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A Crítica Velada ao Capitalismo Inserida nos Filmes de Animação

À medida que envelhecemos, nos tornamos cada vez mais críticos – alguns diriam chatos. É cada vez mais difícil assistir a um vídeo ou ler algum artigo sem tecer várias cíticas e fazer vários comentários. Na verdade, essa “chatice” é o efeito dos anos de conhecimentos acumulados, das experiências boas e das experiências ruins que vão deixando nossa personalidade cada vez mais calejada.

Você notou a dificuldade que os estúdios têm em contar uma história sem colocar, de alguma forma, o bem contra o mal de forma caricata? Em quaisquer adaptações de Os Três Mosqueteiros para o cinema, para televisão ou para o teatro, vemos os quatro amigos (Athos, Porthos, Aramis e D’Artagnan) realizando atos ousados e muitas lutas de espada para derrotar o malvado Cardeal Richelieu, que quer tomar o lugar do rei da França, Luís XIII. Quando li o livro de Alexandre Dumas, fiquei espantado ao ver os atos maldosos dos próprios mosqueteiros muitas vezes apenas para benefício próprio. Me surpreendeu também ver um Cardeal Richelieu que realmente mantinha um bom relacionamento com o rei e termina a história como amigo – ou muito próximo disso – de D’Artagnan! Se pedissem que um diretor e um roteirista de Hollywood adaptassem essa parte do livro para o cinema, transformariam o Cardeal Richelieu no Senador Palpatine e o D’Artagnan no Anakin Skywalker.

Nas telas e até no teatro, abusa-se do clichê da personificação do mal, como descrevi brevemente no artigo sobre o ótimo filme Perdido em Marte: de um lado o mal, seus vilões e suas maldades e do outro o bem, seus heróis e seus atos muitas vezes recheados de maldade em prol de uma causa maior que si mesmos. A personificação do bem nos leva a gostar de ladrões como Robin Hood e dos terroristas rebeldes do Star Wars.

Os estúdios cinematográficos não se dão bem quando o inimigo não é retratado como uma pessoa ou algum tipo de entidade, alienígena ou monstro, pois em prol dos efeitos visuais (gourmetização do cinema), peca-se ao construir as personagens. Não se constroem personagens convincentes para o universo da trama pensando em relações do tipo oito ou oitenta – se não é bom, é mal. O mal verdadeiro e o bem em estado puro não existem. Falta preocupação com aspectos psicológicos dos personagens, coerência, conflitos internos, externos e abstratos. Criam-se personagens ocos, rasos e sem graça interpretadas ou dubladas por atores em geral péssimos, mas instantaneamente sabemos quem é o mocinho e quem é o bandido. Tintin, criado por Hergé em 1929, virou desenho e fez bastante sucesso no Brasil. Ali vemos personagens inesquecíveis como o grosseiro Capitão Haddock, os atrapalhados detetives Dupond e Dupont, o sonhador e muito inteligente Professor Girassol, o General Alcazar e suas peripécias ditatoriais e o senhor Rastapopoulos.

É relativamente fácil identificar mocinhos e bandidos em histórias de capa e espada como em Os Três Mosqueteiros. A ditadura do politicamente correto, efeito colateral do marxismo cultural, faz pressão para que se desenvolvam enredos que bombardeiam o público com mensagens socialistas. Nesse artigo, tratarei da crítica velada ao capitalismo que está inserida em muitos filmes de animação. Originalmente, o título desse artigo iria ser Frozen: Uma Crítica Congelante, pois tive a inspiração para o artigo depois de assistir algumas vezes à esse filme com a minha filha – curioso como as crianças pequenas assistem certas coisas à exaustão! O problema é que naquela e em algumas outras animações o que fica marcante não é exatamente a crítica ao capitalismo, mas sim um jeito muito particular de entender o mercado. Em alguns casos, vê-se uma suposta falta de entendimento do que é uma sociedade de mercado e de como funciona a economia na época histórica em que a animação se passa.

A Crítica ao Capitalismo e a Suposta Falta de Conhecimento do Funcionamento do Mercado

O filme Frozen fez bastante sucesso e causou algum impacto na cultura pop. Esse filme foi inspirado bem vagamente no conto A Rainha da Neve, de Hans Christian Andersen. A única coisa que gostei nessa animação foi a cena inicial dos trabalhadores cortando gelo. Até então, eu nunca tinha visto uma representação gráfica de gelo tão convincente. O resto do filme é isso aí: resto. O semi vilão, ou vilão meia boca, Duque de Weselton, aproveita a oportunidade da coroação da rainha Elsa e posteriormente o exílio dela para tentar aumentar ou até monopolizar o comércio com o reino de Arendel. Note quem é o capitalista aí: uma figura patética, franzina e de maneiras ridículas. Para transformar a aventura comercial do duque em desventura para toda uma nação (Weselton), a rainha Elsa, por motivos pessoais, bane o duque e encerra os acordos comerciais com Weselton, o que inevitavelmente prejudicará os dois reinos. Em caso de necessidade, a poderosa rainha da neve pode alimentar toda a população à base de flocos de neve.

Figura 1 – Duque de Weselton

O desfecho de Frozen me incomodou tanto ou mais do que o caso do Duque de Weselton. Por trás do mundo mágico, o reino de Arendel era dependente do abastecimento de gelo, feito por moradores das montanhas que cortavam e extraiam blocos de lagos congelados e os transportavam para a cidade durante a noite. Vê-se aí algum tipo de comércio, que envolvia dinheiro ou outro tipo de troca voluntária, pois aparentemente eram trabalhadores e não escravos. No final, a princesa Ana concede à Kristoff, seu namorado ou algo assim, o monopólio da entrega de gelo ao reino. E os outros trabalhadores? Só Kristoff estaria autorizado a fornecer gelo, mas em pouco tempo ele passaria a ser o atravessador e lucraria sem esforço. Olaf, o boneco de neve feliz, ficou contente em receber um ar condicionado pessoal, mas para coroar a saga de um personagem tão rocambolesco, ele poderia ter sido nomeado algo como Ministro do Abraço Quentinho. Curiosamente, a Disney conseguiu emplacar mais duas princesas no mesmo filme, o que se traduz como merchandising. Sendo assim, a visão capitalista dos produtores é bem mais aguçada que a de seus personagens, pois os pais terão que ir com alguma urgência e talvez até com alguma frequência às lojas de brinquedo, mas não sem antes cantarem “let it go, let it go…”.

A Pequena Sereia foi baseada em um conto de Hans Christian Andersen e é uma animação bem “água com açúcar” do final dos anos 80, mas ela já apresenta o novo conceito artístico da Disney, que se consolidaria nos anos 90 com o Rei Leão, Aladin, Pokahontas, a Bela e a Fera e outros. Esse filme ganhou o Oscar de melhor canção daquele ano, com a ainda muito conhecida música Aqui no Mar (Under The Sea):

(…)
Onde eu nasci, onde eu cresci
É mais molhado
Eu sou vidrado por tudo aqui
Lá se trabalha o dia inteiro
Lá são escravos do dinheiro
A vida é boa, eu vivo à toa
Onde eu nasci
(…)

Nessa tradução, entende-se que aqui (no mar) é melhor do que lá (no mundo terrestre regido pelo capitalismo) por que lá todos são dependentes do dinheiro e portanto escravos daqueles que detém o capital e os meios de produção – é a tal luta de classes, uma visão bem esquerdista à moda antiga. Tomei o cuidado de procurar esse trecho da música na versão original:

(…)
Under the sea
Under the sea
Darlin’, it’s better down where it’s wetter
Take it from me
Up on the shore they work all day
Out in the sun they slave away
While we devotin’ full time to floatin’
Under the sea
(…)

No original a crítica é um pouco mais sutil, mas o sentido é o mesmo: se fala em trabalhar o dia inteiro e escravizar, mas não diretamente no dinheiro, o que acaba não fazendo muita diferença. Nota-se no original e na “adaptação” o viés dos estúdios de animação: embutiram uma visão nefasta de mundo em uma música destinada ao público infantil e depois da estréia e do sucesso foram comemorar em um restaurante chique comendo caranguejos cantores – up on the shore they eat all night.

Em um trecho do filme Aladin, um dos primeiros a misturar a animação tradicional e os efeitos de computador, há uma cena que deve ser analisada por outro ponto de vista. A princesa Jasmine se disfarça de plebeia e foge do palácio para visitar a periferia da agitada cidade de Agrabah. Nota-se a felicidade da princesa, que nunca havia saído de sua torre de marfim, ao ver tanta gente, tantas cores e cheiros diferentes. É muito parecido com aqueles ricos estrangeiros que pagam para se hospedar em favelas brasileiras. Isso me lembra uma frase do carnavalesco Joãosinho Trinta:

O povo gosta de luxo. Quem gosta de miséria é intelectual.​

Voltando ao ponto, Jasmine se compadece de uma criança que tentava pegar uma maça em uma banca de frutas. A princesa pega a maçã e a entrega para a criança. O vendedor exigiu o pagamento, mas como ela não tinha dinheiro, o vendedor a ameaçou. E é nesse momento que chega Aladdin, o Robin Hood árabe, para salvar a princesa da opressão do malvado vendedor de frutas. Trancada em seu palácio por toda a vida e tendo todos os seus desejos prontamente atendidos, a princesa não sabia o porquê de pagar por algo. Porém, note o estereótipo do varejista: grande, forte e com cara feia – uma aparência ameaçadora que não combina com alguém que sobrevive do comércio, ou, em outras palavras, alguém que precisa interagir com outras pessoas para vender ou trocar coisas e sobreviver.

Pokahontas é um bom filme de animação, mas ficou ofuscado pelo famosíssimo O Rei Leão, que foi uma espécie de plano “B” da Disney caso Pokahontas não alcançasse o sucesso desejado. Na história, o governador Ratclife, o malvadão, líder da expedição do John Smith, um dos bonzinhos, travou uma guerra contra os nativos supondo que escondiam algum tesouro. Na verdade, esse tipo particular de embate entre europeus e nativos por ouro foi mais característico da América Latina do que da América Anglo-Saxônica, como no caso da destruição do império de Montezuma II (Astecas) por Hernan Cortez. É complicado julgarmos o passado com os valores do presente. Vivia-se a era das grandes navegações e o início do mercantilismo. Habitamos o mundo que essas pessoas e essa mentalidade econômica ajudaram a construir. Não podemos apagar o passado e nem sentir raiva dos conquistadores, homens de sua época, e nem pena dos nativos, que não eram tão bonzinhos quanto acreditava Rousseau.

Mesmo na ótima série animada Star Wars The Clone Wars, o dinheiro auxilia o lado sombrio da Força. O “mal” é materializado nos Lords Sith e ocasionalmente nos caçadores de recompensa e outras figuras pontuais, mas isso em si já é um problema para os mais jovens, pois caracterizar e caricaturar perfis diametralmente opostos implica que os maus só fazem o mal e os bons só fazem o bem não importando os meios, mas todos sabem que não é bem assim que ocorre nessa saga. A forma de se fazer algo importa bastante, pois os meios é que justificam os fins. O cúmulo dessa distopia ocorre após a era dos Jedi, quando o foco muda para os rebeldes, que passam a representar o “bem” matando Stormtroopers, roubando equipamentos do Império e realizando todo o tipo de ataque para atingirem seus objetivos, o que não passa de anomia.

No universo de Star Wars, onde quer que se fale em dinheiro a maldade se apresenta: a nefasta Federação do Comércio é aliada dos Separatistas, o Clã Bancário é corrupto e nas entranhas da República a corrupção e interesses econômicos movem boa parte das decisões. E em que isso difere do mundo real? Em nosso mundo temos mecanismos legais para apurar e punir corruptos, mas no mundo de George Lucas, mesmo as forças sobrenaturais dos Jedi auxiliando o poderoso Senado Galático não são capazes de vencer o poder econômico de seus inimigos internos e externos. São os malvadões capitalistas, atuando nas sombras, que determinam os destinos dos planetas.

Figura 2 – um membro do Clã Bancário

A Verdade Sobre o Capitalismo

O Capitalismo é definido como um sistema econômico baseado na legitimidade dos bens privados e na irrestrita liberdade de comércio e indústria com o principal objetivo de adquirir lucro. O capitalismo permite que o capital seja acumulado nas mãos de umas poucas pessoas e permite também que haja fome e miséria, mas economia não é o jogo de soma zero que Marx propunha e é sim possível fazer uma defesa estritamente moral do capitalismo. A democracia permite a ditadura da maioria, mas por outro lado ela mitiga a acumulação de poder nas mãos de uma pessoa ou de uns poucos iluminados porque apresenta o mecanismo de pesos e contrapesos. O liberalismo pode ser confundido com anarquismo em uma sociedade despreparada. Porém, capitalismo, democracia e liberalismo são os melhores sistemas que a humanidade conhece para erradicar a miséria e criar uma sociedade voltada para o progresso.

O capitalismo estimula o individualismo: cada um, preocupado com seus próprios interesses, contribui para a melhoria da sociedade – foi isso que Adam Smith constatou. Nessa busca pelo que é melhor para si mesmos, o empreendedorismo e a produção intelectual e científica são estimuladas como forma de conseguir vantagens competitivas. Como efeito colateral, a tecnologia evolui e cada vez menos pessoas são necessárias para produzir mais. Isso não é desemprego, mas sim substituição de empregos obsoletos por empregos melhores e nessa caminhada as pessoas são obrigadas a estudar, se aperfeiçoar e buscar a excelência. O capitalismo tira o homem de sua condição natural: a miséria.

A Verdade Sobre A Crítica ao Capitalismo

A crítica que a Disney e outros estúdios de animação inserem em suas produções são parte de uma estratégia gramsciana de ocupação do Estado através da infiltração nos órgãos culturais – marxismo cultural. Antonio Gramsci foi uma das poucas pessoas na história que realmente entendeu Maquiável de acordo com o professor Olavo de Carvalho: ele percebeu que uma pessoa sozinha não poderia fazer tudo que se esperaria de um “príncipe”. Portanto, era necessário um grupo bem articulado e um projeto de longo prazo para aos poucos ocupar os espaços e destruir de dentro para fora os valores da sociedade utilizando todos os mecanismo que ela dispõe contra ela mesma.

Conclusão

O final do terceiro filme da franquia Toy Story com certeza causou algum tipo de emoção em quem assistiu ao primeiro filme em outro momento da vida. Esse terceiro filme nos fez relembrar o momento em que deixamos a infância de lado e trocamos nossos brinquedos pelas responsabilidades da vida adulta. Se você era jovem quando assistiu ao primeiro filme no cinema, tenho certeza de que o terceiro filme te fez lembrar de algum brinquedo mais estimado que você tinha.

Para minha surpresa, a Disney lançou, em 2009, uma animação que valoriza o trabalho e trata como justo o acúmulo de capital: A Princesa e o Sapo, que foi inspirado no conto O Príncipe Sapo, dos Irmãos Grimm. Esse desenho, como era de se esperar, tem polarização do bem e do mal e outros clichês, mas dessa vez a personagem principal é uma trabalhadora esforçada e honesta que poupa cada centavo conquistado para um dia poder abrir seu próprio restaurante em Nova Orleans seguindo os valores e os sonhos do seu finado pai. Para se manter focada em seu objetivo, ela cantava “estou quase lá”. Inclusive foi esse “mantra” que a libertou das garras do Homem das Sombras.

Continue ensinando os valores do trabalho, do estudo e a importância da família para seus filhos. Continue assistindo animações e permita que seus filhos também assistam – não seja um adulto chato. Porém, nunca se deixe influenciar por mensagens subliminares e nem por propagandas esquerdistas travestidas de produções infanto-juvenis. Robin Hood e Aladdin eram ladrões independente dos fins e, se realmente tivessem existido, deveriam ser punidos de acordo com as leis de suas pátrias. Nem todo capitalista é mau, assim como nem todo o ladrão que tira dos ricos é bom – o fato de roubar, independente do motivo, já é meio caminho andado na direção errada. Capitalistas geram emprego e os ladrões roubam até dos pobres mesmo quando seus alvos principais são os ricos.

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Ser de Esquerda e Seres de Esquerda

Quem espera que o diabo ande pelo mundo com chifres será sempre sua presa.

Arthur Schopenhauer

Leio em vários lugares e assisto em muitos vídeos as opiniões de filósofos e auto intitulados “especialistas” sobre o que ocorre com nossa sociedade: quais as raízes do problema, para onde estamos indo, quais são as alternativas e quais são as possíveis consequências de cada uma das nossas escolhas, etc. Tanto os que têm um claro viés ideológico mais a esquerda quanto os que se vendem como isentões pregam que o caminho para o entendimento é o diálogo ou jogam os holofotes sobre pessoas ou grupos dos quais discordam para tirar o foco do problema ou simplesmente para proteger os bandidos de coração. Hoje, não sobra muito espaço na grande mídia para as opiniões de quem não faz parte do mainstream.

Sinceramente, acho que o tempo de diálogo com essa gente já passou. Esquerdistas odeiam quem não cultua os mesmos deuses e não têm as mesmas crenças deles – sim, socialismo é uma religião e seus adeptos são fanáticos. Não devemos tolerar os intolerantes, pois nós, que trabalhamos, estudamos, pagamos nossas contas e educamos filhos com esses valores para serem cidadãos honestos temos naturalmente um pensamento mais alinhado com o capitalismo (lucro, comércio e propriedade privada), com a democracia (soberania da maioria), com o legalismo (império das leis) e com o liberalismo (liberdade individual) não podemos ceder espaço à patrulha politicamente correta, ao monopólio das virtudes e às falácias de sempre – estado babá, estado empresário, estado assistencialista, doutrinação escolar, sindicalismo, coitadismo, fins nobres (ainda que com meios reprováveis), etc.

Figura 1 – Lobo em pele de cordeiro: um típico esquerdista

Para verificar o nível de psicopatia de um esquerdista, preste atenção no quanto ele quer matar quem se opõe ao que ele acredita. Esse “matar” pode ser simbólico ou real, mas mesmo aí há vários níveis de morte. Os liberais respeitam o contraditório. O contraditório é importantíssimo para a evolução do conhecimento e da sociedade, mas assim como os fanáticos de seitas religiosas, os esquerdistas/socialistas/comunistas já detém a verdade e têm a missão de impô-la ao resto dos meros mortais não importando que esse resto seja a maioria. Charles Chaplin descobriu um caminho para fazer ditadores rangerem os dentes: a comédia. Assista ao filme O Grande Ditador para entender o funcionamento dessa “poderosa arma”. Quer sacanear um esquerdista que leu dois livros na vida e já se acha intelectual? O professor Pondé deu algumas dicas.

Movimentos como o MBL (Movimento Brasil Livre) estão na vanguarda da insatisfação popular com o status quo. Seus membros têm uma mistura muito interessante de perfis aguerridos com boa formação em escolas econômicas como a Escola Austríaca (Mises, Hayek, etc) e a Escola de Chicago (Milton Friedman e outros) além de admirável inteligência e eloquência. Essas são as pessoas ideias para combater as mentiras plantadas e cultivadas pelo PT (Partido dos Trabalhadores) e por suas linhas auxiliares, como o PSOL (Partido Socialismo e Liberdade ) e a UNE (União Nacional dos Estudantes) e tudo aquilo de mais podre e retrógrado que eles representam. O MBL é importante nesse período de transição marcado pela guerra contra a corrupção e combate as idéias esquerdistas por meio do esclarecimento da população, que aos poucos está saindo da letargia, mas acho que no futuro essas pessoas, que hoje admiro, não serão mais necessárias. O Brasil do meu futuro utópico é pacífico, é livre de intervenções, tem povo culto, é tecnologicamente adiantado, aberto ao comércio internacional e imune ao messianismo de esquerda.

O Rodrigo Constantino apresentou algumas incoerências da esquerda quando o assunto é cultura e crianças – seus exemplos foram fortemente influenciados por aquela horrorosa exposição chamada Queermuseu, que foi patrocinada pelo Santander e pela Lei Rouanet, uma abominação autoritária que nos obriga a pagar pelo lixo – algumas vezes literal – produzido por supostos artistas. Para ele, “ser de esquerda é um tipo de doença mental, misturada com muita hipocrisia e perversão”. Acho que essa incoerência é fruto do duplipensamento, termo apresentado por George Orwell em sua distopia 1984, que apresenta uma visão de futuro onde o Comunismo venceu. O livro Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, chegou mais perto de acertar, mas tanto Huxley quanto Orwell fizeram previsões assustadoras.

Ser de Esquerda É…

por Rodrigo Constantino

  • Ser de esquerda é condenar o McLanche Feliz por “abusar” das crianças casando brinquedo com comida enquanto aplaude a mostra “cultural” de um banco estrangeiro com pedofilia e zoofilia voltada ao público infantil.
  • Ser de esquerda é boicotar um festival de cinema nacional por ter, entre dezenas de filmes, um sobre o Plano Real e outro sobre Olavo de Carvalho, e depois chamar de censura nazista o boicote a uma mostra “cultural” de um banco estrangeiro com pedofilia e zoofilia para crianças, com uso de verba pública.
  • Ser de esquerda é protestar contra a venda de hamburger e hot dog nas lanchonetes das escolas, e depois defender uma mostra “cultural” de um banco estrangeiro com pedofilia e zoofilia voltada ao público infantil, com uso de recursos públicos.
  • Ser de esquerda é ser histérico com a quantidade de sal, gordura e fritura ingerida pelas crianças, usando o aparato coercitivo do estado para patrulhar o estômago alheio, enquanto defende “arte” com pedofilia para o público infantil.
  • Ser de esquerda é censurar os filmes antigos por conterem cenas de gente fumando cigarro, enquanto aplaude manifestações com maconha influenciando crianças.
  • Ser de esquerda é condenar Shakespeare por ser ícone de uma cultura machista e patriarcal, retirar livros de Monteiro Lobato das escolas por serem racistas, e depois enaltecer a “arte” com pedofilia e zoofilia.
  • Ser de esquerda é achar normal retratar Jesus como “trans” ou enfiar um crucifixo no ânus em praça pública na frente de senhoras e crianças, mas chamar de “islamofobia” uma charge de Maomé com uma bomba no turbante, alegando que tal ofensa até justifica a resposta terrorista.
  • Ser de esquerda é fazer coro ao curador ligado ao PSOL contra a “censura” enquanto defende o regime “democrático” da Venezuela e de Cuba.
  • Ser de esquerda é caçar o chef que caçou uma ovelha em seu programa para matá-la e comê-la, pois bichos devem ser poupados e, claro, brotam direto das prateleiras dos supermercados em fatias congeladas, enquanto não acha nada demais os bichos retratados como objetos sexuais de gente doente.
  • Ser de esquerda é simular uma revolta ética contra a corrupção somente quando o PT já saiu do poder e não ligar para a corrupção de menores promovida pelos doutrinadores disfarçados de professores nas escolas.
  • Ser de esquerda é achar que videogames de luta estimulam a violência nas crianças enquanto a narrativa de que marginais são “vítimas da sociedade” e as leis do ECA que tornam marmanjos criminosos inimputáveis são bons métodos para conter a violência.
  • Ser de esquerda é ficar horrorizado com meninos brincando com armas de brinquedo, enquanto acha lindo dar bonecas e colocar roupas de princesas no garotinho de “gênero fluido”.
  • Ser de esquerda é se revoltar com uma empresa de chocolate que fez ovos de Páscoa com apelidos por considerar isso bullying, enquanto festeja uma exposição “artística” com imagens de sexo entre adolescentes, com um rapaz negro fazendo sexo oral num branco e recebendo sexo anal de outro branco, simultaneamente.
  • Ser de esquerda é aplaudir o esforço do Instituto Alana, da herdeira do Banco Itaú, em acabar com a publicidade infantil em nome do combate ao consumismo capitalista e da proteção da criança, enquanto escreve textão no Facebook contra a “censura” a um espetáculo com pedofilia que recebeu visitas de crianças.
  • Ser de esquerda é negar o fato histórico de que comunistas comeram crianças, enquanto promove “arte” em que crianças são, de fato, “comidas” por adultos pervertidos.
  • Ser de esquerda é se preocupar mais com a vida do ovo da tartaruga do que com o ovo humano no ventre da mãe, mas achar o máximo uma “obra de arte” em que um animal é “carcado” por seres humanos.
  • Ser de esquerda é fazer a campanha do “Criança Esperança” enquanto prega o aborto, defende ideologia de gênero nas escolas, e vibra com a “arte” subversiva que transforma crianças em objetos sexuais de adultos perturbados.

Uma Teoria Bovina Sobre Governos

O Instituto Mises publicou um artigo que explica o funcionamento de vários sistemas de governo utilizando duas vacas. Nos comentários, o pessoal compartilhou outros exemplos.

Socialismo

Você tem duas vacas. O governo confisca uma e dá para seu vizinho.

Comunismo

Você tem duas vacas. O governo confisca as duas e promete dar a você um pouco de leite. Mas você morre de fome.

Fascismo

Você tem duas vacas. O governo confisca as duas e vende o leite para você.

Burocracia

Você tem duas vacas. O governo confisca as duas, mata uma, ordenha a outra até ela morrer, paga a você pelo leite, e então o joga pelo ralo.

Capitalismo sem capital

Você tem duas vacas. Vende uma, força a outra a produzir leite equivalente ao de quatro vacas, e então fica surpreso quando ela cai morta.

Capitalismo avançado

Você tem duas vacas. Vende uma, compra um touro, e se torna proprietário de um rebanho.

Estado de bem-estar social

Você tem duas vacas. O governo lhe tributa pesadamente até o ponto em que você tem de vender as duas para sustentar outra pessoa que já ganhou uma vaca grátis do governo.

Democracia representativa

Você tem duas vacas. Seus vizinhos marcam uma eleição para escolher quem irá dizer como o seu leite será repartido.

Social-Democracia brasileira

Você tem duas vacas. Elas nada produzem, pois estão estudando para concurso.

Sindicalismo

Você tem duas vacas. Você paga uma ao vaqueiro pelo salário combinado e a outra para o mesmo na ação que ele move contra você na justiça do trabalho.

Petismo

Você tem duas vacas. As duas são roubadas por companheiros seus. Mas você não sabe de absolutamente nada.

Contribuições dos Comentários

Keynesianismo

Você tem duas vacas e o governo imprime a terceira. As vacas se desvalorizam e há uma crise econômica.

Governos populistas latino-americanos

Você tem duas vacas. O governo toma uma e manda pra Suíça. Confisca a outra e distribui entre empresários amigos.

Socialismo Brazuca

Você tem duas vacas, o governo lhe toma uma e dá para um fazendeiro que já tem um milhão de cabeças.

Mercantilismo petista

Você tem duas vacas. O governo confisca as duas e repassa pra Friboi.

Corporativismo Social Brasileiro

Você tem duas vacas. O governo confisca uma e repassa para fazendeiros amiguinhos. A outra é forçada produzir por 4 vacas para sustentar a burocracia e acaba morrendo.

Castrismo

Você tinha duas vacas. Elas fugiram pra Miami.

Socialismo Venezuelano

Não há vacas ou leite. O governo divulga dados comemorando o fim da obesidade no país

Protecionismo

Você deseja ter duas vacas holandesas. O governo tributa a importação do animal em 60% e você é obrigado a se contentar com uma mula de origem nacional.

Categorias:Atitude

As Cotas Racias

O Facebook é o lar dos corajosos; daqueles que querem mudar o mundo, mas não aceitam arrumar a própria cama; do viés autoritário de esquerda carregado de ranço ideológico. Há coisas engraçadas lá, mas a ausência de conteúdo de qualidade me mantém fora daquela rede social por semanas e até meses.

Acessei minha conta faz alguns dias para verificar se tinha alguma coisa útil ou interessante na minha rede de “amigos”. Vi que um colega compartilhou um vídeo com uma conversa entre o apresentador Serginho Groisman e um estudante universitário. O que foi dito ali me incomodou. Outra coisa que me incomodou foi a postura do companheiro que originalmente postou o vídeo – que é um esquerdista de boutique – aproveitando a oportunidade para lançar um desafio a quem não pensa como ele:

Olhem os argumentos de quem é Contra as Cotas Raciais, e de como é fácil de destruir tais argumentos!

Figura 1 – Cher Guevara, a rainha da esquerda de boutique

Esse comentário e o vídeo estão lá no Facebook. Não vale a pena tentar contra-argumentar, pois não se trata de um argumento sólido, mas vou tecer alguns comentários e tentar fazer as perguntas certas para que se possa conversar a respeito desse assunto visando aumentar o entendimento. Para começar, acho que não se deve tratar assuntos em termos de “destruição” ou qualquer tipo de aniquilação. Para que exista o diálogo, é necessário parar de ruminar e aprender a ouvir, a ler o que os outros escrevem e a falar com eloquência e embasamento sólido.

É curiosíssimo que o autor do comentário do vídeo assuma que um estudante universitário tenha conhecimento e experiência para falar com autoridade sobre esse tema. Isso é apenas desonestidade intelectual a serviço da desinformação. Entortar e torturar a realidade para fazê-la caber em uma visão de mundo é uma estratégia típica das esquerdas, mas vamos analisar o conteúdo do vídeo.

O estudante universitário disse que cotas raciais não deveriam existir por se tratar de uma falta de respeito com o ser humano. Segundo ele:

(…) do mesmo jeito que o negro tem direito, o branco também tem…o amarelo (…)

Vou utilizar direita e esquerda nesse artigo porque será mais fácil analisar nesse micro contexto, mas essa não é a forma mais adequada de agrupar visões de mundo as mais diversas – talvez nem exista uma forma geral, mas apenas formatos atrelados a um contexto, como liberais, liberais democratas, conservadores, reacionários, legalistas, socialistas, comunistas, desenvolvimentistas, progressistas, ambientalistas, “coitadistas”, alienistas, etc. O problema é que o rapaz usa o argumento raso da direita. Dessa forma, ele é facilmente contra-atacado pelo apresentador, que usa dialética erística para enfeitar os argumentos rasos da esquerda:

Quantos negros têm na sua classe?

Essa é a pergunta óbvia que um esquerdista faria, pois ele se acha detentor de todas as virtudes. Defender causas raciais está dentro daquela ideia de que existem oprimidos e opressores e isso faz parte do pacote de “serviços” prestados à humanidade pelas esquerdas. Uma vez um esquerdista não declarado exigiu minha opinião sobre um outro assunto, mas utilizando um formato muito parecido com esse. Apenas acenei com a cabeça e preferi não responder, pois percebi que ele não estava aberto ao diálogo; só queria se impor para me “vencer” como se eu tratasse conversas em termos de vitória e derrota. Ao vencedor, as batatas.

Vamos ajudar o rapaz a pensar sobre o tema. Cota racial é uma forma de institucionalizar e certificar o preconceito em nome do pagamento de uma dívida histórica. Os esquerdistas julgam o presente com uma leitura particular da história – não podemos julgar nossos contemporâneos com base no comportamento dos seus antepassados, pois era parte da cultura e da edução daquela época. Só para lembrar: Zumbi dos Palmares, cultuado principalmente no Dia do Orgulho Negro, tinha escravos. Brancos não podiam ter escravos, mas negros podiam? Faz sentido cultuar um escravista?

A simples existência de cotas raciais já é um peso para o estado, ou melhor, para os pagadores de impostos. O Estado é um ente nascido para cumprir a vontade do povo, que “assina” um contrato social. Os administradores públicos, eleitos via voto direto, fazem escolhas com base nas necessidades do povo e no prazo em que essas necessidades devem ser atendidas. Será que utilizar o dinheiro dos pagadores de impostos para abrir as portas das faculdades para todos sem a justiça do teste de conhecimentos é uma decisão correta para com a maioria? É justo para quem estudou e se preparou para competir pela vaga? Isso vale também para cargos públicos. Parece até que os burocratas do Estado se esquecem que as pessoas, independente da origem e do grupo étnico em que estão classificadas, têm o direito de lutar pelo que quiserem – utilizando os meios legais, é claro, e estudando, é lógico. Elas são tratadas como incapazes que necessitam da tutela do papai Estado.

Para refletir: qual é a porcentagem de melanina que uma pessoa deveria ter para ser considerada negra? E quanto aos filhos de pais mulatos? Se tiverem mais melanina que os pais serão considerados negros ou o fato de terem DNA europeu em sua família os descredencia? Se o filho nascer mais branco, ele terá menos direitos que o irmão que tem mais melanina? Racismo também é tentar classificar um povo tão heterogêneo quanto o nosso. Somos todos brasileiros.

Se você expandir a questão das cotas para além dos negros, causará uma grande confusão na mente dos esquerdopatas. Se a ideia é ser justo com todas as raças que compõem nosso povo, é necessário que cada sala de aula tenha mais de 200 milhões de vagas, pois essa é a única forma de ser verdadeiramente justo na composição de um grupo racial heterogênico. Pense nisso: nem todo mundo consegue se assumir como membro de um grupo étnico – o agrupamento é forçado por critérios subjetivos. Quando uma minoria passa a ter privilégios especiais do Estado, é óbvio que muita gente tentará se enquadrar naquela minoria para usufruir dos privilégios. Afinal, somos todos brasileiros.

Percebeu que não apresentei solução alguma para esse problema? Meu objetivo era fazer mais perguntas para tentar jogar um pouco de luz no debate, mas conclui que pelo menos três coisas ficam claras quando esse assunto aparece em uma discussão: esquerdistas não entendem nada de economia, são preconceituosos e parciais quando alegam estar fazendo justiça e não toleram aqueles que ousam questionar suas visões de mundo uma vez que monopolizam as virtudes.

Regras Propostas Para a Vida Diária

Carl Sagan, no capítulo 16 (“As Regras do Jogo”) do livro Bilhões e Bilhões, elenca regras que regem a vida diária:

1. Regra de Ouro: “faz aos outros o que desejas que te façam”.

2. Regra de Prata: “não faças aos outros o que não desejas que te façam”.

3. Regra de Bronze: “faz aos outros o que te fazem”.

4. Regra de Ferro: “faz aos outros o que quiseres, antes que te façam o mesmo”.

5. Regra “Tit-for-Tar”: “coopera com os outros primeiro, depois faz aos outros o que te fazem”.

A proposição de regras que condensam comportamentos não ajuda a lidar com a complexidade dos relacionamentos humanos. Bruce Lee, em sua “filosofia marcial”, dizia que temos que nos adaptar aos adversários e não atacá-los ou nos defendermos de uma forma padronizada, assim como a água que se adapta ao recipiente que preenche: “Não tenha formato, contornos…seja água, meu amigo”, dizia ele.

É impossível adotarmos uma daquelas regras como filosofia de vida. As regras “douradas”, assim como as regras de “latão banhado”, implodem com o tempo: é impossível ser 100% bom em 100% das ocasiões ou totalmente espertalhão em todas as ocasiões. Comportamentos extremistas obviamente não se sustentam.

Estou convencido de que é necessário levar em conta o contexto e as próprias pessoas com quem nos relacionamos para encontrar a melhor forma de agir. Talvez possamos começar sendo cordiais até que “mudanças ambientais” forcem nossa mudança de atitude.

Ainda assim, sem me contradizer, não acho que exista uma situação em que ser espertalhão ou malicioso seja uma opção. Isso não é por causa de alguma religião ou falso moralismo. O esperto, trambiqueiro e oportunista fica sem ambiente para trabalhar, pois cria inimizades e acaba sendo vítima do próprio veneno. Quem tem esse perfil sempre se arrisca a infringir leis e regras de convivência em grupo (ética). Mais cedo ou mais tarde terá que pagar por suas escolhas.

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Os Níveis do Ser Humano

Achei um texto que imprimi em um passado remoto. Não sei de onde veio aquele texto e nem qual era o autor. O texto é curioso e nos faz refletir sobre a natureza humana, onde estamos e o que queremos ser. Como o texto é meio longo e eu não queria digitá-lo, segue uma versão que encontrei aqui.

Os Níveis do Ser Humano

Há alguns anos, um buscador aproximou-se de um Mestre da Arte Real (um verdadeiro Místico) e perguntou-lhe:

– Mestre, gostaria muito de saber por que razão os seres humanos guerreiam-se e por que não conseguem entender-se, por mais que apregoem estar buscando a paz e o entendimento; por mais que apregoem o amor e por mais que afirmem abominar o ódio.

– Essa é uma pergunta muito séria. Gerações e gerações a têm feito e não conseguiram uma resposta satisfatória, por não se darem conta de que tudo é uma questão de nível evolutivo. A grande maioria da Humanidade do Planeta Terra está vivendo atualmente no nível 1. Muitos outros, no nível 2 e alguns outros no nível 3. Essa é a grande maioria. Alguns poucos já conseguiram atingir o nível 4, pouquíssimos o nível 5, raríssimos o nível 6 e somente de mil em mil anos aparece algum que atingiu o nível 7.

– Mas, Mestre, que níveis são esses?

– Não adiantaria nada explicá-los, pois além de não entender, também, logo em seguida, você os esqueceria e esqueceria também a explicação.

Assim, prefiro levá-lo numa viagem mental, para realizar uma série de experimentos e aí, então, tenho certeza, você vivenciará e saberá exatamente o que são esses níveis, cada um deles, nos seus mínimos detalhes.

Colocou, então, as pontas de dois dedos na testa do consulente e, imediatamente, ambos estavam em um outro local, em outra dimensão do Espaço e do Tempo.

Nível 1

O local era uma espécie de bosque, e um homem se aproximava deles. Ao chegar mais perto, disse-lhe o Mestre:

– Dê-lhe um tapa no rosto.

– Mas por quê? Ele não me fez nada…

– Faz parte do experimento. Dê-lhe um tapa, não muito forte, mas dê-lhe um tapa!

E o homem aproximou-se mais do Mestre e do consulente. Este, então, chegou até o homem, pediu-lhe que parasse e, sem nenhum aviso, deu-lhe um tapa que estalou. Imediatamente, como se fosse feito de mola, o desconhecido revidou com uma saraivada de socos e o consulente foi ao chão, por causa do inesperado do ataque. Instantaneamente, como num passe de mágica, o Mestre e o consulente já estavam em outro lugar, muito semelhante ao primeiro e outro homem se aproximava. O Mestre, então comentou:

– Agora, você já sabe como reage um homem do nível 1. Não pensa. Age mecanicamente. Revida sem pensar. Aprendeu a agir dessa maneira e esse aprendizado é tudo para ele, é o que norteia sua vida, é sua “muleta”. Agora, você testará da mesma maneira, o nosso companheiro que vem aí, do nível 2.

Nível 2

Quando o homem se aproximou, o consulente pediu que parasse e lhe deu um tapa. O homem ficou assustado, olhou para o consulente, mediu-o de cima a baixo e, sem dizer nada, revidou com um tapa, um pouco mais forte. Instantaneamente, já estavam em outro lugar muito semelhante ao primeiro.

– Agora, você já sabe como reage um homem do nível 2. Pensa um pouco, analisa superficialmente a situação, verifica se está à altura do adversário e aí, então, revida. Se se julgar mais fraco, não revidará imediatamente, pois irá revidar à traição. Ainda é carregado pelo mesmo tipo de “muleta” usada pelo homem do nível 1. Só que analisa um pouco mais as coisas e fatos da vida. Entendeu? Repita o mesmo com esse aí que vem chegando.

Nível 3

A cena repetiu-se. Ao receber o tapa, o homem parou, olhou para o consulente e assim falou:

– O que é isso, moço?… Mereço uma explicação, não acha? Se não me explicar direitinho por que razão me bateu, vai levar uma surra!
Estou falando sério!

– Eu e o Mestre estamos realizando uma série de experimentos e este experimento consta exatamente em fazer o que fiz, ou seja, bater nas pessoas para ver como reagem.

– E querem ver como reajo?

– Sim. Exatamente isso…

– Já reparou que não tem sentido?

– Como não? Já aprendemos ótimas lições com as reações das outras pessoas. Queremos saber qual a lição que você irá nos ensinar…

– Ainda não perceberam que isso não faz sentido? Por que agredir as pessoas assim, gratuitamente?

– Queremos verificar – interferiu o Mestre – as reações mais imediatas e primitivas das pessoas. Você tem alguma sugestão ou consegue atinar com alguma alternativa?

– De momento, não me ocorre nenhuma. De uma coisa, porém, estou certo: – Esse teste é muito bárbaro, pois agride os outros. Estou, realmente, muito assustado e chocado com essa ação de vocês, que parecem pessoas inteligentes e sensatas. Certamente, deverá haver algo menos agressivo e mais inteligente. Não acham?

– Enfim – perguntou o buscador – como você vai reagir? Vai revidar? Ou vai nos ensinar uma outra maneira de conseguir aprender o que desejamos?

– Já nem sei se continuo discutindo com vocês, pois acho que estou perdendo meu tempo. São dois malucos e tenho coisas mais importantes para fazer do que ficar conversando com dois malucos. Afinal, meu tempo é precioso demais e não vou desperdiçá-lo com vocês. Quando encontrarem alguém que não seja tão sensato e paciente como eu, vão aprender o que é agredir gratuitamente as pessoas. Que outro, em algum outro lugar, revide por mim. Não vou nem perder meu tempo com vocês, pois não merecem meu esforço… São uns perfeitos idiotas… Imagine só, dar tapas nos outros… Besteira… Idiotice… Falta do que fazer… E ainda querem me convencer de que estão buscando conhecimento… Picaretas! Isso é o que vocês são! Uns picaretas! Uns charlatães!

Imediatamente, aquela cena apagou-se e já se encontravam em outro luar, muito semelhante a todos os outros. Então, o Mestre comentou:

– Agora, você já sabe como age o homem do nível 3. Gosta de analisar a situação, discutir os pormenores, criticar tudo, mas não apresenta nenhuma solução ou alternativa, pois ainda usa as mesmas “muletas” que os outros dois anteriores também usavam. Prefere deixar tudo “pra lá”, pois “não tem tempo” para se aborrecer com a ação, que prefere deixar para os “outros”. É um erudito e teórico que fala muito, mas que age muito pouco e não apresenta nenhuma solução para nenhum problema, a não ser a mais óbvia e assim mesmo, olhe lá… É um medíocre enfatuado, cheio de erudição, que se julga o “Dono da Verdade”, que se acha muito “entendido” e que reclama de tudo e só sabe criticar. É o mais perigoso de todos, pois costuma deter cargos de comando, por ser, geralmente, portador de algum diploma universitário em nível de bacharel (mais uma outra “muleta”) e se pavoneia por isso. Possui instrução e muita erudição. Já consegue ter um pouquinho mais de percepção das coisas, mas é somente isso. Ainda precisa das “muletas” para continuar vivendo, mas começa a perceber que talvez seja melhor andar sem elas. No entanto, por “preguiça vital” e simples falta de força de vontade, prefere continuar a utilizá-las. De resto, não passa de um medíocre enfatuado que sabe apenas argumentar e tudo criticar. Vamos, agora, saber como reage um homem do nível 4. Faça o mesmo com esse que aí vem.

Nível 4

E a cena repetiu-se.

O caminhante olhou para o buscador e perguntou:

– Por que você fez isso? Eu fiz alguma coisa errada? Ofendi você de alguma maneira? Enfim, gostaria de saber por que motivo você me bateu. Posso saber?

– Não é nada pessoal. Eu e o Mestre estamos realizando um experimento para aprender qual será a reação das pessoas diante de uma agressão imotivada.

– Pelo visto, já realizaram este experimento com outras pessoas. Já devem ter aprendido muito a respeito de como reagem os seres humanos, não é mesmo?

– É… Estamos aprendendo um bocado. Qual será sua reação? O que pensa de nosso experimento? Tem alguma sugestão melhor?

– Hoje, vocês me ensinaram uma nova lição e estou muito satisfeito com isso e só tenho a agradecer por me haverem escolhido para participar deste seu experimento. Apenas acho que vocês estão correndo o risco de encontrar alguém que não consiga entender o que estão fazendo e revidar à agressão. Até chego a arriscar-me a afirmar que vocês já encontraram esse tipo de pessoa, não é mesmo? Mas também se não corrermos algum risco na vida, nada, jamais, poderá ser conseguido, em termos de evolução. Sob esse ponto de vista, a metodologia experimental que vocês imaginaram é tão boa como outra qualquer. Já encontraram alguém que não entendesse o que estão a fazer e igualmente reações hostis, não é mesmo? Por outro lado, como se trata de um aprendizado, gostaria muito de acompanhá-los para partilhar desse aprendizado. Aceitar-me-iam como companheiro de jornada? Gostaria muito de adquirir novos conhecimentos. Posso ir com vocês?

– E se tudo o que dissemos for mentira? E se estivermos mal-intencionados? – perguntou o Mestre – Como reagiria a isso?

– Somente os loucos fazem coisas sem uma razão plausível. Sei, muito bem, distinguir um louco de um são e, definitivamente, tenho a mais cristalina das certezas de que vocês não são loucos. Logo, alguma razão vocês deverão ter para estarem agredindo gratuitamente as pessoas. Essa razão que me deram é tão boa e plausível como qualquer outra. Seja ela qual for, gostaria de seguir com vocês para ver se minhas conjecturas estão certas, ou seja, de que falaram a verdade e, se assim o for, compartilhar da experiência de vocês. Enfim, desejo aprender cada vez mais, e esta é uma boa ocasião para isso. Não acham?

Instantaneamente, tudo se desfez e logo estavam em outro ambiente, muito semelhante aos anteriores. O Mestre assim comentou:

– O homem do nível 4 já está bem distanciado e se desligando gradativamente dos afazeres mundanos. Já sabe que existem outros níveis mais baixos e outros mais elevados e está buscando apenas aprender mais e mais para evoluir, para tornar-se um sábio. Não é, em absoluto um erudito (embora até mesmo possa possuir algum diploma universitário) e já compreende bem a natureza humana para fazer julgamentos sensatos e lógicos. Por outro lado, possui uma curiosidade muito grande e uma insaciável sede de conhecimentos. E isso acontece porque abandonou suas “muletas” há muito pouco tempo, talvez há um mês ou dois. Ainda sente falta delas, mas já compreendeu que o melhor mesmo é viver sem elas. Dentro de muito pouco tempo, só mais um pouco de tempo, talvez mais um ano ou dois, assim que se acostumar, de fato, a sequer pensar nas muletas, estará realmente começando a trilhar o caminho certo para os próximos níveis. Mas vamos continuar com o nosso aprendizado. Repita o mesmo com este homem que aí vem, e vamos ver como reage um homem do nível 5. O tapa estalou.

Nível 5

– Filho meu… Eu bem o mereci por não haver logo percebido que estavas necessitando de ajuda. Em que te posso ser útil?

– Não entendi… Afinal, dei-lhe um tapa. Não vai reagir?

– Na verdade, cada agressão é um pedido de ajuda. Em que te posso ajudar, filho meu?

– Estamos dando tapas nas pessoas que passam, para conhecermos suas reações. Não é nada pessoal…

– Então, é nisso que te posso ajudar? Ajudar-te-ei com muita satisfação pedindo-te perdão por não haver logo percebido que desejas aprender. É meritória tua ação, pois o saber é a coisa mais importante que um ser humano pode adquirir. Somente por meio do saber é que o homem se eleva. E se estás querendo aprender, só tenho elogios a te oferecer. Logo aprenderás a lição mais importante que é a de ajudar desinteressadamente as pessoas, assim como estou a fazer com vocês, neste momento. Ainda terás um longo caminho pela frente, mas se desejares, posso ser o teu guia nos passos iniciais e te poupar de muitos transtornos e dissabores. Sinto-me perfeitamente capaz de guiar-te nos primeiros passos e fazer-te chegar até onde me encontro. Daí para diante, faremos o restante do aprendizado juntos. O que achas da proposta? Aceitas-me como teu guia?

Instantaneamente, a cena se desfez e logo se viram em outro caminho, um pouco mais agradável do que os demais, e o Mestre assim se expressou:

– Quando um homem atinge o nível 5, começa a entender que a Humanidade, em geral, digamos, o homem comum, é como uma espécie de adolescente que ainda não conseguiu sequer se encontrar e, por esse motivo, como todo e qualquer bom adolescente, é muito inseguro e, devido a essa insegurança, não sabe como pedir ajuda e agride a todos para chamar atenção sobre si mesmo e pedir, então, de maneira velada e indireta, a ajuda de que necessita. O homem do nível 5 possui a sincera vontade de ajudar e de auxiliar a todos desinteressadamente, sem visar vantagens pessoais. É como se fosse uma Irmã Dulce, um Chico Xavier ou uma Madre Teresa de Calcutá da vida. Sabe ser humilde e reconhece que ainda tem muito a aprender para atingir níveis evolutivos mais elevados. E deseja partilhar gratuitamente seus conhecimentos com todos os seres humanos. Compreende que a imensa maioria dos seres humanos usa “muletas” diversas e procura ajudá-los, dando-lhes exatamente aquilo que lhe é pedido, de acordo com a “muleta” que estão usando ou com o que lhes é mais acessível no nível em que se encontram. A partir do nível 5, o ser humano adquire a faculdade de perceber em qual nível o seu interlocutor se encontra. Agora, dê um tapa nesse homem que aí vem. Vamos ver como reage o homem do nível 6.

Nível 6

E o buscador iniciou o ritual. Pediu ao homem que parasse e lançou a mão ao seu rosto. Jamais entenderá como o outro, com um movimento quase instantâneo, desviou-se e a sua mão atingiu apenas o vazio.

– Meu filho querido! Por que você queria ferir-se a si mesmo? Ainda não aprendeu que agredindo os outros você estará agredindo a si mesmo? Você ainda não conseguiu entender que a Humanidade é um organismo único e que cada um de nós é apenas uma pequena célula desse imenso organismo? Seria você capaz de provocar, deliberadamente, em seu corpo, um ferimento que vai doer muito e cuja cicatrização orgânica e psíquica vai demorar e causará muito sofrimento inútil?

– Mas estamos realizando um experimento para descobrir qual será a reação das pessoas a uma agressão gratuita.

– Por que você não aprende primeiro a amar? Por que, em vez de dar um tapa, não dá um beijo nas pessoas? Assim, em lugar de causar-lhes sofrimento, estará demonstrando Amor. E o Amor é a Energia mais poderosa e sublime do Universo. Se você aprender a lição do Amor, logo poderá ensinar Amor para todas as outras células da Humanidade, e tenho a mais concreta certeza de que, em muito pouco tempo, toda a Humanidade será um imenso organismo amoroso que distribuirá Amor por todo o planeta e daí, por extensão, emitirá vibrações de Amor para todo o Universo. Eu amo a todos como amo a mim mesmo. No instante em que você compreender isso, passará a amar a si mesmo e a todos os demais seres humanos da mesma maneira e terá aprendido a Regra de Ouro do Universo: – Tudo é Amor! A vida é Amor! Nós somos centelhas de Amor! E por tanto amar você, jamais poderia permitir que você se ferisse, agredindo a mim. Se você ama uma criança, jamais permitirá que ela se machuque ou se fira, porque ela ainda não entende que se agir de determinada maneira perigosa irá ferir-se e irá sofrer. Você a amparará, não é mesmo? Você deverá aprender, em primeiro lugar, a Lição do Amor, a viver o Amor em toda sua plenitude, pois o Amor é tudo e, se você está vivo, deve sua vida a um Ato de Amor. Pense nisso, medite muito sobre isso. Dê Amor gratuitamente. Ensine Amor com muito Amor e logo verá como tudo a seu redor vai ficar mais sublime, mais diáfano, pois você estará flutuando sob os influxos da Energia mais poderosa do Universo, que é o Amor. E sua vida será sublime…

Instantaneamente, tudo se desfez e se viram em outro ambiente, ainda mais lindo e repousante do que este último em que estiveram. Então o Mestre falou:

– Este é um dos níveis mais elevados a que pode chegar o Ser Humano em sua senda evolutiva, ainda na Matéria, no Planeta Terra. Um homem que conseguiu entender o que é o Amor, já é um Homem Sublime, Inefável e quase Inatingível pelas infelicidades humanas, pois já descobriu o Começo da Verdade, mas ainda não a conhece em toda sua Plenitude, o que só acontecerá quando atingir o nível 7. Logo você descobrirá isso. Dê um tapa nesse homem que aí vem chegando.

Nível 7

E o buscador pediu ao homem que parasse. Quando seus olhares se cruzaram, uma espécie de choque elétrico percorreu-lhe todo o corpo e uma sensação mesclada de amor, compaixão, amizade desinteressada, compreensão, de profundo conhecimento de tudo que se relaciona à vida e um enorme sentimento de extrema segurança encheram-lhe todo o seu ser.

– Bata nele! – ordenou o Mestre.

– Não posso, Mestre, não posso…

– Bata nele! Faça um grande esforço, mas terá que bater nele! Nosso aprendizado só estará completo se você bater nele! Faça um grande esforço e bata! Vamos! Agora!

– Não, Mestre. Sua simples presença já é suficiente para que eu consiga compreender a futilidade de lhe dar um tapa. Prefiro dar um tapa em mim mesmo. Nele, porém, jamais!

– Bate-me – disse o Homem com muita firmeza e suavidade – pois só assim aprenderás tua lição e saberás finalmente, porque ainda existem guerras na Humanidade.

– Não posso… Não posso… Não tem o menor sentido fazer isso…

– Então – tornou o Homem – já aprendeste tua lição. Quem, dentre todos em quem bateste, a ensinou para ti? Reflete um pouco e me responde.

– Acho que foram os três primeiros, do nível 1 ao nível 3. Os outros apenas a ilustraram e a complementaram. Agora, compreendo o quão atrasados eles estão e o quanto ainda terão que caminhar na senda evolutiva para entender esse fato. Sinto por eles uma compaixão muito profunda. Estão de “muletas” e não sabem disso. E o pior de tudo é que não conseguem perceber que é até muito simples e muito fácil abandoná-las e que, no preciso instante em que a s abandonarem, começarão a progredir. Era essa a lição que eu deveria aprender?

– Sim, filho meu. Essa é apenas uma das muitas facetas do Verdadeiro Aprendizado. Ainda terás muito que aprender, mas já aprendeste a primeira e a maior de todas as lições. Existe a Ignorância! – volveu o Homem com suavidade e convicção – Mas ainda existem outras coisas mais que deves ter aprendido. O que foi?

– Aprendi, também, que é meu dever ensiná-los para que entendam que a vida está muito além daquilo que eles julgam ser muito importante – as suas “muletas” – e também sua busca inútil e desenfreada por sexo, status social, riquezas e poder. Nos outros níveis, comecei a entender que para se ensinar alguma coisa para alguém é preciso que tenhamos aprendido aquilo que vamos ensinar. Mas isso é um processo demorado demais, pois todo mundo quer tudo às pressas, imediatamente…

– A Humanidade ainda é uma criança , mal acabou de nascer, mal acabou de aprender que pode caminhar por conta própria, sem engatinhar, sem precisar usar “muletas”. O grande erro é que nós queremos fazer tudo às pressas e medir tudo pela duração de nossas vidas individuais. O importante é que compreendamos que o tempo deve ser contado em termos cósmicos, universais. Se assim o fizermos, começaremos, então, a entender que o Universo é um organismo imenso, ainda relativamente novo e que também está fazendo seu aprendizado por intermédio de nós – seres vivos conscientes e inteligentes que habitamos planetas disseminados por todo o Espaço Cósmico. Nossa vida individual só terá importância, mesmo, se conseguirmos entender e vivenciar, este conhecimento, esta grande Verdade: – Somos todos uma imensa equipe energética atuando nos mais diversos níveis energéticos daquilo que é conhecido como Vida e Universo, que, no final das contas, é tudo a mesma coisa.

– Mas sendo assim, para eu aprender tudo de que necessito para poder ensinar aos meus irmãos, precisarei de muito mais que uma vida. Ser-me-ão concedidas mais outras vidas, além desta que agora estou vivendo?

– Mas ainda não conseguiste vislumbrar que só existe uma única Vida e tu já a estás vivendo há milhões e milhões de anos e ainda a viverás por mais outros tantos milhões, nos mais diversos níveis? Tu já foste energia pura, átomo, molécula, vírus, bactéria, enfim, todos os seres que já apareceram na escala biológica. E tu ainda és tudo isso. Compreende, filho meu, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.

– Mas mesmo assim, então, não terei tempo, neste momento atual de minha manifestação no Universo, de aprender tudo o que é necessário ensinar aos meus irmãos que ainda se encontram nos níveis 1, 2 e 3.

– E quem o terá jamais, algum dia? Mas isso não tem a menor importância, pois tu já estás a ensinar o que aprendeste, nesta breve jornada mental. Já aprendeste que existem 7 níveis evolutivos possíveis aos seres humanos, aqui, agora, neste Planeta Terra. O Autor deste conto conseguiu transmiti-lo, há alguns milênios, através da Tradição Oral, durante muitas e muitas gerações. O Autor deste trabalho, ao ler esse conto, há muitos anos atrás, também aprendeu a mesma lição e agora a está transmitindo para todos aqueles que vierem a lê-lo e, no final, alguns desses leitores, um dia, ensinarão essa mesma lição a outros irmãos humanos. Compreendes, agora, que não será necessário mais do que uma única vida como um ser humano, neste Planeta Terra, para que aprendas tudo e que possas transmitir esse conhecimento a todos os seres humanos, nos próximos milênios vindouros? É só uma questão de tempo, não concordas, filho meu?

Conclusão

Agora, se quem deste aprendizado tomar conhecimento e, assim mesmo, não desejar progredir, não quiser deixar de lado as “muletas” que está usando ou não quiser aceitar essa verdade tão cristalina, o problema e a responsabilidade já não serão mais teus. Tu e todos os demais que estão transmitindo esse conhecimento já cumpriram as suas partes. Que os outros, os que dele estão tomando conhecimento, cumpram as suas. Para isso são livres e possuem o discernimento e o livre-arbítrio suficientes para fazer suas escolhas e nada tens com isso. Entendeste, filho meu?

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O Caminho do Determinado é Obscurecido pela Inveja dos Medíocres

Determinação é uma forte inclinação ou desejo de alcançar algo ou de realizar alguma coisa. A pessoa determinada tem metas claras e definidas e uma convicção plena de que irá alcançá-las – é daí que vem sua motivação. O caminho que nos leva de onde estamos para onde queremos chegar é construído por conquistas menores que vão se acumulando para pavimentar com materiais cada vez mais nobres a estrada à nossa frente. Claro, temos que saber para onde estamos indo e onde estamos pisando para escolher o melhor caminho, caso contrário vale a resposta que o gato deu para a Alice em Alice no País das Maravilhas:

Se não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve.

Como são inoportunas as pessoas que nos elogiam no momento errado ou da forma errada dizendo que temos jeito para alguma coisa, como matemática e música, por exemplo. Uma coisa é elogiar uma criança que mostre determinadas habilidades em seus primeiros anos de vida; outra, completamente diferente, é elogiar um adulto que já acumula algumas dezenas de carnavais. Essas pessoas não percebem que esse “jeito”, essa “habilidade”, esse “nasceu pra isso” na verdade é o resultado do esforço, das muitas horas de estudo, das poucas horas de sono, de querer atingir a excelência passando pela superação das nossas limitações. Algo que parece um elogio sincero revela a inveja de quem quer o que nós conquistamos, mas sem o sofrimento que tivemos que digerir como pagamento pelo sucesso.

A inveja é a homenagem que o medíocre presta ao mérito. José Ingenieros

Algumas pessoas chegam ao cúmulo de alegar que as habilidades de alguém que se destaca são provenientes de ação divina. Não nego os benefícios da estimulação de uma força interior – – para a organização de um estado mental positivo mesmo entre aqueles que são referências em suas áreas de atuação, como o ex-jogador de basquete Oscar Schmidt.

Oscar Schmidt é considerado um dos maiores jogadores de basquete de todos os tempos. Ele é o maior pontuador da história contabilizando incríveis 49.737 pontos em sua carreira. Sua maior realização profissional foi no Pan de 1987, quando conquistou o ouro derrotando o poderoso time norte-americano. Muitos jornalistas e locutores esportivos, como o famoso, o “maior”, o “sábio”, o “poliglota”, o “físico”, o “místico” e o “mito”, Galvão Bueno, o chamavam de “Mão Santa” devido à sua precisão nos arremessos e pela quantidade de pontos que fazia em uma partida. Sem dúvida, Oscar era literalmente um gigante em quadra, mas isso era o resultado de treinos exaustivos; de muita dedicação: depois de cada treino, ele fazia 1000 arremessos e foi assim durante toda sua carreira. Por isso, ele se dizia, de forma muito pertinente, um “Mão Treinada”.

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Figura 1 – O “Mão Santa”

Determinação exige vontade e coragem. Sendo assim, se você quer fazer alguma coisa, corra atrás e faça. Não desista quando vierem os primeiros obstáculos e não dê atenção às pessoas que se aproximam de você depois de algumas pequenas conquistas para tentar utilizá-lo como trampolim para alcançar as próprias ambições. A hipocrisia é mais uma característica daquele mesmo invejoso que não quer o seu bem: sempre que aparecer uma oportunidade, ele fará insinuações maliciosas e agirá de forma a te impedir de seguir adiante em seu caminho de conquistas para que você se sinta tão infeliz quanto ele, pois a felicidade dele é condicionada às suas derrotas.

A hipocrisia é uma homenagem que o vício presta à virtude. François de La Rochefoucauld

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Figura 2 – O Hipócrita Invejoso

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