eliminadas pelo mercado. É um sistema de lucros e perdas. Naturalmente, as empresas existentes geralmente preferirão vencer a concorrência de outras maneiras. É por isso que a comunidade empresarial, apesar de sua retórica, sempre foi uma grande inimiga do verdadeiro livre mercado.

Reduzir os gastos e a intervenção do governo na economia quase certamente implicará uma perda imediata de curto prazo para poucos, e um ganho de longo prazo para todos.

Como é que pessoas pensantes podem acreditar que o governo – que não consegue gerir decentemente nem uma empresa de correio – possa fornecer gasolina e energia mais eficientemente do que a Exxon, a Mobil, a Texaco, a Gulf e outras?
Uma das razões pelas quais eu sou a favor de menos governo é porque, quanto mais governo tivermos, mais as grandes corporações irão assumi-lo.

Se você paga as pessoas para não trabalhar…, não se surpreenda se você obtiver desemprego.

Os economistas podem não saber muito. Mas conhecemos uma coisa muito bem: como produzir excedentes e escassez. Você quer um excedente? O governo legisla um preço mínimo acima do preço que, de outra forma, prevaleceria. É o que fizemos em um momento ou outro para produzir excedentes de trigo, de açúcar, de manteiga, de muitas outras commodities. Você quer escassez? O governo legisla um preço máximo, abaixo do preço que de outra forma prevaleceria.

A principal base para a minha oposição à proibição da maconha não foi o fato de que isso não funcionou, o fato de ter produzido muito mais mal do que bem – foi principalmente por uma razão moral: acho que o estado tem tanto direito de me dizer o que colocar na minha boca, quanto tem para me dizer o que dela pode sair.

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O Centenário de Roberto Campos

Roberto Campos, Bobby Fields para os comunistas e para os socialistas carnívoros, foi um economista, diplomata e político brasileiro que ocupou os cargos de deputado federal, senador e ministro do Planejamento no governo de Castello Branco. Com frequência, vejo referências a ele quase como uma lanterna a iluminar debates sobre economia quando a centralização estatal dos progressistas autoritários é confrontada pelo liberalismo econômico. Para homenagear o centenário de um dos mais brilhantes pensadores brasileiros, o jornalista Augusto Nunes listou 20 frases de Roberto Campos que nos ajudam a ter uma ideia de como ele pensava. Como disse Churchill, “frases nos fazem pensar”.

Figura 1 – Roberto Campos

Todos sabemos que a ajuda externa não pode substituir em nenhum país o esforço próprio da economia, do qual depende fundamentalmente o desenvolvimento econômico.

Contemplando nossa paisagem, onde sobram vestígios de persistente irracionalidade no trato de certos problemas, como o desenvolvimento petrolífero ou o controle populacional, assaltam-me frequentemente cruéis dúvidas sobre os instintos democráticos do Criador, na distribuição de talento.

Para Karl Marx a ditadura do proletariado seria apenas um estágio na evolução dialética. Abolidas as classes e a propriedade privada, assistiríamos ao ‘fenecimento do Estado’ e a floração da liberdade. Infelizmente Marx era bom filósofo, medíocre profeta e mau político.

O desafio brasileiro é dual: elevar o nível de renda por habitante e diminuir a brecha que nos separa dos países mais industrializados. O primeiro objetivo visa a evitar a mutilação da pessoa humana pelo espectro da pobreza. O segundo é um requisito de poder nacional e um antídoto para o ressentimento e frustração oriundos da inferioridade econômica.

Há um sério desafio à diplomacia latino-americana. Sobram construtores de muros. Precisa-se urgentemente de construtores de pontes.

A psicologia de berçário, que herdamos do hino nacional (‘gigante … deitado eternamente em berço esplêndido…’) e o ufanismo das riquezas naturais (as quais são apenas recursos à espera de investimentos), que mamamos nos livros escolares, têm agido como narcotizantes da vontade nacional de desenvolvimento, transformando-nos no país do futuro, enquanto afanosamente conquistam o presente. Infelizmente, como já disse alhures, a chupeta do otimismo é mau substituto para a bigorna do realismo.

O importante para nós é maximizar a velocidade do crescimento da renda, da criação de empregos, da absorção de tecnologia. O resto é sentimentalismo.

São cinco as potências que dispõem de armas nucleares, multiplicando a tentação da imprudência e o risco de acidentes. Há demasiadas mãos no gatilho neste pobre planeta.

Persistem em nossa cultura e em nosso caráter elementos antagonísticos ao desenvolvimento. O primeiro desses elementos é o baixo nível de racionalidade de nosso comportamento, associado talvez ao tipo de educação beletrista e memorativa. A capacidade de exteriorizar emoções é mais prezada que a capacidade de resolver problemas.

No socialismo as intenções são melhores que os resultados, e no capitalismo os resultados melhores que as intenções.

No primeiro quarto deste século, vingou a utopia socialista. O segundo quarto assistiu ao nascimento, paixão e morte do nazifascismo. No terceiro quarto, capitalismo e comunismo se digladiaram na guerra fria. Neste último quarto de século, os velhos ‘ismos’ cada vez mais cedem lugar ao liberalismo.

A diplomacia é como um filme pornográfico: é melhor participar do que assistir.

A Revolução Francesa declarou os direitos do homem, mas certamente não os praticou. Só quase um século depois é que a França descobriria a democracia. Agora, que foi um bom artigo de exportação, isso foi… Várias revoluções do mundo nela buscaram inspiração, inclusive as revoluções latino-americanas, que nunca se celebrizaram pela tenacidade democrática ou sua afeição aos direitos humanos. O diabo das revoluções é que têm um ‘r’ demais.

Marx foi o pior dos profetas: vaticinou a explosão do capitalismo e o que ocorreu foi a implosão do socialismo. Aliás, o iracundo profeta que denunciou a espoliação burguesa era um espoliador nato. Vivia às custas de Engels e, em vez de botar salário no bolso de sua pobre empregada em Londres, botou-lhe um filho no ventre.

A vantagem do capitalismo é que, por ter exemplos de sucesso, admite fracassos e tem mecanismos de correção. Para os socialistas, ao invés, o fracasso é apenas um sucesso mal explicado.

Os comunistas brasileiros têm razão ao dizer que não é verdade que comam criancinhas. No ‘socialismo real’ a preferência histórica é por matar adultos.

No Brasil quase todos os presidenciáveis falam no capitalismo, conquanto não se saiba bem se querem a cabeça ou gostam do bolso dos capitalistas.

Se me perguntassem sobre o nível do debate econômico do país, eu diria que é uma razoável aproximação do Q.I. das ameba.

O Brasil é a grande amante de todos nós. Continuaremos amando-a, ainda que corneados.

É uma ilusão dos nossos esquerdistas imaginarem, idilicamente, que em 1964 havia uma opção entre uma democracia liberal e uma democracia social. A opção era entre dois autoritarismos, o da esquerda, ideológico, feroz, capaz de levar pessoas para o paredón, que levaria anos e anos para se autodestruir, e o da direita, envergonhado, encabulado, que toda hora falava em democracia, que procurava pelo menos manter o ritual de eleições, procurava manter o Congresso aberto. Essa era a real opção.

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Diagnóstico para a Crise Econômica Brasileira

Meus conhecimentos em economia não vão muito além do básico sobre Adam Smith, o pai da teoria econômica, o livro Economia Numa Única Lição, de Henry Hazlitt, um pouco sobre liberalismo, sobre a escola austríaca e seu maior expoente, que foi Ludwig Von Mises. Comecei a assistir os vídeos do Curso de Iniciação à Escola Austríaca de Economia feitos pelo Instituto Mises Brasil e estou gostando.

Mesmo com o pouco conhecimento que tenho, acredito que Arminio Fraga fez um diagnóstico muito bom sobre os atuais problemas enfrentados pela nossa economia. A íntegra do artigo está aqui, mas seguem os pontos que o Rodrigo Constantino destacou:

[…] o Brasil vive hoje sim uma crise grave, que escancara as consequências do modelo político e econômico atual. Este se caracteriza pela captura, agigantamento, incompetência e falência do Estado. Captura por interesses partidários e privados, que sem qualquer escrúpulo montaram não um, mas dois enormes esquemas de corrupção voltados para sua preservação no poder e enriquecimento pessoal. Agigantamento, pois o gasto público se aproxima de 40% do PIB, número elevado, especialmente para um país de renda média. Incompetência por não entregar os serviços de qualidade que a sociedade demanda, apesar dos recursos despendidos. Falência pela perda da disciplina fiscal, fator que pesou na recente perda do grau de investimento, com destaque para a admissão pelo próprio governo de sua incapacidade de manter um superávit primário capaz de evitar a explosão da dívida pública. Estamos em maus lençóis, pois não há na História caso de país que tenha se desenvolvido plenamente sem um Estado decente, eficaz e solvente.

[…] Outras características do atual modelo econômico incluem um elevado grau de dirigismo, um claro desprezo pela eficiência em geral, e pelo mercado em particular, um relativo isolamento do mundo, uma má alocação do capital (em boa parte feita pelos bancos públicos), políticas setoriais mal desenhadas, um sistema tributário complexo, que distorce e encarece a atividade empresarial, e um aparato regulatório desprestigiado e, em alguns casos, mal tripulado. Não surpreendentemente, a produtividade da economia vem sofrendo bastante.

Sobre o Pensamento Igualitário

Muito cuidado com o pensamento igualitário. É sob o véu das boas intenções que se esconde toda a perversão moral humana. Divisões igualitárias não são expressões de democracia, mas sim de socialismo. Embora o ser humano seja uma criatura social, o socialismo não faz parte da natureza humana e sempre que aparece na história é de forma imposta e controlada por uma minoria totalitária que quer centralizar o poder no Estado. A única igualdade entre as pessoas válida é aquela subordinada ao império das leis.

Quando ouvimos falar em “politicamente correto” (que na verdade significa “politicamente conveniente”), movimentos sociais, controle da imprensa, orgulho afro, orgulho gay, direitos dos índios, reforma agrária, gente que quebra tudo achando que é assim que se constrói alguma coisa, entendemos que se trata de socialismo do mais acéfalo. É gente que quer tudo para si e para seus “iguais”, mas não aceita divergência de opinião e a existência de maiorias. Não aceitam sequer ouvir falar que entre as minorias existem pessoas que não se veem representadas; pessoas que não aceitam os delírios de um auto proclamado líder ou representante. É interessante lembrar que toda minoria nasce de uma forma de classificação preconceituosa (cor, religião, opção sexual, etc).

Hoje, os principais “movimentos sociais” são compostos por jovens que querem mudar o mundo, que pregam “tabula rasa”, mas não aceitam arrumar a própria cama e nem fazer a lição de casa e ainda exigem que o papai banque seus delírios socialistas. Para se prepararem para mudar alguma coisa no futuro, primeiro deveriam ouvir o papai, estudar e serem bons(boas) meninos(as).

Na democracia, com auxílio do liberalismo e do capitalismo, há um embate de forças opostas, diferenças de opinião (ideias), livre mercado e alternância de poderes, mas isso faz parte de um mecanismo de pesos e contra pesos que impede a ascensão de uma “tirania igualitária”, a qual privilegiará os medíocres e amigos do rei e combaterá com todas as forças os melhores, mais capazes e que não concordam com o tirano. Em uma democracia liberal representativa, a igualdade é apenas perante as leis e a mobilidade social é possível e por mérito próprio.

Entenda o Que Está Errado no Brasil

Você sente que há algo errado no Brasil, não sabe exatamente o que é, mas sabe que gira em torno da política, do social e do econômico? Você discorda da gritaria, fechamento de vias públicas e quebra-quebra como forma de se construir um país melhor? O problema é bem antigo e está enraizado.

Desde os tempos do colegial, atual ensino médio, notava que alguns professores faziam questão de expressar em sala de aula suas opiniões sobre quaisquer movimentos do Governo Federal em direção a uma maior abertura econômica. Lembro-me das palavras de uma professora de Geografia sobre a privatização da Vale do Rio Doce:

Venderam uma coisa que é nossa!

Na ocasião e por algum tempo fiquei triste com o suposto “entreguismo” de nossos governantes porque não conseguia entender o motivo dessa postura. Passados os anos, acumulei informação, amadureci intelectualmente e formei minha própria opinião: não é dever do Estado ser empresário e nem do professor ensinar ideologia em sala de aula. Entendi que a “coisa nossa” na verdade é “coisa deles”, de quem detém o poder e “faz o diabo” – parafraseando a presidente Dilma – para não perdê-lo.

Com os pilares da democracia representativa em frangalhos, descrédito das instituições, patrulhamento da imprensa independente, demonização da polícia, anomia, corrupção cada vez mais descarada e a presença de um Estado inchado que quer controlar a economia e cada aspecto de nossas vidas, acredito que estamos às portas da ascensão de um regime autoritário.

Compartilho com você em poucas linhas minhas opiniões sobre o que está errado no Brasil. O que escrevi é apenas uma fração dos problemas. Adianto que as causas não são tão fáceis de enxergar e não sei quais seriam as melhores alternativas ou se há alternativas de médio prazo dado o perfil do brasileiro, mas fica a dica do jornalista George Bernard Shaw para quem acha que é simples:

Para todo problema complexo, existe uma solução clara, simples e errada.

O Ensino de Ideologia Socialista em Sala de Aula

No caso da professora de “geografia vermelha”, destaco um problema que começa no ensino fundamental e vai até às faculdades: formação de militantes. Professores devem se ater ao ensino de suas disciplinas e não ficar disseminando as mentiras do modelo socialista de Marx que por onde passou causou miséria, fome, escravidão e atraso com regimes tirânicos.

O economista Rodrigo Constantino citou um texto em que Miguel Nagib responde à pergunta “é lícito ao professor tentar ‘fazer a cabeça’ dos alunos?”. Destaco a referência que o autor faz ao artigo 206 da Constituição Federal:

Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:

II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;

Está claro que ao lado da liberdade de ensinar dos professores — a chamada liberdade de cátedra –, a Constituição Federal também garante a liberdade de aprender dos estudantes. Se o professor quiser militar, que o faça, mas fora da sala de aula e sem o chapéu de professor. Um aluno fortemente influenciado pelo pensamento canhoto tem grande potencial de no futuro engrossar as fileiras dos militantes das “causas vermelhas” ou da legião de assistidos pelo “Bolsa Esmola” do papai Estado. Os mais espertos largarão a escola para se enveredarem no meio político, pois no Brasil de hoje quem organiza piquete, bloqueia avenida e promove todo o tipo de baderna tem grandes chances de chegar a ser presidente!

Como “causas vermelhas” englobo também as causas dos ativistas melancia, que são verdes por fora e vermelhos por dentro. O caso mais recente foi o da invasão, destruição de propriedade e furto de animais no instituto Royal, que fazia pesquisas com animais em busca de tratamentos para o câncer. Os vândalos causaram um atraso de dez anos nas pesquisas e abandonaram vários dos animais à própria sorte sem provas dos supostos maus tratos dispensados aos cães. Mesmo se conseguissem provas, nunca se justificariam a depredação e o furto do patrimônio de terceiros. Qual é a alternativa às pesquisas com animais? Pesquisas com bebês? Fetos? Células tronco? Ativistas abnegados? Nosso organismo é muito complexo. Mesmo que em alguns casos seja possível fazer simulações computacionais, ainda é necessário estudar possíveis efeitos colaterais da aplicação de novos tratamentos em animais antes de testar em seres humanos.

Um caso um pouco mais antigo de sucesso do ativismo verde foi na usina hidrelétrica de Belo Monte. Hidrelétricas causam impacto ambiental. Foi tão grande a pressão desses grupos em prol do “Ornitorrinco Bandeira do Papo Amarelo” que a hidrelétrica funcionará a fio d’água e o restante da energia será fornecido por usinas térmicas, que poluem mais! Essas pessoas não vão descansar enquanto não voltarmos a viver como os bons selvagens idealizados por Rousseau. Ignoram ou veem com desdém todas as conquistas sociais e tecnológicas que tivemos em milênios de evolução, mas não deixam de usar celular e serem tratados com antibióticos.

A Estatização da Economia

O aparente sucesso econômico do Brasil nos últimos anos se deveu ao crescimento chinês somado ao baixo custo de capital nos países desenvolvidos. As reformas da era FHC, que criaram os pilares de uma macroeconomia mais sólida, também ajudaram.

Com a diminuição do ritmo de crescimento chinês, ficou evidente que o Brasil apenas foi com a maré. O BNDES emprestou rios de dinheiro a taxas subsidiadas para os “campeões nacionais”. O Banco Central foi negligente com a inflação, que furou o topo da meta e permaneceu elevada, apesar do fraco crescimento econômico. Os investidores começaram a temer as intervenções arbitrárias de um governo prepotente, e adiaram planos de investimento.

O modelo baseado no consumo era insustentável e já fracassou. O Brasil perdeu uma grande oportunidade de crescer. Foi na contra-mão dos países desenvolvidos preferindo tentar prever e controlar a economia e ficar fazendo malabarismos contábeis para nos fazer acreditar que tudo ia bem ao invés de aplicar medidas de austeridade para acabar com a farra com o dinheiro público.

O livro Privatize Já! do economista Rodrigo Constantino tem uma citação sarcástica de Milton Friedman:

Se o governo administrar o deserto do Saara, vai faltar areia em cinco anos.

O Estado não gera riqueza e não sabe administrar a que está disponível. Não há como implantar um sistema de meritocracia na administração pública premiando os melhores e punindo os piores. Sequer é função do estado dar Bolsa Empresário para os ungidos campeões nacionais, como o grupo OGX do falido empresário Eike Batista, estrela maior do capitalismo de Estado praticado desde o governo Lula. O Estado deveria atuar apenas para garantir a igualdade das empresas perante as leis.

No modelo laissez faire, extremo oposto às tendências que se observam no Brasil, os empresários do setor privado – como se existisse empresário fora da iniciativa privada – competem entre si em busca de lucro sem interferência do Estado. A busca do lucro e não a generosidade do produtor é que faz nascerem melhores produtos e serviços – essa é a “mão invisível” à qual se referia Adam Smith.

Quem não consegue se adaptar às dinâmicas do mercado vai à falência, ou melhor, é substituído por um concorrente mais adaptado. Essa consequência do capitalismo às luzes do liberalismo econômico parece cruel, mas se não fosse assim, ainda estaríamos utilizando máquinas de escrever e não computadores.

A privatização feita corretamente, não o jogo de cartas marcadas que se viu no pré-sal em Libra, é o caminho para nossa liberdade. No caso do petróleo, os EUA têm dezenas de empresas que extraem esse “recurso estratégico” do solo e sobrevivem no mercado porque tentam oferecer produtos cada vez melhores para os consumidores. Nós “temos” a Petrobrás, uma estatal de capital misto usada para manobras políticas que só dá prejuízos.

Interferência Entre os Poderes

Churchill tornou famosa a ideia de que a democracia é o pior modelo político, exceto todos os outros. Ele disse isso em um contexto de ascensão do comunismo e de regimes nazi-facistas. Montesquieu pensou em uma forma de moderar o Poder do Estado dividindo-o em funções e dando competências a seus diferentes órgãos evitando o arbítrio e a violência. Esse é um dos pilares da democracia, mas foi James Madison quem primeiro aplicou essas ideias ao contexto republicano.

Refletindo sobre o abuso do poder real, Montesquieu concluiu que “só o poder freia o poder”. Esse é o chamado “Sistema de Freios e Contrapesos”. Daí a necessidade de cada poder manter-se autônomo e constituído por pessoas e grupos diferentes: os poderes atuariam mutuamente como freios, cada um impedindo que o outro abusasse de seu poder.

Lembro-me de uma tirinha de jornal onde duas minhocas conversavam sobre política. Era mais ou menos assim:

– Qual o regime político do Brasil?

– Democracia.

– Democracia? Esse não é aquele modelo em que há igualdade perante as leis e separação de poderes?

– Não, esse é outro.

No Brasil, os poderes não são independentes. Vimos isso claramente no caso do mensalão. Vimos Juízes se comportando como braços do partido dominante e o Executivo indicando juízes que melhor “lhe representasse” para compor a casa.

Falta de Uma Agenda da Oposição

Estamos às portas do quarto mandato petista. Esse partido aparelhou a máquina estatal e domesticou a massa mais necessitada para se conservar no poder. É o poder pelo poder. Os políticos petistas só pensam na próxima eleição e não nas próximas gerações. Sobram demagogos e faltam estadistas.

Esses anos de governo petralha mostraram a nova tática do comunismo moderno. Até meados do século XX, o poder era tomado a tiro e sangue. Agora, basta utilizar desonestidade intelectual, retórica vazia, desqualificação de opositores, demagogia e monopolizar a verdade para se eleger por vias democráticas e destruir o sistema democrático por dentro. Para Maquiavel, os fins justificam os meios. Mas para qualificar o nível de honestidade de um governante, os meios justificam os fins. Em pouco tempo, o Brasil será a Argentina, a Argentina será a Venezuela e a Venezuela será Cuba, propriedade particular dos irmãos Castro.

A alternância entre aqueles que detêm o poder é fundamental em uma democracia representativa, mas o Brasil talvez seja o único país do mundo onde só há partidos de esquerda se alternando no poder. Sim, o PSDB é um partido de esquerda embora seja uma esquerda moderada. Não existe oposição. Não há um discurso ou uma pauta que seja uma alternativa ao PT.

As Ideias Coletivistas e o Estado Babá

Somos seres sociais, mas não socialistas. Socialismo é um sistema político e ideológico criado pelos homens, mas não é algo que exprima a natureza humana. Enquanto seres humanos, necessitamos viver em sociedade, mas enquanto indivíduos, necessitamos conservar nossa individualidade e nossa liberdade. Liberdade não significa exatamente fazer o que quiser. Estamos submetidos a um contrato social, que basicamente diz que o seu direito acaba onde começa o do outro.

O Socialismo nivela a sociedade por baixo, enquanto mantém quem governa e os amigos do rei por cima. Como disse Churchill:

A desvantagem do capitalismo é a desigual distribuição das riquezas; a vantagem do socialismo é a igual distribuição das misérias.

Como todos somos coitadinhos aos olhos do Estado, ele se acha com a nobre tarefa de prover saúde, educação e emprego e de interferir em cada aspecto de nossas vidas. Como o Estado é formado por pessoas abnegadas e ungidas, exaustas após a batalha em prol desse povo sofrido, é justo o SUS para nós e o Sírio Libanês para eles.

Os estados de bem-estar social enfrentam um paradoxo inevitável: o nível de produção necessário para sustentar um estado de bem-estar social não pode ser sustentado por um estado de bem-estar social. É justo que os mais ricos paguem a conta? Não! Margaret Tatcher já sabia que o socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros. Nosso modelo é insustentável porque é baseado no consumo. Há pouco ou nenhum incentivo ao empreendedorismo e à livre concorrência, que gera melhores empregos e aumenta a renda familiar. Infelizmente, no Brasil é mais vantajoso ser funcionário público.

Os sistemas políticos pluralistas estão sustentados pelo elogio da dissonância: a crítica é benéfica para o governo porque descortina problemas que não seriam enxergados num regime monolítico. Os socialistas não concordam com esse princípio democrático: seu imperativo é rebater a crítica imediatamente mesmo sem raciocinar. Uma tática preferencial é acusar o crítico de estar a serviço de interesses de malévolos terceiros: um partido adversário, “a mídia”, “a burguesia”, os EUA ou tudo isso junto. É que, por sua própria natureza, o socialista não crê na hipótese de existência da opinião individual.

A Ditadura da Minoria

O Brasil vive um estranho momento de ascensão das minorias como forma de compensação por erros do passado. Chega a ponto de que se você não pertence a uma minoria, deve escolher ou inventar uma.

A grande falha é que não existem minorias fora do indivíduo, ou seja, você é uma minoria e eu sou outra. Esses grupos que se vendem como “minorias” são resultantes de uma forma de classificação de pessoas em torno de algumas características em comum, como cor, classe social, time de futebol, etc.

Se você pertence a uma minoria e se sente excluído, basta fazer acusações de racismo ou qualquer coisa que desqualifique sua minoria para ganhar respeito. Afinal, o que é uma ditadura senão o poder nas mãos de uma minoria?

Anomia

Vivemos um perigoso momento para nossa sociedade e para nossas instituições, O Brasil é o país do “jeitinho” e das leis elásticas. Um grande número de violações nas leis é relatado e até apurado, mas as devidas punições não são aplicadas. Para algumas pessoas, isso justifica fazer “justiça” com as próprias mãos. Essa é a anomia. Para o sociólogo Durkheim:

Anomia é estado de uma sociedade caracterizada pela desintegração das normas que regem a conduta dos homens e asseguram a ordem social

Uma característica dos movimentos de extrema esquerda, como o Fora do Eixo, é a tábula rasa. Eles esquecem que civilização é o conjunto de conhecimentos e costumes, transmitidos de geração para geração. É preciso escolher a civilização. E a barbárie estará sempre à espreita. Do ponto de vista individual vale o mesmo raciocínio. Não nascemos do nada. Carregamos uma história, e essa narrativa ajuda a nos definir como seres singulares.

Nas massas, os sentimentos são realçados e não a razão. Para essa gente, é bonito fechar ruas, destruir bancos e agredir policiais, mas ai do policial se atirar uma bala de borracha ou simplesmente querer impedir a passagem dos valentes. A imprensa marrom, paga com dinheiro público, quando não consegue inverter os papéis de vítima e agressor, atenua a gravidade dos fatos trocando os nomes que as coisas têm, como quando chamam “vândalos” e “terroristas” de “manifestantes” ou de “uma minoria infiltrada”. É justamente essa “minoria” que dá visibilidade ao protesto.

A maioria de nossos artistas é hipócrita. São a nata da esquerda caviar. Apoiam, justificam e incentivam a baderna, mas usufruem todas as vantagens do sistema capitalista e têm grande patrimônio. Caetano Veloso até foi fotografado com uma faixa preta dos black blocs.

Entre os grupos de protesto, também nota-se uma certa ignorância com relação ao funcionamento da economia, como no caso dos R$0,20 do Movimento Passe Livre. Adam Smith advertiu que não existe almoço grátis. Como falei antes, o Estado não gera riqueza. Ele obriga as pessoas a entregarem parte de suas rendas na forma de impostos. Essa diferença no valor da passagem de ônibus viria de outras fontes. Veja o aumento do IPTU da sua residência. O prefeito petista de São Paulo, Fernando Haddad, meteu a mão em nossos bolsos e de quebra se vingou de quem não votou nele, como indica esse mapa.

A anomia também é causada pela corrupção, profundamente enraizada, e pela impunidade. O PT não inventou a corrupção, mas a elevou a uma categoria de pensamento, como disse Reynaldo Azevedo. Um dos mais notórios filósofos dessa nova era do pensamento petralha é José Dirceu, de quem “roubo” uma frase para encerrar esse curto artigo:

Estou cada vez mais convencido de que sou inocente.