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Caverna do Dragão: O Início Desvendado

Triste não é mudar de ideia, mas sim não ter ideias para mudar

Mestre dos Magos, parafraseando Francis Bacon

O desenho Caverna do Dragão (Dungeons & Dragons) possui 28 episódios dos quais 27 foram produzidos e exibidos em três temporadas que passaram na rede americana CBS entre 1983 e 1986. Os episódios começaram a passar na Globo em 1986 e fizeram muito sucesso por aqui. Acho que quase todo mundo conhece a trama:

Em um parque de diversões, seis jovens são transportados acidentalmente para o Reino após entrarem no brinquedo Caverna do Dragão. No Reino, eles conhecem o Mestre dos Magos e cada um recebe uma arma mágica. Eles ficam sabendo que terão que procurar o caminho para casa sozinhos e nessa jornada, sempre com a ajuda bem ambígua do enigmático Mestre dos Magos, eles enfrentarão toda sorte de monstros e adversários, como o malvado bruxo Vingador e o poderoso dragão Tiamat.

Figura 1 – Os Garotos Perdidos ou ainda As Crianças do Mestre dos Magos

Aquele desenho foi inspirado no jogo de RPG (Role-Playing Games) de mesmo nome cujo universo foi fortemente influenciado pelo “pouco conhecido” O Senhor dos Anéis, que por sua vez teve muitas influências da cultura nórdica e germânica, como o poema Beowulf e a Canção dos Nibelungos, e até do cristianismo. Onde quer que você veja um cavaleiro, um dragão, um elfo, um mago ou um anão, separados ou unidos para realizar uma jornada épica, tenha certeza de que ali há a influência inegável de O Senhor dos Anéis.

Nesse artigo, vou tratar de um texto que li faz alguns anos – escrito por um tal de Michael D. Bugg – que se propõe a explicar a origem do Reino, do Vingador, de onde vêm os Orcs, os Homens Lagarto, os Sapos Brigões, os Dragões – em especial o Tiamat – e aqueles demônios que dominavam cidades ou regiões inteiras, como o Beholder (episódio O Olho do Observador – The Eye Of The Beholder), a Fera da Noite (episódio A Cidade à Margem da Meia-Noite – City At The Edge Of Midnight), a Rainha Syrith (episódio O Filho do Astrólogo – Child Of The Stargazer) e o Darkling (episódio A Névoa da Escuridão – The Winds Of Darkness). Essa história amarra de forma bem interessante esse suposto passado glorioso do Reino e o que ele se tornou após a ascensão do mal. Tive que reescrever algumas partes, porque ainda que criativa, estava muito mal escrita ou talvez mal traduzida. Isso que fiz me lembrou da atuação do Tengo, personagem do livro 1Q84 de Haruki Murakami, no estranho projeto de reescrever o romance A Crisálida de Ar, de autoria da adolescente pouco comunicativa Fuka-Eri.

Como não encontrei referências a esse suposto Michael D. Bugg, suponho que se trata de mais “uma das muitas faces do mal, conhecidas apenas como o Vingador”. Bem, na verdade esse “D. Bugg” já me pareceu um trocadilho com a palavra inglesa debug, jargão utilizado pelos desenvolvedores de software para se referirem ao ato de encontrar e corrigir erros (depurar o código fonte). Forçando um pouco a imaginação, poderíamos dizer que as sílabas da palavra “Michael” fazem alusão às duas palavra inglesas “my” e “call”. Ajustando em uma frase, ficaria “call me” ou “me chamo”. Sendo assim, agora forçando a sua amizade, caro leitor, Michael D. Bugg seria algo como “me chamo depurador”, mas se ajustarmos o nome à proposta da fanfic, poderíamos dizer que o nome do autor significa “sou aquele que esclarece”. Pelo acúmulo de evidências que apontavam nessa direção, cheguei à conclusão que se trata de uma fanfic. Tirando a questão do nome do suposto autor, colaborou muito para essa conclusão o fato de que uma fanfic, embora não seja regra, costuma ser mal escrita: o texto é contraditório, prolixo, redundante e/ou é gramaticalmente sofrível. Se você souber de alguma referência confiável sobre essa história e sobre seu autor, comente aí embaixo que eu altero o texto.

Cada fanfic foca em um determinado aspecto da história original ou de algum personagem, mas sem o objetivo de ferir direitos autorais. Seria paradoxal existir uma fanfic que se proponha a fazer um reboot. Também não faria muito sentido se uma fanfic forçasse um remake, pois elas não têm essa pretensão. Ainda utilizando jargão de filmes ou séries animadas, faria sentido uma fanfic trabalhar prequels e spin-offs. Uma fanfic, embora não seja literatura oficial, também tem seus méritos. Na época em que Harry Potter estava na moda, havia algumas histórias bem legais por aí. A melhor que li foi Draco Dormiens, primeira parte da Trilogia Draco, escrita por Cassandra Clare. Se eu tivesse tempo e mais imaginação, escreveria uma fanfic sobre o Tiamat – talvez alguém já a tenha escrito. Isso não tem importância, mas você já notou como o Tiamat se parece com uma Quimera?

Figura 2Tiamat

Figura 3Quimera

O Início Desvendado

fanfic apresentada como um artigo de “Michael D. Bugg”

Introdução

Essa é uma matéria feita por Michael D. Bugg, que traz revelações surpreendentes. Você irá descobrir a fonte do poder do Mestre dos Magos, a origem do Vingador e o porquê de sua irmã Karena ter ficado má. Descubra o que aconteceu no Reino na época anterior à aparição dos garotos da Terra. Você será introduzido ao mundo de Caverna do Dragão e vai entender muitas coisas que até então estavam envolvidas no mais profundo mistério. Boa leitura!

A Idade da Glória

Durante a Idade da Glória, o Reino era guiado pelo Grande Conselho dos Feiticeiros, que era composto pelos magos mais sábios, como Merlin, Lukian e Zandora. Os muitos reinos resolviam seus problemas em um fórum mantido pelo Conselho – mais tarde conhecido como o Refúgio das Sombras – para que pudessem resolver seus problemas sem precisarem entrar em guerra. Quando os problemas não podiam ser resolvidos de forma pacífica, os Cavaleiros Celestiais, guerreiros mágicos que montavam águias gigantes, eram enviados para mediar o conflito. Nesse fórum eram mantidas cuidadosas anotações para que nenhuma sabedoria fosse perdida e era feita uma guarda cuidadosa dos vários portais para os mais diversos mundos que tangenciavam o Reino.

O chefe do Conselho se tornava um Mestre dos Magos. No Mestre dos Magos era depositado todo o poder do Conselho, o que o tornava verdadeiramente o Mestre do Reino ou a lei propriamente dita. Entretanto, para contra-balancear o poder do Mestre dos Magos, o Conselho determinou que ele estaria sujeito à uma regra: não interferir diretamente nos assuntos das pessoas se existir outra alternativa; deixar que as pessoas escolham seus próprios caminhos e nunca dar a elas conhecimento que elas poderiam adquirir sozinhas. Assim, o Mestre dos Magos teve que usar o raciocínio ao invés da força, a sutileza ao invés das demonstrações de poder e o encorajamento ao invés da coerção. Raramente houve uma decisão, tomada pelo Conselho ou pelo próprio Mestre dos Magos, que causasse mais destruição.

Alguns anos antes das Grandes Guerras, o Conselho deu as boas-vindas aos seus dois mais novos membros: Kyllan e Karena, as crianças do atual Mestre dos Magos. Ambos eram ambiciosos e arrogantes por sua juventude, mas acreditava-se que o tempo daria a eles a sabedoria necessária. Para cada um deles foi dado um anel: o Anel da Mente para Kyllan e o Anel do Coração para Karena. Esses anéis eram os catalisadores de seus poderes e também eram um elo de ligação entre os dois irmãos – mente e coração trabalhando juntos.

A Ascensão do Mal

Kyllan era particularmente ambicioso e, em sua ânsia pelo conhecimento e pelo poder, formou diversos pactos maléficos que eventualmente o levaram a descobrir a existência Daquele Cujo Nome Não Pode Ser Dito (The Nameless One). Kyllan entregou-se voluntariamente à esta criatura em troca do poder que ele procurava para atingir seus objetivos. Ele se transformou na encarnação das trevas e deu a si mesmo o nome de Vingador.

Usando a ligação entre os dois anéis, o Vingador corrompeu Karena para as trevas e os dois promoveram uma ataque ao Conselho, o que resultou na morte da maioria dos magos e a fuga dos sobreviventes. O Vingador tomou para si o controle dos Portais e os escancarou para procurar por servos que o ajudassem em suas conquistas. Ele encontrou os mundos dos orcs, dos homens-lagarto e vários outros. Achando utilidade nestas raças primitivas, ele as escravizou e as usou para compor seus exércitos. Em suas buscas, ele também encontrou o mundo dos dragões e libertou estas bestas para aterrorizar o Reino e consolidar sua autoridade. Porém, para sua própria desgraça, ele chamou a atenção de Tiamat, Rainha do Caos e de todos os dragões, que seguiu aquelas dentre as suas crianças que responderam ao chamado do Vingador. O Vingador não tinha nenhum controle sobre Tiamat e ela o perseguia quebrando o que de outra forma seria um completo domínio do Reino.

Na mesma época, o mago Merlin – que alguns supunham que era o Mestre dos Magos daquela época – ferido pelo primeiro ataque do Vingador, fez sua última mágica: invocando todos dos dragões nas proximidades para os céus da então grande cidade de Helix, poderoso centro comercial daquela época, ele os aprisionou em uma dimensão atemporal. Devido a esse último grande esforço, Merlin sucumbiu logo em seguida. Sem seu sacrifício, é provável que o Reino estivesse destituído de vida há muito tempo, mas isso não impediu que A Idade das Trevas, de um milênio de duração, se lançasse sobre todo o Reino.

A Idade das Trevas

Mesmo sem a presença de Tiamat, o domínio do Vingador sobre o Reino não era tão absoluto quanto poderia ter sido. Cada cidade importante tinha algum poder vindo do comércio e é verdade que muitas delas eram controladas por demônios, feiticeiros e senhores da guerra leais ao Vingador. A Rainha Siris de Tarod, por exemplo, tinha quase que um controle autônomo de seus estados e os governou com mão de ferro por mil anos até que a profecia do Filho do Astrólogo se cumpriu. Também é fato que as terras desoladas, em muitos lugares tornadas áridas pelas mágicas lançadas nas Grandes Guerras, não eram mais um refúgio, pois se tornaram lar de muitas fantásticas e mortais criaturas convocadas pelo Vingador. Porém, era justamente desses locais que vinham algumas das poucas fontes de luz nesta terra de escuridão: a poderosa Cidade de Tardos, o secreto Vale dos Unicórnios e as poderosas Terras do Leste, que resistiam sob o controle da linhagem de Rahmud. Estes locais eram poucos e distantes uns dos outros, mas conseguiram a liberdade apenas através do sangue de guerreiros corajosos ou do total isolamento geográfico.

Em algum ponto durante esta época, o Mestre dos Magos encontrou o Cemitério dos Dragões, lar de Tiamat. Lá ele descobriu algo curioso: quando um dragão morria, um objeto de grande poder – em geral uma arma mágica – era criado. O Mestre dos Magos pegou algumas destas armas do Cemitério na ausência de Tiamat e, no momento oportuno, as entregou para seis crianças.

A partir daí, todos conhecem a história.

Referências

1. [http://revistagalileu.globo.com/Galileu/0,6993,ECT533129-1719-1,00.html]
2. [https://www.aficionados.com.br/caverna-do-dragao-segredos-misterios-e-curiosidades/]
3. [https://seuhistory.com/hoje-na-historia/chega-ao-fim-producao-da-serie-caverna-do-dragao]
4. [https://www.youtube.com/watch?v=Ed1Kbs_p_wk]
5. [https://docslide.us/documents/caverna-do-dragao-o-inicio-desvendado.html]
6. [https://cartoonscrapbook.com/cartoons/dungeons-dragons-1983/]

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  1. 02/07/2018 às 5:01 AM

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