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As Cotas Racias

O Facebook é o lar dos corajosos; daqueles que querem mudar o mundo, mas não aceitam arrumar a própria cama; do viés autoritário de esquerda carregado de ranço ideológico. Há coisas engraçadas lá, mas a ausência de conteúdo de qualidade me mantém fora daquela rede social por semanas e até meses.

Acessei minha conta faz alguns dias para verificar se tinha alguma coisa útil ou interessante na minha rede de “amigos”. Vi que um colega compartilhou um vídeo com uma conversa entre o apresentador Serginho Groisman e um estudante universitário. O que foi dito ali me incomodou. Outra coisa que me incomodou foi a postura do companheiro que originalmente postou o vídeo – que é um esquerdista de boutique – aproveitando a oportunidade para lançar um desafio a quem não pensa como ele:

Olhem os argumentos de quem é Contra as Cotas Raciais, e de como é fácil de destruir tais argumentos!

Figura 1 – Cher Guevara, a rainha da esquerda de boutique

Esse comentário e o vídeo estão lá no Facebook. Não vale a pena tentar contra-argumentar, pois não se trata de um argumento sólido, mas vou tecer alguns comentários e tentar fazer as perguntas certas para que se possa conversar a respeito desse assunto visando aumentar o entendimento. Para começar, acho que não se deve tratar assuntos em termos de “destruição” ou qualquer tipo de aniquilação. Para que exista o diálogo, é necessário parar de ruminar e aprender a ouvir, a ler o que os outros escrevem e a falar com eloquência e embasamento sólido.

É curiosíssimo que o autor do comentário do vídeo assuma que um estudante universitário tenha conhecimento e experiência para falar com autoridade sobre esse tema. Isso é apenas desonestidade intelectual a serviço da desinformação. Entortar e torturar a realidade para fazê-la caber em uma visão de mundo é uma estratégia típica das esquerdas, mas vamos analisar o conteúdo do vídeo.

O estudante universitário disse que cotas raciais não deveriam existir por se tratar de uma falta de respeito com o ser humano. Segundo ele:

(…) do mesmo jeito que o negro tem direito, o branco também tem…o amarelo (…)

Vou utilizar direita e esquerda nesse artigo porque será mais fácil analisar nesse micro contexto, mas essa não é a forma mais adequada de agrupar visões de mundo as mais diversas – talvez nem exista uma forma geral, mas apenas formatos atrelados a um contexto, como liberais, liberais democratas, conservadores, reacionários, legalistas, socialistas, comunistas, desenvolvimentistas, progressistas, ambientalistas, “coitadistas”, alienistas, etc. O problema é que o rapaz usa o argumento raso da direita. Dessa forma, ele é facilmente contra-atacado pelo apresentador, que usa dialética erística para enfeitar os argumentos rasos da esquerda:

Quantos negros têm na sua classe?

Essa é a pergunta óbvia que um esquerdista faria, pois ele se acha detentor de todas as virtudes. Defender causas raciais está dentro daquela ideia de que existem oprimidos e opressores e isso faz parte do pacote de “serviços” prestados à humanidade pelas esquerdas. Uma vez um esquerdista não declarado exigiu minha opinião sobre um outro assunto, mas utilizando um formato muito parecido com esse. Apenas acenei com a cabeça e preferi não responder, pois percebi que ele não estava aberto ao diálogo; só queria se impor para me “vencer” como se eu tratasse conversas em termos de vitória e derrota. Ao vencedor, as batatas.

Vamos ajudar o rapaz a pensar sobre o tema. Cota racial é uma forma de institucionalizar e certificar o preconceito em nome do pagamento de uma dívida histórica. Os esquerdistas julgam o presente com uma leitura particular da história – não podemos julgar nossos contemporâneos com base no comportamento dos seus antepassados, pois era parte da cultura e da edução daquela época. Só para lembrar: Zumbi dos Palmares, cultuado principalmente no Dia do Orgulho Negro, tinha escravos. Brancos não podiam ter escravos, mas negros podiam? Faz sentido cultuar um escravista?

A simples existência de cotas raciais já é um peso para o estado, ou melhor, para os pagadores de impostos. O Estado é um ente nascido para cumprir a vontade do povo, que “assina” um contrato social. Os administradores públicos, eleitos via voto direto, fazem escolhas com base nas necessidades do povo e no prazo em que essas necessidades devem ser atendidas. Será que utilizar o dinheiro dos pagadores de impostos para abrir as portas das faculdades para todos sem a justiça do teste de conhecimentos é uma decisão correta para com a maioria? É justo para quem estudou e se preparou para competir pela vaga? Isso vale também para cargos públicos. Parece até que os burocratas do Estado se esquecem que as pessoas, independente da origem e do grupo étnico em que estão classificadas, têm o direito de lutar pelo que quiserem – utilizando os meios legais, é claro, e estudando, é lógico. Elas são tratadas como incapazes que necessitam da tutela do papai Estado.

Para refletir: qual é a porcentagem de melanina que uma pessoa deveria ter para ser considerada negra? E quanto aos filhos de pais mulatos? Se tiverem mais melanina que os pais serão considerados negros ou o fato de terem DNA europeu em sua família os descredencia? Se o filho nascer mais branco, ele terá menos direitos que o irmão que tem mais melanina? Racismo também é tentar classificar um povo tão heterogêneo quanto o nosso. Somos todos brasileiros.

Se você expandir a questão das cotas para além dos negros, causará uma grande confusão na mente dos esquerdopatas. Se a ideia é ser justo com todas as raças que compõem nosso povo, é necessário que cada sala de aula tenha mais de 200 milhões de vagas, pois essa é a única forma de ser verdadeiramente justo na composição de um grupo racial heterogênico. Pense nisso: nem todo mundo consegue se assumir como membro de um grupo étnico – o agrupamento é forçado por critérios subjetivos. Quando uma minoria passa a ter privilégios especiais do Estado, é óbvio que muita gente tentará se enquadrar naquela minoria para usufruir dos privilégios. Afinal, somos todos brasileiros.

Percebeu que não apresentei solução alguma para esse problema? Meu objetivo era fazer mais perguntas para tentar jogar um pouco de luz no debate, mas conclui que pelo menos três coisas ficam claras quando esse assunto aparece em uma discussão: esquerdistas não entendem nada de economia, são preconceituosos e parciais quando alegam estar fazendo justiça e não toleram aqueles que ousam questionar suas visões de mundo uma vez que monopolizam as virtudes.

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