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Os Pilares da Fé

Nesse texto tratarei da fé entendida no sentido genérico de acreditar em alguma coisa, que pode ser um ser superior, imaterial, onipresente e onisciente ou uma ciência. Para acreditar em algo é necessário que ergamos alguns pilares: precisamos adquirir algumas virtudes para sustentar racionalmente aquilo que acreditamos. Essa é uma visão diferente daquela dos religiosos que procuram levantar edifícios tendo a fé por base. Vou tentar demonstrar que esses edifícios estão sendo erguidos sobre areia movediça: qualquer sopro de razão ou de humildade os derrubam, pois não têm a estrutura necessária para permanecerem de pé.

Primeiro, vamos refletir sobre a visão dos pilares. Sempre que pensamos em algo sendo sustentado por pilares, nos vem a mente alguma coisa parecida com a estrutura do Parthenon, um templo dedicado à deusa Atena construído na Acrópole de Atenas, na Grécia Antiga, em V a.c.:

Figura 1 – Parthenon

Note que no Parthenon os pilares estão dispostos lado a lado seguindo o perímetro da fundação e distribuem por igual o peso do teto. Se retirarmos um pilar, os outros dividirão o peso para cumprir a função daquele que faltou: sustentar o teto. Para “sustentar” a fé, essa relação entre os pilares não é boa, pois dá a impressão que a fé se sustenta com a falta de algumas virtudes.

Agora, veja a estrutura da Pont du Gard, um aqueduto construído pelo Império Romano no sul da França no século I a.c.:

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Figura 2 – Pont du Gard

Perceba que os níveis inferiores dão suporte aos níveis superiores e a remoção de uma arcada pode causar o colapso de toda a estrutura. É assim que entendo a fé: uma relação hierárquica entre virtudes que “sustentam” virtudes cada vez mais elevadas e complexas. Uma virtude que está na base tem que ser cada vez mais sólida para sustentar o peso das virtudes de nível mais alto. Essa relação de sustentação é melhor visualizada na forma de uma pirâmide:

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Figura 3 – Pilares

Essa visão não prega tabula rasa: todos têm algumas dessas virtudes mais ou menos desenvolvida. Ao longo da vida, deve-se trabalhar um pouco cada uma delas focando nas da base em um processo contínuo de “realimentação virtuosa”. Focar na aquisição de uma virtude sem ter adquirido ou reforçado os alicerces daquela ou daquelas que a sustentam causa um efeito negativo na formação moral e intelectual. Como será explicado, trabalhar a coragem sem ter adquirido humildade e paciência faz surgir imprudência e impetuosidade.

pilares1

Figura 4 – Pilares sem sustentação

Você pode até trocar a ordem de algumas virtudes (determinação e coragem, por exemplo) e verificar se elas fazem sentido na nova ordem, mas entendo que fé e humildade estão nos lugares certos.

1. Humildade

Virtude daquele que conhece as suas próprias limitações e fraquezas e não tenta se projetar sobre as outras pessoas nem mostrar ser superior a elas. A modéstia e a simplicidade são qualidades do humilde.

2. Paciência

Virtude daquele que tem equilíbrio emocional, tolera erros e fatos indesejados, suporta as dificuldades, espera o momento certo para agir e não é ansioso. Sem humildade, paciência é apenas passividade.

3. Coragem

Virtude daquele que age apesar do medo, do temor e da intimidação. A pessoa sem temor motiva-se a ir mais além. Enfrenta os desafios com confiança e não se preocupa com o pior. O medo pode ser constante, mas o impulso nos leva adiante. Coragem é a confiança que temos em momentos de temor ou situações difíceis; é o que nos faz viver lutando, enfrentando os problemas e derrubando as barreiras impostas pelo medo. Sem humildade, coragem é apenas impetuosidade. Sem paciência, coragem é apenas imprudência.

4. Conhecimento

É ter ideia ou a noção de alguma coisa. É o saber. É a instrução e a informação adquiridas pelo estudo ou pela experiência. Sem humildade, conhecimento é vaidade. Sem paciência, o conhecimento adquirido é raso e incompleto. Sem coragem, novos conhecimentos não são adquiridos e os velhos não são abandonados.

5. Determinação

Determinação é a certeza íntima de direcionamento. Ser determinado é ter metas claras e definidas e uma convicção plena de que irá alcançá-las. A pessoa determinada possui uma vontade inquebrantável de atingir seus objetivos e tira sua motivação dessa fonte inesgotável de energia. Sem humildade, a determinação nos leva a estabelecer metas inatingíveis e pode nos causar muitos infortúnios. Sem paciência, a determinação pára no primeiro contratempo. Sem coragem, não se seguem as metas estabelecidas e não se enfrentam os desafios. Sem conhecimento, não se estabelecem metas claras e não se sabe quando parar e quando prosseguir.

6. Sabedoria

É a capacidade de determinar o melhor caminho a seguir e a melhor atitude a adotar nos diferentes contextos que a vida apresenta. Não é possível ser sábio se não tiver um vasto conhecimento em alguma área, se não tiver tido determinação para aprender, se não tiver tido coragem para enfrentar os desafios da vida, se não tiver tido paciência para passar pelas provações e se não tiver tido humildade para saber que nada sabia e continua sem saber.

7. Fé

É a convicção da existência de algum fato ou da veracidade de alguma asserção. A verdadeira fé só é compreendida por aqueles que ganharam muitos calos erguendo os demais pilares. Sem base moral e intelectual, “fé” é apenas fanatismo.

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