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Donald no País da Matemágica

Em 1959, a Disney lançou um dos melhores curtas de animação já criados – pelo menos com relação ao conteúdo. Donald no País da Matemágica (Donald in Mathmagic Land) é uma aventura através das descobertas matemáticas e de suas aplicações em objetos e conceitos presentes no cotidiano. Vou falar brevemente dessa história e do que me chamou a atenção. Como se trata de um desenho antigo, praticamente todo mundo já viu.

Me pareceu que a história toda era na verdade a representação cômica de uma pessoa outrora leiga que estudou e se maravilhou com o poder da matemática. O início da história é bastante simbólico, com o perdão do trocadilho. Quando Donald entra naquele mundo vindo de seu próprio mundo, ele não percebe que essa escolha não dá margem a um caminho de volta: uma vez que ele optou pelo conhecimento, não há como desaprender aquilo que ele aprendeu. Ou seja, ele nunca mais voltará ao seu “mundo leigo”. Essa ideia fica clara quando sua sombra é projetada à frente, o que nos remete à alegoria da caverna de Platão. Entendi dessa forma porque ele estava confuso e até com um pouco de medo do desconhecido e parecia seguro com sua “muleta”, o rifle, ou melhor, aquilo que ele já conhecia bem e que ainda não era capaz de abandonar para aprender algo novo.

Enquanto Donald se enveredava por “raízes quadradas” e formas geométricas imersas no escuro da falta de compreensão, uma cachoeira de onde desciam algarismos hindu-arábicos se apresenta ao som, aparentemente, do Cravo Bem Temperado, de Bach. Faz sentido, pois essa coletânea de músicas tem acústica e significado matemático além de ser bem agradável aos ouvidos das pessoas envolvidas com as exatas.

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Figura 1 – Cachoeira numérica

Conforme explicado pelo “espírito da descoberta”, foi Pitágoras o primeiro que estudou a música do ponto de vista matemático: ele atribuía pesos às medidas para montar a escala musical distribuída nas oitavas. Os pitagóricos se reuniam secretamente para compartilhar suas descobertas apenas entre os iniciados que eram identificados por um pentagrama e um código secreto. Embora na imagem abaixo Pitágoras esteja apontando para o pentagrama, a figura mais importante que aparece alí é o triângulo retângulo, que está no centro do Teorema de Pitágoras.

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Figura 2 – Os pitagóricos

Um “ser” geométrico, que era uma combinação de um círculo, um triângulo e um retângulo, se apresenta e enuncia os primeiros dígitos do número Pi (Π ou 3,1415926….) como se fosse uma mensagem de boas vindas ao País da Matemática.

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Figura 3 – Um “ser” geométrico

O “espírito” afirma que para entender a matemática, primeiro devemos “arrumar” nossa mente. Precisamos nos livrar das idéias antiquadas, dos preconceitos e de tudo aquilo que possa limitar nosso raciocínio e nosso pensamento crítico e impedir que assimilemos o conhecimento matemático.

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Figura 4 – Uma mente bagunçada

Chama-se a atenção para a presença da matemática nas brincadeiras e jogos mais comuns: a justaposição de quadrados no jogo de amarelinha e os quadrados e círculos que formam uma quadra de basquete. Bastante atenção foi dada ao jogo de bilhar, onde se usam muitos cálculos de ângulos .

O curta traz muitas referências às formas geométricas encontradas na natureza e àquelas obtidas por revolução de eixo, como as esferas e os cones. Seccionando esferas podemos criar lentes para binóculos, lupas, microscópios, etc. Seccionando cones podemos criar certos arranjos de engrenagens, molas e é possível utilizá-los para traçar as órbitas dos planetas. Fala-se da beleza do equilíbrio do número de ouro e da sua relação com a sequência de Fibonacci embora não de forma direta.

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Figura 5 – A faceta matemática das invenções

A mente não conhece limites quando bem utilizada e é apenas lá que podemos conceber a ideia de infinito. Apenas a matemática é capaz de destrancar as portas que encerram novos conhecimento. Para adquirir conhecimentos verdadeiros, devemos confiar mais na razão e na matemática e menos na intuição.

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Figura 6 – O futuro

Discussão

A matemática é uma ciência que estuda objetos abstratos (números, figuras e funções) e as relações entre eles, procedendo por método dedutivo. Em um mundo assombrado pelos demônios, apenas o poder da ciência pode recuperar os valores da racionalidade. Essa era a visão de Carl Sagan – que não era matemático – presente em todo seu trabalho como cientista e divulgador da ciência: da série Cosmos aos livros de ciência, ficção científica e etc. Ele foi o maior divulgador da ciência no século XX e à tornou acessível aos leigos. Vale a pena assistir à nova versão da série Cosmos, que foi apresentada pelo físico Neil deGrasse Tyson.

Os grandes estúdios de animação não produzem mais nada capaz de despertar nas crianças o interesse pela ciência. Venceram os efeitos especiais maravilhosos que mascaram histórias fracas – se não ridículas – que contribuem para a formação de zumbis que não conseguem pensar criticamente e correm o risco de serem cooptados por demagogos que encontram naquelas mentes vazias terreno fértil para implantar uma visão de mundo que é igualitária por fora, mas autoritária e totalitária por dentro.

Hoje, com a hegemonia das esquerdas nas salas de aula, o nivelamento por baixo que pregam – todos devem ser iguais ao pior de todos – e a politização do ensino impedem que as crianças aprendam as matérias básicas ainda que de forma medíocre. Um dia, quem sabe, aqueles que detêm o poder serão capazes de entender a importância para a nação da valorização e do incentivo à ciência e a tecnologia.

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Categorias:Matemática Tags:,
  1. Carol
    04/11/2016 às 8:02 AM

    Recentemente assisti o desenho do Donald no país na Matemágica, na época em que vi pela primeira vez eu era criança e não tinha maturidade suficiente para compreender os exemplos, principalmente o trecho onde explicava as jogadas de bilhar. Ao assistir novamente notei a presença da Sequência de Fibonacci, apesar de não utilizarem esta nomenclatura no desenho (denominavam como “retângulo de ouro”). Sem contar que a presença do Pato Donald tirou o excesso de seriedade que geralmente associamos ao estudo das ciências exatas, ficou uma forma divertida de aprender.
    Gostei 🙂

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