Um Problema Relacionado a um Triângulo Retângulo

Um colega me enviou esse triângulo retângulo e pediu ajuda para provar que:

bc – ad = 1

Questões relacionadas a triângulos retângulos não são muito desafiadoras, mas sempre aparece alguma coisa interessante por aí, como aquele caso do MIT que compartilhei. O Teorema de Pitágoras é suficiente para atacar esse problema:

x2 + y2 = z2

O que permite escrever:

(c/d – a/b)2 + (1/2b2 – 1/2d2)2 = (1/2b2 + 1/2d2)2

Desenvolvendo as equações resultantes dos quadrados da soma e da diferença:

c2/d2 – 2ac/db + a2/b2 + 1/4b4 – 2/4d2b2 + 1/4d4 = 1/4b4 + 2/4b2d2 + 1/4d4

c2/d2 – 2ac/db + a2/b2 = 4/4b2d2

c2/d2(b2/b2) – 2ac/db(db/db) + a2/b2(d2/d2) = 1/b2d2

(b2d2)(c2b2 – 2abcd + a2d2)/(b2d2) = (b2d2)*1/(b2d2)

c2b2 – 2abcd + a2d2 = 1

Note que no lado esquerdo da igualdade há os componentes do quadrado da diferença:

(cb – ad)2 = 1

√[(cb – ad)2] = 1

bc – ad = 1

Anúncios

Como Desabilitar Teclas de Atalho no Navegador

Se você precisar desabilitar teclas de atalho no navegador, pode utilizar jQuery. No exemplo abaixo, os atalhos para recortar (Ctrl+X), copiar (Ctrl+C) e colar (Ctrl+V) são desabilitados no $( document ).ready(), ou seja, quando a página estiver pronta para executar JavaScript:

$(document).ready(function () {
   $('body').bind('cut copy paste', function (e) {
      e.preventDefault();
   });
});

A Melhor Forma de Mapear um Relacionamento OneToOne com JPA

Normalmente, em um relacionamento um-para-um anotado com @OneToOne, a entidade principal e a entidade secundária têm seus próprios identificadores, mas a entidade secundária também armazena uma referência para a chave estrangeira da entidade principal.

Figura 1 – Relacionamento de duas tabelas (note que é um M:N e não necessariamente um 1:1)

  CREATE TABLE TBL_PESSOA(  
    PK_PESSOA NUMBER(10) NOT NULL, 
    NM_PESSOA    VARCHAR2(256) NOT NULL, 
   CONSTRAINT PK_PESSOA PRIMARY KEY (PK_PESSOA)
  );

  CREATE TABLE TBL_PET( 
    PK_PET NUMBER(10) NOT NULL, 
    FK_PESSOA NUMBER(10) NOT NULL, 
    NM_PET    VARCHAR2(256) NOT NULL, 
    CONSTRAINT PK_PET PRIMARY KEY (PK_PET),
    CONSTRAINT FK_PET_PESSOA FOREIGN KEY (FK_PESSOA)
    REFERENCES TBL_PESSOA(PK_PESSOA)
  );

Com o modelo tradicional de mapeamento um-para-um, o banco de dados normalmente indexa tanto a chave primária quanto a chave estrangeira, o que é interessante para diminuir o scanning das tabelas, mas isso tem um custo na aplicação: mesmo anotando com FetchType.LAZY sem optional, a tabela A (pai) se comportará como FetchType.EAGER, o que é ruim para performance e uso de memória.

Se é um relacionamento um-para-um, significa que uma linha da tabela B estará relacionada à apenas uma linha da tabela A. Sendo assim, faria mais sentido utilizar a chave estrangeira da tabela A como chave primária da tabela B. Para isso, vamos utilizar a anotação @MapsId. Utilizando essa anotação, você não precisa de um relacionamento bidirecional, mas esse não é nosso propósito: vamos apenas utilizar a chave primária de uma tabela Pessoa em uma tabela Pet – nesse modelo, uma Pessoa só pode ter um Pet:

Figura 2 – Relacionamento entre Pessoa e Pet

A implementação simplificada abaixo desdobra esse relacionamento:

@Entity
@Table(name = "TBL_PESSOA")
public class Pessoa {
   @Id
   @GeneratedValue(strategy = GenerationType.IDENTITY)
   @Column(name = "PK_PESSOA")
   private Long id;

   @OneToOne(mappedBy = "pessoa", cascade = CascadeType.ALL, 
       fetch = FetchType.LAZY, optional = true)
   private Pet pet;
}

@Entity
@Table(name = "TBL_PET")
public class Pet {
   @Id
   private Long id;

   @MapsId
   @OneToOne(fetch = FetchType.LAZY)
   @JoinColumn(name = "FK_PESSOA")
   private Pessoa pessoa;

}

No banco de dados, o relacionamento é armazenado assim:

  CREATE TABLE TBL_PESSOA(	
    PK_PESSOA NUMBER(10) NOT NULL, 
    NM_PESSOA    VARCHAR2(256) NOT NULL, 
	  CONSTRAINT PK_PESSOA PRIMARY KEY (PK_PESSOA)
  );

  CREATE TABLE TBL_PET( 
    PK_PESSOA NUMBER(10) NOT NULL, 
    NM_PET    VARCHAR2(256) NOT NULL, 
    CONSTRAINT PK_PET PRIMARY KEY (PK_PESSOA),
    CONSTRAINT FK_PET_PESSOA FOREIGN KEY (PK_PESSOA)
    REFERENCES TBL_PESSOA(PK_PESSOA)
  );

Figura 3 – Relacionamento 1:1 com PK compartilhada

O Problema dos Três Números Consecutivos

O canal Mind Your Decisions enviou um desafio interessante:

Encontrei três números inteiros consecutivos tais que o produto é igual à soma deles. Quais poderiam ser os meus números? Resolva para todas as possibilidades.

Ou seja:

X.Y.Z = X + Y + Z

Eu parti da sequência abaixo e simplifiquei a expressão para trabalhar no segundo grau:

x.(x+1).(x+2) = x + (x+1) + (x+2)
x.(x+1).(x+2) = 3(x+1)
x2 + 2x – 3 = 0

E encontrei as respostas x1=1 e x2=-3, que são duas soluções válidas, mas o problema pede “todas” as soluções possíveis. Sendo assim, não podemos simplificar, pois inevitavelmente temos que trabalhar com uma equação do terceiro grau, que tem três soluções possíveis. O canal partiu de uma sequência um pouco diferente da minha e não simplificou:

(x-1).x.(x+1) = (x-1) + x + (x+1)

O interessante é que os passos que ele seguiu culminaram em um quadrado da diferença, o que simplifica a descoberta das soluções:

(x-1).x.(x+1) = (x-1) + x + (x+1)
x3 – 4x = 0
x(x2 – 4) = 0
x(x+2)(x-2) = 0

As respostas são: x1=0, x2=-2 e x3=2:

  • Para x1=0, a sequência (X,Y,Z) é (-1,0,1)
  • Para x2=-2, a sequência (X,Y,Z) é (-3,-2,-1)
  • Para x3=2, a sequência (X,Y,Z) é (1,2,3)
Categorias:Matemática Tags:

Quando Quatro é igual à Cinco

Esse é mais um daqueles artigos da série “será que estou louco?”. O Reinaldo Azevedo escreveu mais um de seus muitos artigos sobre política, mas lá no meio do artigo ele inseriu uma imagem com uma equação que resultava 4=5 que ele utilizou para exemplificar o rigor matemático de uma associação que se opunha à reforma da Previdência. Aí me lembrei de um artigo em que induzo o leitor ao erro para provar que dois é igual à zero. Vamos identificar o erro na equação do Reinaldo.

0 = 0
20 – 20 = 25 – 25
5×4 – 5×4 = 5×5 – 5×5
4(5-5) = 5(5-5)
4 = 5

As três primeiras linhas estão corretas. O problema ocorre quando se divide os dois lados por (5-5), pois 5-5 resulta 0 e divisão por zero não existe.

4≠5

Ser de Esquerda e Seres de Esquerda

Quem espera que o diabo ande pelo mundo com chifres será sempre sua presa.

Arthur Schopenhauer

Leio em vários lugares e assisto em muitos vídeos as opiniões de filósofos e auto intitulados “especialistas” sobre o que ocorre com nossa sociedade: quais as raízes do problema, para onde estamos indo, quais são as alternativas e quais são as possíveis consequências de cada uma das nossas escolhas, etc. Tanto os que têm um claro viés ideológico mais a esquerda quanto os que se vendem como isentões pregam que o caminho para o entendimento é o diálogo ou jogam os holofotes sobre pessoas ou grupos dos quais discordam para tirar o foco do problema ou simplesmente para proteger os bandidos de coração. Hoje, não sobra muito espaço na grande mídia para as opiniões de quem não faz parte do mainstream.

Sinceramente, acho que o tempo de diálogo com essa gente já passou. Esquerdistas odeiam quem não cultua os mesmos deuses e não têm as mesmas crenças deles – sim, socialismo é uma religião e seus adeptos são fanáticos. Não devemos tolerar os intolerantes, pois nós, que trabalhamos, estudamos, pagamos nossas contas e educamos filhos com esses valores para serem cidadãos honestos temos naturalmente um pensamento mais alinhado com o capitalismo (lucro, comércio e propriedade privada), com a democracia (soberania da maioria), com o legalismo (império das leis) e com o liberalismo (liberdade individual) não podemos ceder espaço à patrulha politicamente correta, ao monopólio das virtudes e às falácias de sempre – estado babá, estado empresário, estado assistencialista, doutrinação escolar, sindicalismo, coitadismo, fins nobres (ainda que com meios reprováveis), etc.

Figura 1 – Lobo em pele de cordeiro: um típico esquerdista

Para verificar o nível de psicopatia de um esquerdista, preste atenção no quanto ele quer matar quem se opõe ao que ele acredita. Esse “matar” pode ser simbólico ou real, mas mesmo aí há vários níveis de morte. Os liberais respeitam o contraditório. O contraditório é importantíssimo para a evolução do conhecimento e da sociedade, mas assim como os fanáticos de seitas religiosas, os esquerdistas/socialistas/comunistas já detém a verdade e têm a missão de impô-las ao resto dos meros mortais não importando que esse resto seja a maioria. Charles Chaplin descobriu um caminho para fazer ditadores rangerem os dentes: a comédia. Assista ao filme O Grande Ditador para entender o funcionamento dessa “poderosa arma”. Quer sacanear um esquerdista que leu dois livros na vida e já se acha intelectual? O professor Pondé deu algumas dicas.

Movimentos como o MBL (Movimento Brasil Livre) estão na vanguarda da insatisfação popular com o status quo. Seus membros têm uma mistura muito interessante de perfis aguerridos com boa formação em escolas econômicas como a Escola Austríaca (Mises, Hayek, etc) e a Escola de Chicago (Milton Friedman e outros) além de admirável inteligência e eloquência. Essas são as pessoas ideias para combater as mentiras plantadas e cultivadas pelo PT (Partido dos Trabalhadores) e por suas linhas auxiliares, como o PSOL (Partido Socialismo e Liberdade ) e a UNE (União Nacional dos Estudantes) e tudo aquilo de mais podre e retrógrado que eles representam. O MBL é importante nesse período de transição marcado pela guerra contra a corrupção e combate as idéias esquerdistas por meio do esclarecimento da população, que aos poucos está saindo da letargia, mas acho que no futuro essas pessoas, que hoje admiro, não serão mais necessárias. O Brasil do meu futuro utópico é pacífico, é livre de intervenções, tem povo culto, é tecnologicamente adiantado, aberto ao comércio internacional e imune ao messianismo de esquerda.

O Rodrigo Constantino apresentou algumas incoerências da esquerda quando o assunto é cultura e crianças – seus exemplos foram fortemente influenciados por aquela horrorosa exposição chamada Queermuseu, que foi patrocinada pelo Santander e pela Lei Rouanet, uma abominação autoritária que nos obriga a pagar pelo lixo – algumas vezes literal – produzido por supostos artistas. Para ele, “ser de esquerda é um tipo de doença mental, misturada com muita hipocrisia e perversão”. Acho que essa incoerência é fruto do duplipensamento, termo apresentado por George Orwell em sua distopia 1984, que apresenta uma visão de futuro onde o Comunismo venceu. O livro Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, chegou mais perto de acertar, mas tanto Huxley quanto Orwell fizeram previsões assustadoras.

Ser de Esquerda É…

por Rodrigo Constantino

  • Ser de esquerda é condenar o McLanche Feliz por “abusar” das crianças casando brinquedo com comida enquanto aplaude a mostra “cultural” de um banco estrangeiro com pedofilia e zoofilia voltada ao público infantil.
  • Ser de esquerda é boicotar um festival de cinema nacional por ter, entre dezenas de filmes, um sobre o Plano Real e outro sobre Olavo de Carvalho, e depois chamar de censura nazista o boicote a uma mostra “cultural” de um banco estrangeiro com pedofilia e zoofilia para crianças, com uso de verba pública.
  • Ser de esquerda é protestar contra a venda de hamburger e hot dog nas lanchonetes das escolas, e depois defender uma mostra “cultural” de um banco estrangeiro com pedofilia e zoofilia voltada ao público infantil, com uso de recursos públicos.
  • Ser de esquerda é ser histérico com a quantidade de sal, gordura e fritura ingerida pelas crianças, usando o aparato coercitivo do estado para patrulhar o estômago alheio, enquanto defende “arte” com pedofilia para o público infantil.
  • Ser de esquerda é censurar os filmes antigos por conterem cenas de gente fumando cigarro, enquanto aplaude manifestações com maconha influenciando crianças.
  • Ser de esquerda é condenar Shakespeare por ser ícone de uma cultura machista e patriarcal, retirar livros de Monteiro Lobato das escolas por serem racistas, e depois enaltecer a “arte” com pedofilia e zoofilia.
  • Ser de esquerda é achar normal retratar Jesus como “trans” ou enfiar um crucifixo no ânus em praça pública na frente de senhoras e crianças, mas chamar de “islamofobia” uma charge de Maomé com uma bomba no turbante, alegando que tal ofensa até justifica a resposta terrorista.
  • Ser de esquerda é fazer coro ao curador ligado ao PSOL contra a “censura” enquanto defende o regime “democrático” da Venezuela e de Cuba.
  • Ser de esquerda é caçar o chef que caçou uma ovelha em seu programa para matá-la e comê-la, pois bichos devem ser poupados e, claro, brotam direto das prateleiras dos supermercados em fatias congeladas, enquanto não acha nada demais os bichos retratados como objetos sexuais de gente doente.
  • Ser de esquerda é simular uma revolta ética contra a corrupção somente quando o PT já saiu do poder e não ligar para a corrupção de menores promovida pelos doutrinadores disfarçados de professores nas escolas.
  • Ser de esquerda é achar que videogames de luta estimulam a violência nas crianças enquanto a narrativa de que marginais são “vítimas da sociedade” e as leis do ECA que tornam marmanjos criminosos inimputáveis são bons métodos para conter a violência.
  • Ser de esquerda é ficar horrorizado com meninos brincando com armas de brinquedo, enquanto acha lindo dar bonecas e colocar roupas de princesas no garotinho de “gênero fluido”.
  • Ser de esquerda é se revoltar com uma empresa de chocolate que fez ovos de Páscoa com apelidos por considerar isso bullying, enquanto festeja uma exposição “artística” com imagens de sexo entre adolescentes, com um rapaz negro fazendo sexo oral num branco e recebendo sexo anal de outro branco, simultaneamente.
  • Ser de esquerda é aplaudir o esforço do Instituto Alana, da herdeira do Banco Itaú, em acabar com a publicidade infantil em nome do combate ao consumismo capitalista e da proteção da criança, enquanto escreve textão no Facebook contra a “censura” a um espetáculo com pedofilia que recebeu visitas de crianças.
  • Ser de esquerda é negar o fato histórico de que comunistas comeram crianças, enquanto promove “arte” em que crianças são, de fato, “comidas” por adultos pervertidos.
  • Ser de esquerda é se preocupar mais com a vida do ovo da tartaruga do que com o ovo humano no ventre da mãe, mas achar o máximo uma “obra de arte” em que um animal é “carcado” por seres humanos.
  • Ser de esquerda é fazer a campanha do “Criança Esperança” enquanto prega o aborto, defende ideologia de gênero nas escolas, e vibra com a “arte” subversiva que transforma crianças em objetos sexuais de adultos perturbados.

Quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?

Quem veio primeiro, o ovo ou a galinha? Essa questão já foi bastante discutida e você vai encontrar muitos lugares que afirmam ter a resposta definitiva, algo que sempre encaro com desconfiança ou que simplesmente repudio quando não encontro referências a trabalhos científicos que sustentem afirmações e argumentos. Os resultados de uma pesquisa [1] científica demonstram que a galinha surgiu antes do ovo, mas tratarei dessa pesquisa mais tarde.

A Resposta de Darwin

Primeiro, vamos apresentar os argumentos que demonstram que o ovo veio antes da galinha. Esses argumentos são sólidos porque têm por base a Teoria da Seleção Natural, concebida por Charles Darwin (1809-1882), cujos pontos-chave [2] são:

  • Os indivíduos de uma mesma espécie apresentam variações em todos os caracteres – não são idênticos uns aos outros;
  • Todo organismo tem grande capacidade de reprodução, mas apenas alguns chegam à idade adulta;
  • O número de indivíduos de uma espécie é mantido mais ou menos constante ao longo das gerações. Há grande “luta” pela vida entre os descendentes, pois apesar de nascerem muitos indivíduos, poucos atingem a maturidade;
  • Na “luta” pela vida, organismos com variações favoráveis às condições do ambiente onde vivem têm maiores chances de sobreviver quando comparados aos organismos com variações menos favoráveis.
  • Os organismos com essas variações vantajosas têm maiores chances de deixar descendentes. Como há transmissão de caracteres de pais para filhos, estes apresentam essas variações vantajosas.
  • Assim, ao longo das gerações, a atuação da seleção natural sobre os indivíduos mantém ou melhora o grau de adaptação destes ao meio.

Figura 1 – Charles Darwin

De acordo com essa teoria, todas as espécies têm ancestrais comuns e são submetidas à seleção natural. Assim, apenas os mais aptos sobrevivem e passam suas características aos seus descendentes. Como curiosidade, o que chamou a atenção e motivou a hipótese inicial de Darwin não foram as famosas Tartarugas Gigantes, mas sim os formatos dos bicos dos Tentilhões das Galápagos: o isolamento geográfico e a competição causaram a separação das espécies.

A Teoria Sintética da Evolução (Neodarwinismo) se baseia na ideia de seleção natural proposta por Darwin, mas aplica noções atuais de genética – baseadas inicialmente nos trabalhos de Mendel – para explicar que a seleção natural na verdade permite que as características genéticas passem para os descendentes. Para a Teoria Sintética [2]:

  • População é um agrupamento de indivíduos de uma mesma espécie que ocorrem em uma mesma área geográfica, em um mesmo intervalo de tempo;
  • Espécie é “qualquer agrupamento de populações naturais, reais ou potencialmente intercruzantes, reprodutivamente isolados de outros grupos de organismos” [2].

Cada população apresenta seu conjunto gênico, que pode ser alterado de acordo com fatores evolutivos [2]:

  • Fatores que tendem a aumentar a variabilidade genética da população: mutação gênica, mutação cromossômica, recombinação;
  • Fatores que atuam sobre a variabilidade genética já estabelecida: seleção natural, migração e oscilação genética.

A replicação do DNA nunca é 100% fiel: pequenos erros ocorrem nesse processo e os descendentes desses animais mutantes são submetidos à seleção natural. Assim, podemos conjecturar que em algum momento um mutante botou o primeiro ovo e em outra época, posterior ou anterior ao surgimento do ovo, algum mutante originou o ancestral da galinha. Daí a importância de conhecer teorias evolutivas: para saber quem veio primeiro, é necessário conhecer em que momento da evolução surgiu uma criatura que denominamos ave, que é o ancestral da galinha, e quando surgiu uma estrutura que denominamos genericamente ovo – temos que traçar uma linha evolutiva que conecte a galinha ao primeiro animal que botou um ovo. Quanto mais elos dessa cadeia forem conhecidos, mais seguros ficaremos. Recomendo fortemente que você assista ao vídeo sobre a evolução das espécies concebido e narrado por Carl Sagan para a série Cosmos.

Sabendo que a galinha é o resultado de um longo processo evolutivo, vamos analisar sua ancestralidade. Nosso conhecido galo doméstico pertence à espécie Gallus gallus domesticus, que descende de uma fusão entre o Galo-banquiva (Gallus gallus), que foi domesticado na Ásia por volta de 3.200 a.C., e o Bengal (Gallus sonnerati) – esse último é o responsável pelas patas amarelas das galinhas contemporâneas. Como esses dois antepassados ainda são relativamente jovens e sabe-se que botavam ovos, temos que retroceder bastante no tempo, à época dos dinossauros, para encontrar o antepassado mais antigo da galinha – especificamente, o elo que liga as aves aos dinossauros – e verificar quando o ato de botar ovos se tornou uma característica desses animais.

Figura 2 – Do dinossauro à galinha

Era aceito no meio científico que as aves evoluíram dos dinossauros, mas em 2010 um estudo feito sobre 200 características morfológicas reclassificou o Archaeopteryx, o mais antigo e famoso dinossauro alado conhecido, à categoria de dinossauros que pareciam pássaros, pois sua capacidade de voo foi questionada, embora não tenha sido completamente refutada – ainda que o Archaeopteryx não possuísse o externo (osso típico das aves responsável pelo bater de asas), ele possuía a fúrcula, outro osso típico das aves. Avestruzes não voam e as aves do terror também não voavam, mas ambas são classificadas como aves por causa de um conjunto de características que as agrupa na mesma classe: Aves. O problema é que há fortes evidências de que aquele animal voava, embora não com a elegância das aves modernas, mas com certeza voaria melhor que um peru, embora fosse mais provável que ele praticasse os tais “vôos de galinha”, pulando de galho em galho impulsionado pelas asas e planando para caçar insetos.

Figura 3Archaeopteryx

Em 2013 foi encontrado um fóssil preservado em uma placa de xisto na China que pode ser da criatura mais antiga da linha evolutiva das aves. O Auronis Xui viveu há cerca de 160 milhões de anos (período Jurássico Superior, compreendido entre 163 e 145 milhões de anos atrás), media cerca de 50 centímetros e, provavelmente, corria muito rápido e ainda voava:

Figura 4Auronis Xui, a “ave do amanhecer” – o ancestral da galinha

Essa descoberta devolveu o Archaeopteryx à condição de ancestral dos pássaros. Na verdade, o Auronis é mais antigo que o Archaeopteryx. O Archaeopteryx pertence à classe das Aves, que inclui pássaros e familiares evoluídos à partir dos répteis gigantes. A diversificação das aves e dos dinossauros ocorreu na Ásia durante o Jurássico Médio (entre 174,1 e 163,5 milhões de anos atrás). Como discutimos anteriormente, é importante que conheçamos a maior quantidade possível de elos na cadeia evolutiva para que possamos traçar uma ligação entre as galinhas e os dinossauros no que diz respeito ao surgimento dos ovos.

Ovos de peixes e anfíbios possuem a membrana embrionária, o que causa a dependência de água para reprodução. O êxito em ambientes continentais terrestres foi o desenvolvimento do ovo amniótico, há 312 milhões de anos, no período Carbonífero (entre 359 e 299 milhões de anos atrás) da Era Paleozoica, por terópodes parecidos com pequenos lagartos. O ovo amniótico protege o embrião de impactos, do ressecamento, provê reservas alimentares e tem uma estrutura de membranas que facilita as trocas com o ambiente. Devido à presença da placenta, uma estrutura que tem as mesmas características gerais do ovo amniótico, os mamíferos também pertencem ao grupo dos animais amniotas.

O Auronis Xui, ancestral da galinha, viveu há cerca de 160 milhões de anos e os ovos amnióticos sugiram há cerca de 312 milhões de anos. Essa inovação evolutiva permitiu a sobrevivência e a maturação dos ovos em terra e o surgimento de vertebrados terrestres muito antes de o primeiro galo cantar [4]. Como os dinossauros descendem dos peixes, que surgiram no período Ordoviciano (de 488 a 443 milhões de anos atrás), os ovos desses animais, formados de membrana embrionária, são bem mais antigos. Se não formos muito exigentes com a qualificação das espécies e com a definição de ovo, esponjas já utilizavam algum tipo de ovo para se reproduzirem desde antes da explosão da biodiversidade ocorrida no período Cambriano (cerca de 510 milhões de anos atrás). Se pararmos a explicação por arqui, podemos afirmar, bem embasados pela teoria da evolução, que o ovo veio antes da galinha.

Figura 5 – Posição do ovo em relação à galinha na escala evolutiva

A Resposta Computacional

Agora vamos tratar daquela pesquisa [1] conduzida por pesquisadores da Universidade de Warwick e da Universidade de Sheffield e que foi fortemente auxiliada por simulações computacionais. Não tratarei da pesquisa em si, mas apenas dos resultados, que foram apresentados em 2010 e deram uma resposta diferente para a questão do ovo e da galinha.

Já fazia algum tempo que os cientistas acreditavam que uma proteína encontrada na casca do ovo da galinha, a ovocledidina-17 (OC-17), exercia um papel fundamental na sua formação. Resultados de simulações computacionais mostraram que a proteína influenciava a transformação do carbonato de cálcio (CaCO3) em cristais de calcita: a OC-17 se une à superfícies amorfas de carbonato de cálcio e estimula a formação de cristais de calcita, que vão se juntando até formarem toda a casca do ovo. Segundo os pesquisadores, aquela proteína (OC-17) só é encontrada nos ovários das galinhas. Como a proteína da galinha é necessária para a formação da parte endurecida da casca do ovo, a galinha necessariamente veio antes do ovo.

Figura 6 – OC-17 se conectando ao CaCO3 para formar cristais de calcita [5]

Conclusão

Afinal, quem veio primeiro, o ovo ou a galinha? Depende. Se a pergunta se referir à qualquer ovo, o ovo veio primeiro, pois ele é mais antigo que quaisquer ancestrais alados da galinha, mas se a pergunta estiver se referindo ao ovo da galinha, a galinha veio primeiro, pois só uma proteína presente no organismo dela é capaz de formá-lo.

Figura 7 – Conclusão

Apêndice: Outras Explicações ou “A Resposta de Deus”

Uma vez que temos uma explicação científica, não sobra espaço para achismo, crença, misticismo, esoterismo e quaisquer tipos de mandingas. Porém, se as explicações científicas não te agradaram, há também a vertente religiosa. Para o Criacionismo Bíblico, conforme o livro de Gênesis (1:1-31) do Antigo Testamento, todas as coisas do mundo e do universo foram criadas por Deus. Daí perguntaríamos: porque Deus criaria ovo e galinha se a minimização de energia é uma característica da natureza? Partindo de um ovo e de uma galinha, necessariamente deve nascer um galo do ovo, senão a história acabaria por aí e os Sapiens poderiam ter domesticado urubus ao invés de galinhas. Se o ovo está destinado a se tornar uma galinha ou galo e a galinha invariavelmente o produz, por que Deus não criou simplesmente um galo (Adão) e uma galinha (Eva) para então permitir que eles fizessem suas próprias gemadas?

Figura 8A Criação de Adão, pintada por Michelangelo no teto da Capela Sistina

Se você acha que o criacionismo bíblico e a ciência séria são antagônicos, há ainda uma explicação pseudocientífica que fica mais ou menos no meio do caminho: a Teoria do Design Inteligente. Para o Design Inteligente, a complexidade da natureza necessariamente tem uma causa inteligente que pode ser empiricamente detectada. Essa complexidade por trás de estruturas tão perfeitas como o ovo, que se utiliza das propriedades da curva catenária, lançam desconfiança sobre o darwinismo, pois parece haver um ser inteligente que as arquitetou utilizando matemática avançada, artes, biologia, química e etc. Sendo assim, o desenho (design) é a evidência da existência de um Desenhista (designer), mas sabemos que isso é apenas uso de salto indutivo, pois a ausência da evidência não significa evidência da ausência. Há três argumentos principais na Teoria do Design Inteligente:

  1. Complexidade Irredutível: Refere-se ao fato de a vida ser composta de partes interligadas que dependem umas das outras para que sejam úteis. A mudança em uma parte apenas por mutação, por exemplo, não poderia ser responsável pela eficiência de toda estrutura.
  2. Complexidade Específica: Apresenta que seria impossível que padrões tão complexos, como os presentes nos seres vivos, tenham se desenvolvido através de processos do acaso.
  3. Princípio Antrópico: Acredita que a existência e desenvolvimento da vida na Terra requerem que tantas variáveis estejam perfeitamente harmonizadas, que seria impossível que todas as variáveis chegassem a ser como são apenas pelo acaso. Se nosso planeta fosse um pouco mais próximo do Sol, as condições para existência de vida seriam inviáveis.

Segundo Yuval Harari no livro Sapiens, existe design inteligente, mas o projetista não é um ser imaterial. Pegue o próprio caso da galinha. Os cruzamentos e seleções foram feitos artificialmente por nossos antepassados para produzir uma ave gorda e lenta mais fácil de criar. Pode-se dizer que houve design inteligente feito por seres humanos. O Design Inteligente por si só não explica quem veio primeiro, mas é uma ferramenta que pode reforçar a crença no Criacionismo Bíblico, que foi explicado anteriormente.

Referências

1. [https://www2.warwick.ac.uk/newsandevents/pressreleases/researchers_apply_computing]
2. [http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Seresvivos/Ciencias/bioselecaonatural2.php]
3. [https://www.megacurioso.com.br/evolucao/35438-ciencia-revela-quem-surgiu-antes-o-ovo-ou-galinha–video-.htm]
4. [http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/ovo_ou_galinha_quem_veio_antes_.html]
5. [https://phys.org/news/2010-07-power-egg-shell-problem.html]