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A Metafísica

A metafísica é a parte da filosofia que trata do estudo do ser, de suas propriedades, princípios, causas e dos fundamentos essenciais da sua existência, ou seja, tudo aquilo que transcende o que é meramente físico. Essa disciplina se ocupa dos problemas filosóficos mais gerais sobre a natureza da realidade – ela procura explicar o quê as coisas são. O estudo do ser envolve uma série de questões: origem, constituição, inter-relação, etc. Sendo assim, pode-se afirmar que a metafísica trata individualmente de assuntos como o nada, a realidade, a mente, a liberdade, as mudanças, a relação entre os universais e os particulares, o “dever ser” e sua contraposição [3]. Na Grécia Antiga, a metafísica constituía o saber mais elevado que uma pessoa poderia alcançar uma vez que encerrava as questões mais transcendentes que podemos perguntar sobre a vida e o ser [3].

O termo “metafísica” foi retirado do título de um dos tratados de Aristóteles. O próprio Aristóteles nunca se referiu ao tratado por esse nome – o nome foi atribuído por pensadores posteriores [1]. A metafísica não se interessa pelos “comos”, mas sim pelos “porquês” da vida [6]. Pensar metafisicamente é pensar sem arbitrariedade nem dogmatismo nos mais básicos problemas da existência. Dessa forma, o fruto do pensamento metafísico não é o conhecimento, mas sim a compreensão. Quando a metafísica é utilizada em outras disciplinas filosófica, como a filosofia da arte, os problemas estudados tem menor generalidade. Nesse particular, a metafísica é chamada de metafísica aplicada.

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Figura 1 – Metafísica aplicada à arte

Essa disciplina filosófica é dividida em dois grandes ramos: a Ontologia e a Teologia. A Ontologia trata exclusivamente do estudo do ser e de sua existência; a Teologia destina seus esforços ao estudo de Deus e de sua essência.

Ontologia é uma disciplina da metafísica que trata do ser em um sentido geral e de suas propriedades mais transcendentais. Ela estabelece uma teoria das categorias que visa descrever e explicar as categorias mais gerais da realidade. Ela nos dirá, por exemplo, se números realmente existem [4]. Essa “teoria do ser” trata do estudo de tudo aquilo que é, como é, e o que é possível. Aristóteles pensava que as categorias são os tipos mais elevados ou gerais sob os quais se pode classificar as coisas. Ao identificarem as categorias mais elevadas, os metafísicos deviam procurar as respostas mais gerais à pergunta “O que é?” Supõe-se que a metafísica deva identificar esses tipos mais elevados, especificar os aspectos que são peculiares a cada categoria e identificar as relações que ligam entre si as diferentes categorias. Ao fazê-lo, o metafísico nos dá supostamente um mapa da estrutura de tudo o que há [1].

Teologia é o estudo da existência de Deus, das questões referentes ao conhecimento da divindade, assim como de sua relação com o mundo e com os homens [5]. A teologia estuda as religiões num contexto histórico, pesquisando e interpretando os fenômenos e as tradições religiosas, os textos sagrados, a doutrina, o dogma, a moral e sua influência nas diversas áreas do conhecimento, especialmente nas ciências humanas, como na Antropologia e na Sociologia.

As fronteiras da metafísica não são rígidas, o que permite a existência de zonas de sobreposição com outras disciplinas filosóficas e com ciências como a física [1]. Quanto ao primeiro caso, os problemas do livre-arbítrio e da identidade pessoal, por exemplo, são metafísicos, mas são por vezes abordados em ética, outras vezes em filosofia da mente; e a natureza e existência de divindades são problemas metafísicos, mas são hoje abordados sobretudo em filosofia da religião (teologia). Quanto ao segundo caso, a natureza última do tempo, por exemplo, é um tópico importante da metafísica e também da física. Contudo, alguns problemas filosóficos sobre a natureza do tempo estão mais intimamente relacionados com as teorias da física; outros são mais gerais e independentes delas. A física trata problemas gerais sobre a natureza da realizada, mas não os problemas filosóficos dessa natureza. Um problema é filosófico quando só pode ser adequadamente abordado usando metodologias filosóficas: teorização, argumentação (lógica), análise conceitual e a especulação logicamente disciplinada [1].

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Figura 2 – Os limites entre ciência e filosofia

Apesar das fronteiras da metafísica não serem rígidas, é muito importante ver claramente se visamos esclarecer um aspecto metafísico de um dado conceito ou problema ou um aspecto não metafísico [1]. Um exemplo óbvio é o conceito de verdade. A investigação é metafísica quando queremos saber o que torna verdadeira uma frase que, por hipótese, seja verdadeira, ou quando queremos saber se há realmente verdades. Isto contrasta fortemente com a investigação epistemológica a que nos entregamos quando queremos saber se há, da nossa parte, genuíno conhecimento de verdades e, caso haja, em que condições ocorre e como o distinguir da ilusão de que o temos. Da hipótese de que nunca podemos conhecer verdades não se segue trivialmente que não há realmente verdades ainda que se possa argumentar nessa direção. Contudo, a inexistência de verdades acarreta a consequência óbvia de que nenhuma verdade pode ser conhecida.

Referências

1. [http://criticanarede.com/intrometafisica.html]
2. [http://criticanarede.com/metafisica.html]
3. [http://queconceito.com.br/metafisica]
4. [http://queconceito.com.br/ontologia]
5. [https://www.significados.com.br/teologia/]
6. [http://criticanarede.com/met_quee.html]

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  1. 08/12/2016 às 7:40 AM

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