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Para Ler Nietzsche Sem Que Você e Ele Chorem

Friedrich Wilhelm Nietzsche (Röcken, 15 de outubro de 1844 — Weimar, 25 de agosto de 1900) foi um filósofo, crítico cultural, poeta e compositor alemão. Karl Ludwig, seu pai, e seus dois avós eram pastores protestantes, o que levou o próprio Nietzsche a pensar em seguir a mesma carreira. Ele escreveu vários textos críticos sobre a religião, a moral, a cultura contemporânea, filosofia e ciência, exibindo uma predileção por metáfora, ironia e aforismo. A deturpação de seu legado pelos divulgadores de seus escritos no começo do século XX teve grande influência na consolidação dos ideais do partido nazista. Sim, Nietzsche ficaria horrorizado se naquele tempo vivo fosse.

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Figura 1 – Nietzsche

Li Quando Nietzsche Chorou, de Irvin D. Yalom, faz alguns anos. É uma história meio forçada da relação entre médico e paciente (Nietzsche) na qual os dois descobrem a amizade depois de enfrentarem e vencerem juntos seus demônios interiores. Se acrescentássemos “… e vivendo altas aventuras…”, teríamos o enredo da maioria dos filmes da Sessão da Tarde. Achei uma péssima maneira de conhecer Nietzsche. Não recomendo e daqui em diante esqueça que eu te contei que li aquele livro.

Não sou filósofo, não tenho formação em campo equivalente e nem sequer sou da área de humanas, mas gosto muito de filosofia e queria compartilhar minha impressão e minha preparação para ler Assim Falou Zaratustra, obra máxima de Nietzsche segundo ele mesmo. Ler Nietzsche não é fácil. Trata-se de uma literatura densa, eu diria. Entender Nietzsche pela boca de Zaratustra é dificílimo. A impressão que me deu era de alguém no meio da feira comprando cebola e se esforçando para ouvir e entender o que outra pessoa estava gritando lá da banca de peixes, do outro lado da feira. Isso é por causa da distância contextual, conceitual e de formação entre um leitor comum e um escritor incomum.

Pode cheirar à pleonasmo, mas Nietzsche é só para leitores ativos. Para ler Nietzsche não é necessário ser o super homem idealizado por ele e você também não deve esperar sê-lo ao final da leitura e talvez nem queira esse peso sobre seus ombros. Tire da cabeça a ideia de que ler Nietzsche é divertido, dá status e que citar Nietzsche te faz parecer mais inteligente e mais legal. Ler Nietzsche com o livro erguido à frente em um café chique não vai te ajudar a encontrar uma “parceira intelectual” com quem se unir em prol da evolução da raça. É tolice. Leia Nietzsche para saber o que pensava um dois maiores filósofos que já viveu. Leia com isso em mente e diminua suas expectativas.

Antes de se aventurar no mundo de Nietzsche, prepare-se, mas não ache que ler outros filósofos fará a tarefa de enfrentar Nietzsche mais fácil. Já li vários livros de Jostein Gaarder e acho que são uma boa forma de se preparar intelectualmente para ler trabalhos filosóficos mais complexos, pois aquelas histórias me fizeram questionar a realidade da natureza e a vida em sociedade. Não cheguei a nenhuma conclusão, mas filosofar também é produzir perguntas que nem sempre são respondidas. Questionar as coisas é a ginástica que neurônios enferrujados necessitam. Já li vários livros – na verdade eram cartas escritas para o amigo Lucius – de Sêneca, mas até achei engraçada uma passagem de Assim Falou Zaratustra onde o personagem principal debocha de um sábio que aparentemente sabia como viver uma boa vida e em particular como se fazia para ter uma boa noite de sono. Zaratustra conclui que esse personagem sabia bastante sobre o sono. Assim debochou Zaratustra.

Assisti a um vídeo sobre o Crepúsculo dos Ídolos. O autor daquele vídeo afirmava que essa era a obra de Nietzsche menos difícil de ler. Embora tenha entendido o niilismo em Nietzsche, o significado da “morte de Deus” e a culpabilidade de Sócrates, ainda assim achei a história difícil de entender. Como sou um analfabeto filosófico, procurei outras fontes de informação.

Já assisto o professor Clóvis de Barros Filho faz algum tempo. Ele faz parte de um grupo de filósofos que de uns tempos para cá aparece quase que diariamente nas mídias, como o professor Mário Sérgio Cortella, o professor Leandro Karnal e o professor Luís Felipe Pondé. Eles já até fizeram alguns “crossovers literários”. Assisti à uma palestra na qual o professor Clóvis diz que uma grande autoridade em Nietzsche era a Viviane Mozé. Assisti as explicações dela em um Café Filosófico especial sobre Nietzsche e achei bem esclarecedor.

Não faz muito tempo que comecei a me interessar por filosofia, mas até que consegui compreender bastante coisa sobre mim e nosso mundo recorrendo ao conhecimento filosófico inclusive dos professores que citei anteriormente. Só depois dessa preparação intelectual me senti confiante para ler Nietzsche. Como não pretendo ler todos os livros dele, acho que Zaratustra, de acordo com o que li e assisti por aí, é o que contempla a maior parte das idéias do autor. Por enquanto é o suficiente sobre esse autor, pois minha fila de livros e autores para ler só tem aumentado.

Referências

1. [http://www.mundodosfilosofos.com.br/nietzsche.htm]
2. [http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2016/06/4-reflexoes-que-vao-te-introduzir-ao-pensamento-de-nietzsche.html]

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Categorias:Filosofia
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