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Archive for the ‘Atitude’ Category

Uma Teoria Bovina Sobre Governos

O Instituto Mises publicou um artigo que explica o funcionamento de vários sistemas de governo utilizando duas vacas. Nos comentários, o pessoal compartilhou outros exemplos.

Socialismo

Você tem duas vacas. O governo confisca uma e dá para seu vizinho.

Comunismo

Você tem duas vacas. O governo confisca as duas e promete dar a você um pouco de leite. Mas você morre de fome.

Fascismo

Você tem duas vacas. O governo confisca as duas e vende o leite para você.

Burocracia

Você tem duas vacas. O governo confisca as duas, mata uma, ordenha a outra até ela morrer, paga a você pelo leite, e então o joga pelo ralo.

Capitalismo sem capital

Você tem duas vacas. Vende uma, força a outra a produzir leite equivalente ao de quatro vacas, e então fica surpreso quando ela cai morta.

Capitalismo avançado

Você tem duas vacas. Vende uma, compra um touro, e se torna proprietário de um rebanho.

Estado de bem-estar social

Você tem duas vacas. O governo lhe tributa pesadamente até o ponto em que você tem de vender as duas para sustentar outra pessoa que já ganhou uma vaca grátis do governo.

Democracia representativa

Você tem duas vacas. Seus vizinhos marcam uma eleição para escolher quem irá dizer como o seu leite será repartido.

Social-Democracia brasileira

Você tem duas vacas. Elas nada produzem, pois estão estudando para concurso.

Sindicalismo

Você tem duas vacas. Você paga uma ao vaqueiro pelo salário combinado e a outra para o mesmo na ação que ele move contra você na justiça do trabalho.

Petismo

Você tem duas vacas. As duas são roubadas por companheiros seus. Mas você não sabe de absolutamente nada.

Contribuições dos Comentários

Keynesianismo

Você tem duas vacas e o governo imprime a terceira. As vacas se desvalorizam e há uma crise econômica.

Governos populistas latino-americanos

Você tem duas vacas. O governo toma uma e manda pra Suíça. Confisca a outra e distribui entre empresários amigos.

Socialismo Brazuca

Você tem duas vacas, o governo lhe toma uma e dá para um fazendeiro que já tem um milhão de cabeças.

Mercantilismo petista

Você tem duas vacas. O governo confisca as duas e repassa pra Friboi.

Corporativismo Social Brasileiro

Você tem duas vacas. O governo confisca uma e repassa para fazendeiros amiguinhos. A outra é forçada produzir por 4 vacas para sustentar a burocracia e acaba morrendo.

Castrismo

Você tinha duas vacas. Elas fugiram pra Miami.

Socialismo Venezuelano

Não há vacas ou leite. O governo divulga dados comemorando o fim da obesidade no país

Protecionismo

Você deseja ter duas vacas holandesas. O governo tributa a importação do animal em 60% e você é obrigado a se contentar com uma mula de origem nacional.

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Categorias:Atitude

As Cotas Racias

O Facebook é o lar dos corajosos; daqueles que querem mudar o mundo, mas não aceitam arrumar a própria cama; do viés autoritário de esquerda carregado de ranço ideológico. Há coisas engraçadas lá, mas a ausência de conteúdo de qualidade me mantém fora daquela rede social por semanas e até meses.

Acessei minha conta faz alguns dias para verificar se tinha alguma coisa útil ou interessante na minha rede de “amigos”. Vi que um colega compartilhou um vídeo com uma conversa entre o apresentador Serginho Groisman e um estudante universitário. O que foi dito ali me incomodou. Outra coisa que me incomodou foi a postura do companheiro que originalmente postou o vídeo – que é um esquerdista de boutique – aproveitando a oportunidade para lançar um desafio a quem não pensa como ele:

Olhem os argumentos de quem é Contra as Cotas Raciais, e de como é fácil de destruir tais argumentos!

Figura 1 – Cher Guevara, a rainha da esquerda de boutique

Esse comentário e o vídeo estão lá no Facebook. Não vale a pena tentar contra-argumentar, pois não se trata de um argumento sólido, mas vou tecer alguns comentários e tentar fazer as perguntas certas para que se possa conversar a respeito desse assunto visando aumentar o entendimento. Para começar, acho que não se deve tratar assuntos em termos de “destruição” ou qualquer tipo de aniquilação. Para que exista o diálogo, é necessário parar de ruminar e aprender a ouvir, a ler o que os outros escrevem e a falar com eloquência e embasamento sólido.

É curiosíssimo que o autor do comentário do vídeo assuma que um estudante universitário tenha conhecimento e experiência para falar com autoridade sobre esse tema. Isso é apenas desonestidade intelectual a serviço da desinformação. Entortar e torturar a realidade para fazê-la caber em uma visão de mundo é uma estratégia típica das esquerdas, mas vamos analisar o conteúdo do vídeo.

O estudante universitário disse que cotas raciais não deveriam existir por se tratar de uma falta de respeito com o ser humano. Segundo ele:

(…) do mesmo jeito que o negro tem direito, o branco também tem…o amarelo (…)

Vou utilizar direita e esquerda nesse artigo porque será mais fácil analisar nesse micro contexto, mas essa não é a forma mais adequada de agrupar visões de mundo as mais diversas – talvez nem exista uma forma geral, mas apenas formatos atrelados a um contexto, como liberais, liberais democratas, conservadores, reacionários, legalistas, socialistas, comunistas, desenvolvimentistas, progressistas, ambientalistas, “coitadistas”, alienistas, etc. O problema é que o rapaz usa o argumento raso da direita. Dessa forma, ele é facilmente contra-atacado pelo apresentador, que usa dialética erística para enfeitar os argumentos rasos da esquerda:

Quantos negros têm na sua classe?

Essa é a pergunta óbvia que um esquerdista faria, pois ele se acha detentor de todas as virtudes. Defender causas raciais está dentro daquela ideia de que existem oprimidos e opressores e isso faz parte do pacote de “serviços” prestados à humanidade pelas esquerdas. Uma vez um esquerdista não declarado exigiu minha opinião sobre um outro assunto, mas utilizando um formato muito parecido com esse. Apenas acenei com a cabeça e preferi não responder, pois percebi que ele não estava aberto ao diálogo; só queria se impor para me “vencer” como se eu tratasse conversas em termos de vitória e derrota. Ao vencedor, as batatas.

Vamos ajudar o rapaz a pensar sobre o tema. Cota racial é uma forma de institucionalizar e certificar o preconceito em nome do pagamento de uma dívida histórica. Os esquerdistas julgam o presente com uma leitura particular da história – não podemos julgar nossos contemporâneos com base no comportamento dos seus antepassados, pois era parte da cultura e da edução daquela época. Só para lembrar: Zumbi dos Palmares, cultuado principalmente no Dia do Orgulho Negro, tinha escravos. Brancos não podiam ter escravos, mas negros podiam? Faz sentido cultuar um escravista?

A simples existência de cotas raciais já é um peso para o estado, ou melhor, para os pagadores de impostos. O Estado é um ente nascido para cumprir a vontade do povo, que “assina” um contrato social. Os administradores públicos, eleitos via voto direto, fazem escolhas com base nas necessidades do povo e no prazo em que essas necessidades devem ser atendidas. Será que utilizar o dinheiro dos pagadores de impostos para abrir as portas das faculdades para todos sem a justiça do teste de conhecimentos é uma decisão correta para com a maioria? É justo para quem estudou e se preparou para competir pela vaga? Isso vale também para cargos públicos. Parece até que os burocratas do Estado se esquecem que as pessoas, independente da origem e do grupo étnico em que estão classificadas, têm o direito de lutar pelo que quiserem – utilizando os meios legais, é claro, e estudando, é lógico. Elas são tratadas como incapazes que necessitam da tutela do papai Estado.

Para refletir: qual é a porcentagem de melanina que uma pessoa deveria ter para ser considerada negra? E quanto aos filhos de pais mulatos? Se tiverem mais melanina que os pais serão considerados negros ou o fato de terem DNA europeu em sua família os descredencia? Se o filho nascer mais branco, ele terá menos direitos que o irmão que tem mais melanina? Racismo também é tentar classificar um povo tão heterogêneo quanto o nosso. Somos todos brasileiros.

Se você expandir a questão das cotas para além dos negros, causará uma grande confusão na mente dos esquerdopatas. Se a ideia é ser justo com todas as raças que compõem nosso povo, é necessário que cada sala de aula tenha mais de 200 milhões de vagas, pois essa é a única forma de ser verdadeiramente justo na composição de um grupo racial heterogênico. Pense nisso: nem todo mundo consegue se assumir como membro de um grupo étnico – o agrupamento é forçado por critérios subjetivos. Quando uma minoria passa a ter privilégios especiais do Estado, é óbvio que muita gente tentará se enquadrar naquela minoria para usufruir dos privilégios. Afinal, somos todos brasileiros.

Percebeu que não apresentei solução alguma para esse problema? Meu objetivo era fazer mais perguntas para tentar jogar um pouco de luz no debate, mas conclui que pelo menos três coisas ficam claras quando esse assunto aparece em uma discussão: esquerdistas não entendem nada de economia, são preconceituosos e parciais quando alegam estar fazendo justiça e não toleram aqueles que ousam questionar suas visões de mundo uma vez que monopolizam as virtudes.

Regras Propostas Para a Vida Diária

Carl Sagan, no capítulo 16 (“As Regras do Jogo”) do livro Bilhões e Bilhões, elenca regras que regem a vida diária:

1. Regra de Ouro: “faz aos outros o que desejas que te façam”.

2. Regra de Prata: “não faças aos outros o que não desejas que te façam”.

3. Regra de Bronze: “faz aos outros o que te fazem”.

4. Regra de Ferro: “faz aos outros o que quiseres, antes que te façam o mesmo”.

5. Regra “Tit-for-Tar”: “coopera com os outros primeiro, depois faz aos outros o que te fazem”.

A proposição de regras que condensam comportamentos não ajuda a lidar com a complexidade dos relacionamentos humanos. Bruce Lee, em sua “filosofia marcial”, dizia que temos que nos adaptar aos adversários e não atacá-los ou nos defendermos de uma forma padronizada, assim como a água que se adapta ao recipiente que preenche: “Não tenha formato, contornos…seja água, meu amigo”, dizia ele.

É impossível adotarmos uma daquelas regras como filosofia de vida. As regras “douradas”, assim como as regras de “latão banhado”, implodem com o tempo: é impossível ser 100% bom em 100% das ocasiões ou totalmente espertalhão em todas as ocasiões. Comportamentos extremistas obviamente não se sustentam.

Estou convencido de que é necessário levar em conta o contexto e as próprias pessoas com quem nos relacionamos para encontrar a melhor forma de agir. Talvez possamos começar sendo cordiais até que “mudanças ambientais” forcem nossa mudança de atitude.

Ainda assim, sem me contradizer, não acho que exista uma situação em que ser espertalhão ou malicioso seja uma opção. Isso não é por causa de alguma religião ou falso moralismo. O esperto, trambiqueiro e oportunista fica sem ambiente para trabalhar, pois cria inimizades e acaba sendo vítima do próprio veneno. Quem tem esse perfil sempre se arrisca a infringir leis e regras de convivência em grupo (ética). Mais cedo ou mais tarde terá que pagar por suas escolhas.

Categorias:Atitude

Os Níveis do Ser Humano

Achei um texto que imprimi em um passado remoto. Não sei de onde veio aquele texto e nem qual era o autor. O texto é curioso e nos faz refletir sobre a natureza humana, onde estamos e o que queremos ser. Como o texto é meio longo e eu não queria digitá-lo, segue uma versão que encontrei aqui.

Os Níveis do Ser Humano

Há alguns anos, um buscador aproximou-se de um Mestre da Arte Real (um verdadeiro Místico) e perguntou-lhe:

– Mestre, gostaria muito de saber por que razão os seres humanos guerreiam-se e por que não conseguem entender-se, por mais que apregoem estar buscando a paz e o entendimento; por mais que apregoem o amor e por mais que afirmem abominar o ódio.

– Essa é uma pergunta muito séria. Gerações e gerações a têm feito e não conseguiram uma resposta satisfatória, por não se darem conta de que tudo é uma questão de nível evolutivo. A grande maioria da Humanidade do Planeta Terra está vivendo atualmente no nível 1. Muitos outros, no nível 2 e alguns outros no nível 3. Essa é a grande maioria. Alguns poucos já conseguiram atingir o nível 4, pouquíssimos o nível 5, raríssimos o nível 6 e somente de mil em mil anos aparece algum que atingiu o nível 7.

– Mas, Mestre, que níveis são esses?

– Não adiantaria nada explicá-los, pois além de não entender, também, logo em seguida, você os esqueceria e esqueceria também a explicação.

Assim, prefiro levá-lo numa viagem mental, para realizar uma série de experimentos e aí, então, tenho certeza, você vivenciará e saberá exatamente o que são esses níveis, cada um deles, nos seus mínimos detalhes.

Colocou, então, as pontas de dois dedos na testa do consulente e, imediatamente, ambos estavam em um outro local, em outra dimensão do Espaço e do Tempo.

Nível 1

O local era uma espécie de bosque, e um homem se aproximava deles. Ao chegar mais perto, disse-lhe o Mestre:

– Dê-lhe um tapa no rosto.

– Mas por quê? Ele não me fez nada…

– Faz parte do experimento. Dê-lhe um tapa, não muito forte, mas dê-lhe um tapa!

E o homem aproximou-se mais do Mestre e do consulente. Este, então, chegou até o homem, pediu-lhe que parasse e, sem nenhum aviso, deu-lhe um tapa que estalou. Imediatamente, como se fosse feito de mola, o desconhecido revidou com uma saraivada de socos e o consulente foi ao chão, por causa do inesperado do ataque. Instantaneamente, como num passe de mágica, o Mestre e o consulente já estavam em outro lugar, muito semelhante ao primeiro e outro homem se aproximava. O Mestre, então comentou:

– Agora, você já sabe como reage um homem do nível 1. Não pensa. Age mecanicamente. Revida sem pensar. Aprendeu a agir dessa maneira e esse aprendizado é tudo para ele, é o que norteia sua vida, é sua “muleta”. Agora, você testará da mesma maneira, o nosso companheiro que vem aí, do nível 2.

Nível 2

Quando o homem se aproximou, o consulente pediu que parasse e lhe deu um tapa. O homem ficou assustado, olhou para o consulente, mediu-o de cima a baixo e, sem dizer nada, revidou com um tapa, um pouco mais forte. Instantaneamente, já estavam em outro lugar muito semelhante ao primeiro.

– Agora, você já sabe como reage um homem do nível 2. Pensa um pouco, analisa superficialmente a situação, verifica se está à altura do adversário e aí, então, revida. Se se julgar mais fraco, não revidará imediatamente, pois irá revidar à traição. Ainda é carregado pelo mesmo tipo de “muleta” usada pelo homem do nível 1. Só que analisa um pouco mais as coisas e fatos da vida. Entendeu? Repita o mesmo com esse aí que vem chegando.

Nível 3

A cena repetiu-se. Ao receber o tapa, o homem parou, olhou para o consulente e assim falou:

– O que é isso, moço?… Mereço uma explicação, não acha? Se não me explicar direitinho por que razão me bateu, vai levar uma surra!
Estou falando sério!

– Eu e o Mestre estamos realizando uma série de experimentos e este experimento consta exatamente em fazer o que fiz, ou seja, bater nas pessoas para ver como reagem.

– E querem ver como reajo?

– Sim. Exatamente isso…

– Já reparou que não tem sentido?

– Como não? Já aprendemos ótimas lições com as reações das outras pessoas. Queremos saber qual a lição que você irá nos ensinar…

– Ainda não perceberam que isso não faz sentido? Por que agredir as pessoas assim, gratuitamente?

– Queremos verificar – interferiu o Mestre – as reações mais imediatas e primitivas das pessoas. Você tem alguma sugestão ou consegue atinar com alguma alternativa?

– De momento, não me ocorre nenhuma. De uma coisa, porém, estou certo: – Esse teste é muito bárbaro, pois agride os outros. Estou, realmente, muito assustado e chocado com essa ação de vocês, que parecem pessoas inteligentes e sensatas. Certamente, deverá haver algo menos agressivo e mais inteligente. Não acham?

– Enfim – perguntou o buscador – como você vai reagir? Vai revidar? Ou vai nos ensinar uma outra maneira de conseguir aprender o que desejamos?

– Já nem sei se continuo discutindo com vocês, pois acho que estou perdendo meu tempo. São dois malucos e tenho coisas mais importantes para fazer do que ficar conversando com dois malucos. Afinal, meu tempo é precioso demais e não vou desperdiçá-lo com vocês. Quando encontrarem alguém que não seja tão sensato e paciente como eu, vão aprender o que é agredir gratuitamente as pessoas. Que outro, em algum outro lugar, revide por mim. Não vou nem perder meu tempo com vocês, pois não merecem meu esforço… São uns perfeitos idiotas… Imagine só, dar tapas nos outros… Besteira… Idiotice… Falta do que fazer… E ainda querem me convencer de que estão buscando conhecimento… Picaretas! Isso é o que vocês são! Uns picaretas! Uns charlatães!

Imediatamente, aquela cena apagou-se e já se encontravam em outro luar, muito semelhante a todos os outros. Então, o Mestre comentou:

– Agora, você já sabe como age o homem do nível 3. Gosta de analisar a situação, discutir os pormenores, criticar tudo, mas não apresenta nenhuma solução ou alternativa, pois ainda usa as mesmas “muletas” que os outros dois anteriores também usavam. Prefere deixar tudo “pra lá”, pois “não tem tempo” para se aborrecer com a ação, que prefere deixar para os “outros”. É um erudito e teórico que fala muito, mas que age muito pouco e não apresenta nenhuma solução para nenhum problema, a não ser a mais óbvia e assim mesmo, olhe lá… É um medíocre enfatuado, cheio de erudição, que se julga o “Dono da Verdade”, que se acha muito “entendido” e que reclama de tudo e só sabe criticar. É o mais perigoso de todos, pois costuma deter cargos de comando, por ser, geralmente, portador de algum diploma universitário em nível de bacharel (mais uma outra “muleta”) e se pavoneia por isso. Possui instrução e muita erudição. Já consegue ter um pouquinho mais de percepção das coisas, mas é somente isso. Ainda precisa das “muletas” para continuar vivendo, mas começa a perceber que talvez seja melhor andar sem elas. No entanto, por “preguiça vital” e simples falta de força de vontade, prefere continuar a utilizá-las. De resto, não passa de um medíocre enfatuado que sabe apenas argumentar e tudo criticar. Vamos, agora, saber como reage um homem do nível 4. Faça o mesmo com esse que aí vem.

Nível 4

E a cena repetiu-se.

O caminhante olhou para o buscador e perguntou:

– Por que você fez isso? Eu fiz alguma coisa errada? Ofendi você de alguma maneira? Enfim, gostaria de saber por que motivo você me bateu. Posso saber?

– Não é nada pessoal. Eu e o Mestre estamos realizando um experimento para aprender qual será a reação das pessoas diante de uma agressão imotivada.

– Pelo visto, já realizaram este experimento com outras pessoas. Já devem ter aprendido muito a respeito de como reagem os seres humanos, não é mesmo?

– É… Estamos aprendendo um bocado. Qual será sua reação? O que pensa de nosso experimento? Tem alguma sugestão melhor?

– Hoje, vocês me ensinaram uma nova lição e estou muito satisfeito com isso e só tenho a agradecer por me haverem escolhido para participar deste seu experimento. Apenas acho que vocês estão correndo o risco de encontrar alguém que não consiga entender o que estão fazendo e revidar à agressão. Até chego a arriscar-me a afirmar que vocês já encontraram esse tipo de pessoa, não é mesmo? Mas também se não corrermos algum risco na vida, nada, jamais, poderá ser conseguido, em termos de evolução. Sob esse ponto de vista, a metodologia experimental que vocês imaginaram é tão boa como outra qualquer. Já encontraram alguém que não entendesse o que estão a fazer e igualmente reações hostis, não é mesmo? Por outro lado, como se trata de um aprendizado, gostaria muito de acompanhá-los para partilhar desse aprendizado. Aceitar-me-iam como companheiro de jornada? Gostaria muito de adquirir novos conhecimentos. Posso ir com vocês?

– E se tudo o que dissemos for mentira? E se estivermos mal-intencionados? – perguntou o Mestre – Como reagiria a isso?

– Somente os loucos fazem coisas sem uma razão plausível. Sei, muito bem, distinguir um louco de um são e, definitivamente, tenho a mais cristalina das certezas de que vocês não são loucos. Logo, alguma razão vocês deverão ter para estarem agredindo gratuitamente as pessoas. Essa razão que me deram é tão boa e plausível como qualquer outra. Seja ela qual for, gostaria de seguir com vocês para ver se minhas conjecturas estão certas, ou seja, de que falaram a verdade e, se assim o for, compartilhar da experiência de vocês. Enfim, desejo aprender cada vez mais, e esta é uma boa ocasião para isso. Não acham?

Instantaneamente, tudo se desfez e logo estavam em outro ambiente, muito semelhante aos anteriores. O Mestre assim comentou:

– O homem do nível 4 já está bem distanciado e se desligando gradativamente dos afazeres mundanos. Já sabe que existem outros níveis mais baixos e outros mais elevados e está buscando apenas aprender mais e mais para evoluir, para tornar-se um sábio. Não é, em absoluto um erudito (embora até mesmo possa possuir algum diploma universitário) e já compreende bem a natureza humana para fazer julgamentos sensatos e lógicos. Por outro lado, possui uma curiosidade muito grande e uma insaciável sede de conhecimentos. E isso acontece porque abandonou suas “muletas” há muito pouco tempo, talvez há um mês ou dois. Ainda sente falta delas, mas já compreendeu que o melhor mesmo é viver sem elas. Dentro de muito pouco tempo, só mais um pouco de tempo, talvez mais um ano ou dois, assim que se acostumar, de fato, a sequer pensar nas muletas, estará realmente começando a trilhar o caminho certo para os próximos níveis. Mas vamos continuar com o nosso aprendizado. Repita o mesmo com este homem que aí vem, e vamos ver como reage um homem do nível 5. O tapa estalou.

Nível 5

– Filho meu… Eu bem o mereci por não haver logo percebido que estavas necessitando de ajuda. Em que te posso ser útil?

– Não entendi… Afinal, dei-lhe um tapa. Não vai reagir?

– Na verdade, cada agressão é um pedido de ajuda. Em que te posso ajudar, filho meu?

– Estamos dando tapas nas pessoas que passam, para conhecermos suas reações. Não é nada pessoal…

– Então, é nisso que te posso ajudar? Ajudar-te-ei com muita satisfação pedindo-te perdão por não haver logo percebido que desejas aprender. É meritória tua ação, pois o saber é a coisa mais importante que um ser humano pode adquirir. Somente por meio do saber é que o homem se eleva. E se estás querendo aprender, só tenho elogios a te oferecer. Logo aprenderás a lição mais importante que é a de ajudar desinteressadamente as pessoas, assim como estou a fazer com vocês, neste momento. Ainda terás um longo caminho pela frente, mas se desejares, posso ser o teu guia nos passos iniciais e te poupar de muitos transtornos e dissabores. Sinto-me perfeitamente capaz de guiar-te nos primeiros passos e fazer-te chegar até onde me encontro. Daí para diante, faremos o restante do aprendizado juntos. O que achas da proposta? Aceitas-me como teu guia?

Instantaneamente, a cena se desfez e logo se viram em outro caminho, um pouco mais agradável do que os demais, e o Mestre assim se expressou:

– Quando um homem atinge o nível 5, começa a entender que a Humanidade, em geral, digamos, o homem comum, é como uma espécie de adolescente que ainda não conseguiu sequer se encontrar e, por esse motivo, como todo e qualquer bom adolescente, é muito inseguro e, devido a essa insegurança, não sabe como pedir ajuda e agride a todos para chamar atenção sobre si mesmo e pedir, então, de maneira velada e indireta, a ajuda de que necessita. O homem do nível 5 possui a sincera vontade de ajudar e de auxiliar a todos desinteressadamente, sem visar vantagens pessoais. É como se fosse uma Irmã Dulce, um Chico Xavier ou uma Madre Teresa de Calcutá da vida. Sabe ser humilde e reconhece que ainda tem muito a aprender para atingir níveis evolutivos mais elevados. E deseja partilhar gratuitamente seus conhecimentos com todos os seres humanos. Compreende que a imensa maioria dos seres humanos usa “muletas” diversas e procura ajudá-los, dando-lhes exatamente aquilo que lhe é pedido, de acordo com a “muleta” que estão usando ou com o que lhes é mais acessível no nível em que se encontram. A partir do nível 5, o ser humano adquire a faculdade de perceber em qual nível o seu interlocutor se encontra. Agora, dê um tapa nesse homem que aí vem. Vamos ver como reage o homem do nível 6.

Nível 6

E o buscador iniciou o ritual. Pediu ao homem que parasse e lançou a mão ao seu rosto. Jamais entenderá como o outro, com um movimento quase instantâneo, desviou-se e a sua mão atingiu apenas o vazio.

– Meu filho querido! Por que você queria ferir-se a si mesmo? Ainda não aprendeu que agredindo os outros você estará agredindo a si mesmo? Você ainda não conseguiu entender que a Humanidade é um organismo único e que cada um de nós é apenas uma pequena célula desse imenso organismo? Seria você capaz de provocar, deliberadamente, em seu corpo, um ferimento que vai doer muito e cuja cicatrização orgânica e psíquica vai demorar e causará muito sofrimento inútil?

– Mas estamos realizando um experimento para descobrir qual será a reação das pessoas a uma agressão gratuita.

– Por que você não aprende primeiro a amar? Por que, em vez de dar um tapa, não dá um beijo nas pessoas? Assim, em lugar de causar-lhes sofrimento, estará demonstrando Amor. E o Amor é a Energia mais poderosa e sublime do Universo. Se você aprender a lição do Amor, logo poderá ensinar Amor para todas as outras células da Humanidade, e tenho a mais concreta certeza de que, em muito pouco tempo, toda a Humanidade será um imenso organismo amoroso que distribuirá Amor por todo o planeta e daí, por extensão, emitirá vibrações de Amor para todo o Universo. Eu amo a todos como amo a mim mesmo. No instante em que você compreender isso, passará a amar a si mesmo e a todos os demais seres humanos da mesma maneira e terá aprendido a Regra de Ouro do Universo: – Tudo é Amor! A vida é Amor! Nós somos centelhas de Amor! E por tanto amar você, jamais poderia permitir que você se ferisse, agredindo a mim. Se você ama uma criança, jamais permitirá que ela se machuque ou se fira, porque ela ainda não entende que se agir de determinada maneira perigosa irá ferir-se e irá sofrer. Você a amparará, não é mesmo? Você deverá aprender, em primeiro lugar, a Lição do Amor, a viver o Amor em toda sua plenitude, pois o Amor é tudo e, se você está vivo, deve sua vida a um Ato de Amor. Pense nisso, medite muito sobre isso. Dê Amor gratuitamente. Ensine Amor com muito Amor e logo verá como tudo a seu redor vai ficar mais sublime, mais diáfano, pois você estará flutuando sob os influxos da Energia mais poderosa do Universo, que é o Amor. E sua vida será sublime…

Instantaneamente, tudo se desfez e se viram em outro ambiente, ainda mais lindo e repousante do que este último em que estiveram. Então o Mestre falou:

– Este é um dos níveis mais elevados a que pode chegar o Ser Humano em sua senda evolutiva, ainda na Matéria, no Planeta Terra. Um homem que conseguiu entender o que é o Amor, já é um Homem Sublime, Inefável e quase Inatingível pelas infelicidades humanas, pois já descobriu o Começo da Verdade, mas ainda não a conhece em toda sua Plenitude, o que só acontecerá quando atingir o nível 7. Logo você descobrirá isso. Dê um tapa nesse homem que aí vem chegando.

Nível 7

E o buscador pediu ao homem que parasse. Quando seus olhares se cruzaram, uma espécie de choque elétrico percorreu-lhe todo o corpo e uma sensação mesclada de amor, compaixão, amizade desinteressada, compreensão, de profundo conhecimento de tudo que se relaciona à vida e um enorme sentimento de extrema segurança encheram-lhe todo o seu ser.

– Bata nele! – ordenou o Mestre.

– Não posso, Mestre, não posso…

– Bata nele! Faça um grande esforço, mas terá que bater nele! Nosso aprendizado só estará completo se você bater nele! Faça um grande esforço e bata! Vamos! Agora!

– Não, Mestre. Sua simples presença já é suficiente para que eu consiga compreender a futilidade de lhe dar um tapa. Prefiro dar um tapa em mim mesmo. Nele, porém, jamais!

– Bate-me – disse o Homem com muita firmeza e suavidade – pois só assim aprenderás tua lição e saberás finalmente, porque ainda existem guerras na Humanidade.

– Não posso… Não posso… Não tem o menor sentido fazer isso…

– Então – tornou o Homem – já aprendeste tua lição. Quem, dentre todos em quem bateste, a ensinou para ti? Reflete um pouco e me responde.

– Acho que foram os três primeiros, do nível 1 ao nível 3. Os outros apenas a ilustraram e a complementaram. Agora, compreendo o quão atrasados eles estão e o quanto ainda terão que caminhar na senda evolutiva para entender esse fato. Sinto por eles uma compaixão muito profunda. Estão de “muletas” e não sabem disso. E o pior de tudo é que não conseguem perceber que é até muito simples e muito fácil abandoná-las e que, no preciso instante em que a s abandonarem, começarão a progredir. Era essa a lição que eu deveria aprender?

– Sim, filho meu. Essa é apenas uma das muitas facetas do Verdadeiro Aprendizado. Ainda terás muito que aprender, mas já aprendeste a primeira e a maior de todas as lições. Existe a Ignorância! – volveu o Homem com suavidade e convicção – Mas ainda existem outras coisas mais que deves ter aprendido. O que foi?

– Aprendi, também, que é meu dever ensiná-los para que entendam que a vida está muito além daquilo que eles julgam ser muito importante – as suas “muletas” – e também sua busca inútil e desenfreada por sexo, status social, riquezas e poder. Nos outros níveis, comecei a entender que para se ensinar alguma coisa para alguém é preciso que tenhamos aprendido aquilo que vamos ensinar. Mas isso é um processo demorado demais, pois todo mundo quer tudo às pressas, imediatamente…

– A Humanidade ainda é uma criança , mal acabou de nascer, mal acabou de aprender que pode caminhar por conta própria, sem engatinhar, sem precisar usar “muletas”. O grande erro é que nós queremos fazer tudo às pressas e medir tudo pela duração de nossas vidas individuais. O importante é que compreendamos que o tempo deve ser contado em termos cósmicos, universais. Se assim o fizermos, começaremos, então, a entender que o Universo é um organismo imenso, ainda relativamente novo e que também está fazendo seu aprendizado por intermédio de nós – seres vivos conscientes e inteligentes que habitamos planetas disseminados por todo o Espaço Cósmico. Nossa vida individual só terá importância, mesmo, se conseguirmos entender e vivenciar, este conhecimento, esta grande Verdade: – Somos todos uma imensa equipe energética atuando nos mais diversos níveis energéticos daquilo que é conhecido como Vida e Universo, que, no final das contas, é tudo a mesma coisa.

– Mas sendo assim, para eu aprender tudo de que necessito para poder ensinar aos meus irmãos, precisarei de muito mais que uma vida. Ser-me-ão concedidas mais outras vidas, além desta que agora estou vivendo?

– Mas ainda não conseguiste vislumbrar que só existe uma única Vida e tu já a estás vivendo há milhões e milhões de anos e ainda a viverás por mais outros tantos milhões, nos mais diversos níveis? Tu já foste energia pura, átomo, molécula, vírus, bactéria, enfim, todos os seres que já apareceram na escala biológica. E tu ainda és tudo isso. Compreende, filho meu, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.

– Mas mesmo assim, então, não terei tempo, neste momento atual de minha manifestação no Universo, de aprender tudo o que é necessário ensinar aos meus irmãos que ainda se encontram nos níveis 1, 2 e 3.

– E quem o terá jamais, algum dia? Mas isso não tem a menor importância, pois tu já estás a ensinar o que aprendeste, nesta breve jornada mental. Já aprendeste que existem 7 níveis evolutivos possíveis aos seres humanos, aqui, agora, neste Planeta Terra. O Autor deste conto conseguiu transmiti-lo, há alguns milênios, através da Tradição Oral, durante muitas e muitas gerações. O Autor deste trabalho, ao ler esse conto, há muitos anos atrás, também aprendeu a mesma lição e agora a está transmitindo para todos aqueles que vierem a lê-lo e, no final, alguns desses leitores, um dia, ensinarão essa mesma lição a outros irmãos humanos. Compreendes, agora, que não será necessário mais do que uma única vida como um ser humano, neste Planeta Terra, para que aprendas tudo e que possas transmitir esse conhecimento a todos os seres humanos, nos próximos milênios vindouros? É só uma questão de tempo, não concordas, filho meu?

Conclusão

Agora, se quem deste aprendizado tomar conhecimento e, assim mesmo, não desejar progredir, não quiser deixar de lado as “muletas” que está usando ou não quiser aceitar essa verdade tão cristalina, o problema e a responsabilidade já não serão mais teus. Tu e todos os demais que estão transmitindo esse conhecimento já cumpriram as suas partes. Que os outros, os que dele estão tomando conhecimento, cumpram as suas. Para isso são livres e possuem o discernimento e o livre-arbítrio suficientes para fazer suas escolhas e nada tens com isso. Entendeste, filho meu?

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O Caminho do Determinado é Obscurecido pela Inveja dos Medíocres

Determinação é uma forte inclinação ou desejo de alcançar algo ou de realizar alguma coisa. A pessoa determinada tem metas claras e definidas e uma convicção plena de que irá alcançá-las – é daí que vem sua motivação. O caminho que nos leva de onde estamos para onde queremos chegar é construído por conquistas menores que vão se acumulando para pavimentar com materiais cada vez mais nobres a estrada à nossa frente. Claro, temos que saber para onde estamos indo e onde estamos pisando para escolher o melhor caminho, caso contrário vale a resposta que o gato deu para a Alice em Alice no País das Maravilhas:

Se não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve.

Como são inoportunas as pessoas que nos elogiam no momento errado ou da forma errada dizendo que temos jeito para alguma coisa, como matemática e música, por exemplo. Uma coisa é elogiar uma criança que mostre determinadas habilidades em seus primeiros anos de vida; outra, completamente diferente, é elogiar um adulto que já acumula algumas dezenas de carnavais. Essas pessoas não percebem que esse “jeito”, essa “habilidade”, esse “nasceu pra isso” na verdade é o resultado do esforço, das muitas horas de estudo, das poucas horas de sono, de querer atingir a excelência passando pela superação das nossas limitações. Algo que parece um elogio sincero revela a inveja de quem quer o que nós conquistamos, mas sem o sofrimento que tivemos que digerir como pagamento pelo sucesso.

A inveja é a homenagem que o medíocre presta ao mérito. José Ingenieros

Algumas pessoas chegam ao cúmulo de alegar que as habilidades de alguém que se destaca são provenientes de ação divina. Não nego os benefícios da estimulação de uma força interior – – para a organização de um estado mental positivo mesmo entre aqueles que são referências em suas áreas de atuação, como o ex-jogador de basquete Oscar Schmidt.

Oscar Schmidt é considerado um dos maiores jogadores de basquete de todos os tempos. Ele é o maior pontuador da história contabilizando incríveis 49.737 pontos em sua carreira. Sua maior realização profissional foi no Pan de 1987, quando conquistou o ouro derrotando o poderoso time norte-americano. Muitos jornalistas e locutores esportivos, como o famoso, o “maior”, o “sábio”, o “poliglota”, o “físico”, o “místico” e o “mito”, Galvão Bueno, o chamavam de “Mão Santa” devido à sua precisão nos arremessos e pela quantidade de pontos que fazia em uma partida. Sem dúvida, Oscar era literalmente um gigante em quadra, mas isso era o resultado de treinos exaustivos; de muita dedicação: depois de cada treino, ele fazia 1000 arremessos e foi assim durante toda sua carreira. Por isso, ele se dizia, de forma muito pertinente, um “Mão Treinada”.

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Figura 1 – O “Mão Santa”

Determinação exige vontade e coragem. Sendo assim, se você quer fazer alguma coisa, corra atrás e faça. Não desista quando vierem os primeiros obstáculos e não dê atenção às pessoas que se aproximam de você depois de algumas pequenas conquistas para tentar utilizá-lo como trampolim para alcançar as próprias ambições. A hipocrisia é mais uma característica daquele mesmo invejoso que não quer o seu bem: sempre que aparecer uma oportunidade, ele fará insinuações maliciosas e agirá de forma a te impedir de seguir adiante em seu caminho de conquistas para que você se sinta tão infeliz quanto ele, pois a felicidade dele é condicionada às suas derrotas.

A hipocrisia é uma homenagem que o vício presta à virtude. François de La Rochefoucauld

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Figura 2 – O Hipócrita Invejoso

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Pelo Fim do Coitadismo Organizado

Chamo de “coitadismo organizado” o conjunto de todos os grupos que se aproveitam de uma característica étnica ou social em comum para outorgar a si mesmos o direito de imporem suas vontades sobre a maioria das pessoas – que podem ou não possuir essas mesmas características – através do discurso de vitimização que na verdade carrega ódio e um profundo desprezo pelas Leis e pelas diferenças entre os seres humanos e que acaba culminando em autoritarismo. O coitadismo não é privilégio dos movimentos afro-descendentes. Ele também se manifesta nos movimentos feministas – chamadas vulgarmente de feminazis -, ciclistas urbanos – em particular, os ciclofascistas de São Paulo que ganharam força na gestão do prefeito petista Fernando Haddad -, grupos homossexuais e ativistas verdes e vermelhos em geral, mas aqui vou focar nos movimentos afro-descendentes por causa de uma entrevista muito interessante que assisti.

Antes de continuar, nesse artigo utilizarei o termo “afro-descendente” no lugar de “negro” não por causa do politicamente correto, que é uma das coisas que está destruindo nossa sociedade e está comprometendo nosso futuro, mas sim por causa de uma observação muito coerente de Carl Sagan na página 56 do livro Bilhões e Bilhões. Ele explicou que a melanina, pigmento responsável pelo que interpretamos como cor da pele, absorve a maior parte da luz visível – apenas uma parte da frequência de ondas de luz visível e adjascentes são refletidas por ela -, o que permite que reações eletro-químicas em nossos olhos as captem. Portanto, na maior parte do espectro de cores, todos os humanos são negros. Para a ciência, a vida começou na África. Sendo assim, pensando bem, além de negros somos todos afro-descendentes. Percebeu que temos que forçar muito a imaginação e utilizar desonestidade intelectual para estabelecer um critério que diferencie um ser humano de outro?

Um entrevistador americano afro-descendente perguntou a dois representantes de algum movimento relacionado aos direitos dos afro-descendentes “o que vocês querem?”. Os entrevistados ficaram perdidos com a pergunta, pois não esperavam ouvi-la de um “igual”, mas o entrevistador explicou que “vocês” significa aquelas pessoas que só reclamam, que culpam os outros pelo fracasso dos pais e pelos próprios fracassos. Entendendo a limitação intelectual e a faísca de fanatismo dos entrevistados, o entrevistador foi mais específico: “o que vocês querem que os brancos façam?” Os entrevistados, sem aceitar que o entrevistador afro-descendente se excluísse daquele grupo étnico ali supostamente representado, questionaram as motivações e intenções do entrevistador. O entrevistador disse que no mundo há duas realidades: o bem e o mal. Ele se via entre os bons, representados por afro-descendentes, asiáticos e etc. Os mals seriam os próprios entrevistados, que culpam os outros pelos próprios insucessos e disseminam o ódio por onde passam.

Em 1981, Thomas Sowell, economista americano, debateu com uma feminista a suposta diferença entre mulheres e homens no mercado de trabalho. O Dr. Sowell desconstruiu totalmente os mitos a respeito do machismo e do feminismo propagados pela mídia, pelas universidades e por governos progressistas. Tudo que ele disse continua válido, mas mais do que desmontar as falácias feministas em particular e as falácias socialistas em geral, chamo a atenção para a atuação brilhante de uma pessoa afro-descendente que não age como coitada e oprimida e que argumenta utilizando números reais, fatos, e não dados cujo contexto tenha sido suprimido para poderem ser “entortados” até se adaptarem à visão de mundo daquela feminista.

Outro afro-descendente que está causando dores de cabeça aos movimentos coletivistas é o vereador paulistano Fernando Holiday, do MBL (Movimento Brasil Livre). Ele é afro-descendente, homossexual e pobre, mas defende o liberalismo, o que vai contra a cartilha dos movimentos sociais e até do politicamente correto. Por isso, a alta nobreza coletivista o trata como traidor quando ele, dentre outras coisas, defende o fim das cotas raciais, que acabam humilhando os beneficiários aos invés de ajudá-los. Nas palavras de Holiday:

Não estou fazendo nada mais que trazer as ideias para dentro da Câmara. Uma das minhas propostas, não a principal, mas uma das que pretendo propor ao longo do próximo ano (2017), é a revogação das cotas raciais nos concursos públicos municipais. Acredito que acaba incentivando o racismo. (…) Acredito que é uma medida prejudicial para o estado de São Paulo e prejudicial, inclusive, para os próprios afro-descendentes.

As pessoas devem conseguir empregos e vagas em universidade por méritos próprios que só são adquiridos com muito esforço. Chega de choro, gritaria, pancadaria e quebra-quebra para conseguir que as coisas mudem. Vamos debater idéias. Movimentos sociais, que seriam melhor descritos como movimentos parciais, vão continuar se proliferando e fazendo pressão para adquirir privilégios e poder para seus líderes e para os partidos que apoiam utilizando a retórica do oprimido. Eles não querem enxergar que a única minoria que tem credibilidade é o indivíduo: é ele quem trabalha, é ele quem estuda, é ele quem compra casa e é ele quem vota.

Alguns coletivos, como por exemplo aqueles formados por afro-descentes, cobram da sociedade uma suposta “dívida histórica”. Nesse caso, deve-se refletir sobre como o racismo se manifesta e qual seria a maneira correta de lidar com ele, pois o racista também é o populista, que trata o afro-descendente como um imbecil que deve ser tutelado pelo Estado. Preste atenção nas falas dos políticos em campanha eleitoral e perceba nuances de totalitalitarismo que estimulam a luta de classes e o racismo.

Os membros dos coletivos devem se informar, devem ter a mente aberta e acessar boas fontes de informação para criarem uma boa base para debates. Se a esquerda aceitasse sugestões, pois monopoliza a verdade e todas as virtudes, eu diria para preferirem buscar informações nos livros. Sei que no começo é difícil, mas depois de alguns livros com ilustrações de bichinhos, palhaços alegres e sóis sorridentes, eles estarão preparados para ler coisas mais sérias, como O Segredo, Cinquenta Tons de Cinza, Crepúsculo e outras maravilhas modernas que explicam porque caçar Pokémon é mais interessante para os adolescentes. Ler é uma tarefa difícil para quem não tem esse costume, mas nunca é tarde para começar.

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Liderança – Correntes de pensamento

O site Administradores.com divulgou um pequeno estudo agrupando os estilos de liderança em quatro correntes: centrada no líder, centrada nos liderados, centrada na situação e integradora.

Corrente Centrada no Líder

Esta corrente diz que a liderança é uma qualidade intrínseca do líder, desprezando a influência dos liderados e do meio. Enfatiza que a liderança é nata, e que não pode ser aprendida. Concluiu afirmando que o líder é um ser predestinado.

Corrente Centrada nos Liderados

A corrente nega que a liderança seja nata. Afirma que o líder é produto do grupo e que representa e sintetiza, em um determinado momento, o ideal dos integrantes daquela coletividade. O ser humano quando em grupo precisa de um guia, de um líder, e o grupo atribui a um indivíduo experiente essa liderança.

Corrente Centrada na Situação

Esta corrente defende que a necessidade faz o líder. Ou seja, o líder brotará no seio de um grupo quando a situação conjuntural do ambiente em que esse grupo está assim o exigir.

Corrente Integradora

Não atribui o surgimento da liderança, a qualquer fatalidade, seja oriunda de ocorrências fortuitas da dinâmica grupal, seja por coincidências ligadas às características especiais do líder. A liderança é resultado de uma interação: o “líder” precisa ter competências natas, os liderados precisam querer ter um líder e a situação deve favorecer a atuação do líder.