Arquivo

Archive for 19/04/2017

O Centenário de Roberto Campos

Roberto Campos, Bobby Fields para os comunistas e para os socialistas carnívoros, foi um economista, diplomata e político brasileiro que ocupou os cargos de deputado federal, senador e ministro do Planejamento no governo de Castello Branco. Com frequência, vejo referências a ele quase como uma lanterna a iluminar debates sobre economia quando a centralização estatal dos progressistas autoritários é confrontada pelo liberalismo econômico. Para homenagear o centenário de um dos mais brilhantes pensadores brasileiros, o jornalista Augusto Nunes listou 20 frases de Roberto Campos que nos ajudam a ter uma ideia de como ele pensava. Como disse Churchill, “frases nos fazem pensar”.

Figura 1 – Roberto Campos

Todos sabemos que a ajuda externa não pode substituir em nenhum país o esforço próprio da economia, do qual depende fundamentalmente o desenvolvimento econômico.

Contemplando nossa paisagem, onde sobram vestígios de persistente irracionalidade no trato de certos problemas, como o desenvolvimento petrolífero ou o controle populacional, assaltam-me frequentemente cruéis dúvidas sobre os instintos democráticos do Criador, na distribuição de talento.

Para Karl Marx a ditadura do proletariado seria apenas um estágio na evolução dialética. Abolidas as classes e a propriedade privada, assistiríamos ao ‘fenecimento do Estado’ e a floração da liberdade. Infelizmente Marx era bom filósofo, medíocre profeta e mau político.

O desafio brasileiro é dual: elevar o nível de renda por habitante e diminuir a brecha que nos separa dos países mais industrializados. O primeiro objetivo visa a evitar a mutilação da pessoa humana pelo espectro da pobreza. O segundo é um requisito de poder nacional e um antídoto para o ressentimento e frustração oriundos da inferioridade econômica.

Há um sério desafio à diplomacia latino-americana. Sobram construtores de muros. Precisa-se urgentemente de construtores de pontes.

A psicologia de berçário, que herdamos do hino nacional (‘gigante … deitado eternamente em berço esplêndido…’) e o ufanismo das riquezas naturais (as quais são apenas recursos à espera de investimentos), que mamamos nos livros escolares, têm agido como narcotizantes da vontade nacional de desenvolvimento, transformando-nos no país do futuro, enquanto afanosamente conquistam o presente. Infelizmente, como já disse alhures, a chupeta do otimismo é mau substituto para a bigorna do realismo.

O importante para nós é maximizar a velocidade do crescimento da renda, da criação de empregos, da absorção de tecnologia. O resto é sentimentalismo.

São cinco as potências que dispõem de armas nucleares, multiplicando a tentação da imprudência e o risco de acidentes. Há demasiadas mãos no gatilho neste pobre planeta.

Persistem em nossa cultura e em nosso caráter elementos antagonísticos ao desenvolvimento. O primeiro desses elementos é o baixo nível de racionalidade de nosso comportamento, associado talvez ao tipo de educação beletrista e memorativa. A capacidade de exteriorizar emoções é mais prezada que a capacidade de resolver problemas.

No socialismo as intenções são melhores que os resultados, e no capitalismo os resultados melhores que as intenções.

No primeiro quarto deste século, vingou a utopia socialista. O segundo quarto assistiu ao nascimento, paixão e morte do nazifascismo. No terceiro quarto, capitalismo e comunismo se digladiaram na guerra fria. Neste último quarto de século, os velhos ‘ismos’ cada vez mais cedem lugar ao liberalismo.

A diplomacia é como um filme pornográfico: é melhor participar do que assistir.

A Revolução Francesa declarou os direitos do homem, mas certamente não os praticou. Só quase um século depois é que a França descobriria a democracia. Agora, que foi um bom artigo de exportação, isso foi… Várias revoluções do mundo nela buscaram inspiração, inclusive as revoluções latino-americanas, que nunca se celebrizaram pela tenacidade democrática ou sua afeição aos direitos humanos. O diabo das revoluções é que têm um ‘r’ demais.

Marx foi o pior dos profetas: vaticinou a explosão do capitalismo e o que ocorreu foi a implosão do socialismo. Aliás, o iracundo profeta que denunciou a espoliação burguesa era um espoliador nato. Vivia às custas de Engels e, em vez de botar salário no bolso de sua pobre empregada em Londres, botou-lhe um filho no ventre.

A vantagem do capitalismo é que, por ter exemplos de sucesso, admite fracassos e tem mecanismos de correção. Para os socialistas, ao invés, o fracasso é apenas um sucesso mal explicado.

Os comunistas brasileiros têm razão ao dizer que não é verdade que comam criancinhas. No ‘socialismo real’ a preferência histórica é por matar adultos.

No Brasil quase todos os presidenciáveis falam no capitalismo, conquanto não se saiba bem se querem a cabeça ou gostam do bolso dos capitalistas.

Se me perguntassem sobre o nível do debate econômico do país, eu diria que é uma razoável aproximação do Q.I. das ameba.

O Brasil é a grande amante de todos nós. Continuaremos amando-a, ainda que corneados.

É uma ilusão dos nossos esquerdistas imaginarem, idilicamente, que em 1964 havia uma opção entre uma democracia liberal e uma democracia social. A opção era entre dois autoritarismos, o da esquerda, ideológico, feroz, capaz de levar pessoas para o paredón, que levaria anos e anos para se autodestruir, e o da direita, envergonhado, encabulado, que toda hora falava em democracia, que procurava pelo menos manter o ritual de eleições, procurava manter o Congresso aberto. Essa era a real opção.

Anúncios
Categorias:Geral Tags: