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O Pensamento de Carl Sagan

Carl Sagan (1934-1996) foi um astrônomo, astrofísico, cosmólogo, escritor e apresentador norte-americano que ajudou a comunicar e propagar a ciência de um jeito que ninguém tinha feito até então. Ele escreveu mais de 20 livros de ciência e ficção científica. Dentre eles, destacam-se Cosmos, que virou uma série de treze episódios narrada e apresentada por ele, e o filme Contato, baseado na obra de mesmo nome.

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Figura 1 – Carl Sagan

Sagan era o professor que todos nós gostaríamos de ter. Sua eloquência, didatismo e empatia associadas ao seu grande conhecimento e inteligência o tornaram famoso: ele era capaz de falar de ciência para o grande público. Ele traduzia, de maneira fascinante, ideias complexas, conceitos de física e química, noções sobre o universo e o cosmos para gente que nunca antes tinha ouvido falar disso [2]. Me lembro claramente de um episódio da série Cosmos (1980) onde ele explica a perplexidade dos habitantes de “Planolândia” sendo visitados por um ser esférico (tridimensional) que, para os habitantes daquele mundo formado por triângulos, retângulos e círculos, era invisível quando estava em sua própria dimensão. Ele só era visível quando projetava sua forma nas duas dimensões de “Planolândia”. Grande criatividade!

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Figura 2 – O Dente de Leão (a “nave da imaginação” de Cosmos)

Quando a sonda Voyager estava razoavelmente distante da Terra, Sagan convenceu os cientistas da NASA a virarem as câmeras para Terra – uma última espiada em seu planeta natal. Essa série de imagens serviu de inspiração para uma emocionante narrativa sobre aquele Pálido Ponto Azul [2]:

Olhem de novo para esse ponto. Isso é a nossa casa, isso somos nós. Nele, todos a quem ama, todos a quem conhece, qualquer um dos que escutamos falar, cada ser humano que existiu, viveu a sua vida aqui. O agregado da nossa alegria e nosso sofrimento, milhares de religiões autênticas, ideologias e doutrinas econômicas, cada caçador e coletor, cada herói e covarde, cada criador e destruidor de civilização, cada rei e camponês, cada casal de namorados, cada mãe e pai, criança cheia de esperança, inventor e explorador, cada mestre de ética, cada político corrupto, cada superestrela, cada líder supremo, cada santo e pecador na história da nossa espécie viveu aí, num grão de pó suspenso num raio de sol.
(…)
As nossas exageradas atitudes, a nossa suposta auto-importância, a ilusão de termos qualquer posição de privilégio no Universo, são reptadas por este pontinho de luz frouxa. O nosso planeta é um grão solitário na grande e envolvente escuridão cósmica. Na nossa obscuridade, em toda esta vastidão, não há indícios de que vá chegar ajuda de algures para nos salvar de nós próprios.
(…)
Tem-se falado da astronomia como uma experiência criadora de firmeza e humildade. Não há, talvez, melhor demonstração das tolas e vãs soberbas humanas do que esta distante imagem do nosso miúdo mundo. Para mim, acentua a nossa responsabilidade para nos portar mais amavelmente uns para com os outros, e para protegermos e acarinharmos o ponto azul pálido, o único lar que tenhamos conhecido.

O Universo Racionalista publicou citações de Carl Sagan que traduzem um pouco daquilo que ele pensava. Juntei as frases que eles destacaram a outras que encontrei para que você tenha pelo menos uma vaga ideia do que Carl Sagan pensava.

A ciência é muito mais do que um corpo de conhecimentos. É uma maneira de pensar.

Toda criança começa como uma cientista nata, e então nós arrancamos isso delas.

Um livro é a prova de que os humanos são capazes de fazer mágica.

Nós somos uma maneira de o cosmos se autoconhecer.

Nossa obrigação de sobreviver e prosperar é devida não apenas a nós mesmos, mas também ao cosmos, antigo e vasto, do qual surgimos.

Cada um de nós é, sob uma perspectiva cósmica, precioso. Se um humano discorda de você, deixe-o viver. Em cem bilhões de galáxias, você não vai achar outro.

Diante da vastidão do espaço e da imensidão do tempo, é uma alegria dividir um planeta e uma época com Annie.

Nós somos, cada um de nós, um pequeno universo.

O Universo não parece nem benigno nem hostil, mas meramente indiferente às preocupações de criaturas tão insignificantes como nós.

O céu nos chama. Se não nos autodestruirmos, um dia vamos nos aventurar pelas estrelas.

Toda civilização sobrevivente é obrigada a se tornar viajante espacial, pela razão mais prática que se pode imaginar: manter-se viva.

Uma das grandes revelações da era da exploração espacial é a imagem da Terra, finita e solitária, de alguma forma vulnerável, transportando a espécie humana inteira pelos oceanos do espaço e do tempo.

Às vezes acredito que há vida em outros planetas às vezes eu acredito que não. Em qualquer dos casos, a conclusão é assombrosa.

Se não existe vida fora da Terra, então o universo é um grande desperdício de espaço.

O que é mais assustador? A ideia de extraterrestres em mundos estranhos, ou a ideia de que, em todo este imenso universo, nós estamos sozinhos?

Diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo, é um imenso prazer para mim dividir um planeta e uma época com você.

A ciência não é só compatível com a espiritualidade; é uma profunda fonte de espiritualidade.

Vivemos em uma sociedade extremamente dependente da ciência e tecnologia, na qual pouquíssimos sabem alguma coisa sobre ciência e tecnologia.

Não é possível convencer um crente de coisa alguma.

Para criaturas tão pequenas como nós, a vastidão só é suportável através do amor.

Alegações extraordinárias exigem evidências extraordinárias.

Nós somos poeira das estrelas.

Toda criança começa como um cientista nato.

Se você quiser fazer uma torta de maçã do nada, você deve primeiro inventar o universo.

Nós falamos pela terra

O cosmos é tudo o que existe, existiu ou existirá.

O que fazemos com o nosso mundo, agora, se propagará através dos séculos e afetará poderosamente o destino de nossos descendentes.

A imaginação muitas vezes nos leva a mundos que nunca sequer existiram. Mas sem ela, não vamos a lugar nenhum.

É muito melhor compreender o universo como ele realmente é do que persistir na ilusão.

A beleza de uma coisa viva não são os átomos que estão nela, mas a forma como esses átomos são colocados juntos.

Olhem de novo esse ponto. É aqui, é a nossa casa, somos nós.

Referências

1. [http://www.carlsagan.com/]
2. [http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Espaco/noticia/2015/03/12-reflexoes-que-vao-te-introduzir-ao-pensamento-de-carl-sagan.html]
3. [http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2013/12/8-razoes-pelas-quais-voce-precisa-saber-mais-sobre-carl-sagan.html]

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Categorias:ciência

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