Início > Geral > Millennium

Millennium

Gosto bastante de livros e filmes cujo tema seja a viagem no tempo. É muito interessante refletir sobre os dilemas morais dos viajantes do tempo que têm em suas mãos a possibilidade de alterar acontecimentos do passado da humanidade ou do passado deles próprios. Em várias histórias, demonstra-se de forma acidental as implicações do Paradoxo do Avô como na ótima trilogia De Volta Para o Futuro. Nessa busca por histórias sobre viagem no tempo, com alguma frequência esbarro em algumas bem ruins, como foi o caso de Millennium.

Millennium still 6_{6bd52866-a5c7-e511-9442-0ad9f5e1f797}_lg

Nessa história, a humanidade enfrentava um grande problema mil anos no futuro: os seres humanos perderam a capacidade de reprodução. Com o risco iminente de desaparecimento da raça humana, uma equipe especializada fazia incursões no passado para resgatar e levar para o futuro os passageiros dos vôos que terminariam de forma trágica antes que os acidentes ocorressem. No lugar desses passageiros, os viajantes do tempo implantavam clones sem mente e os caracterizavam com utensílios e demais objetos pessoais dos passageiros “resgatados”. Esse “resgate” me lembrou o filme Freejack, que tem a participação do “grande ator” Mick Jagger.

O curioso é que mil anos no futuro permitiram a criação de autômatos quase humanos, viagens no tempo e cópias genéticas de seres humanos, mas parece que não houve tempo suficiente para resolver o principal problema que nossos descendentes estavam enfrentando: reprodução. A única explicação para esse insucesso tecnológico tem a ver com algum evento inesperado ou uma combinação de variáveis que causaram a esterilização em massa. Seja o que for, certamente ocorreu em um curto espaço de tempo, o que explica o desespero para repovoar a Terra e o simples fato de ainda existirem humanos daqui a mil anos, pois logicamente eles são nossos descendentes.

Voltando para a história, Bill Smith, interpretado por Kris Kristofferson, era um investigador de desastres aéreos que foi encarregado do último acidente com um 747. Engenheiros mostraram a ele relógios digitais das vítimas que estavam decrementando o tempo segundo a segundo – estavam retrocedendo o tempo. Um cientista tinha a posse de um artefato esquecido por um viajante do tempo, o que o levou a formular a hipótese convergente que intrigou o investigador. Em várias ocasiões, uma mulher – uma viajante do tempo – onipresente e aparentemente onisciente tentava dissuadi-lo de sua investigação, pois cada passo dado gerava um paradoxo que causava impacto direto no futuro na forma de timequakes. Esses timequakes também não faziam muito sentido na história, pois se materializavam como tremores de terra, mas não causavam nenhuma alteração naquele futuro. De acordo com a teoria do multiverso, uma alteração no passado geraria uma nova linha do tempo mantendo intacta a linha original.

MV5BMTgyMTY4NDk4NV5BMl5BanBnXkFtZTcwNzYxNDc0NA@@._V1_SX640_SY720_

Em muitos dos filmes com essa temática, os personagens se policiam para não causar paradoxos. Alguns desses personagens são até taxativos: não temos o direito de alterar a história. Porém, entendo que a simples aparição de um viajante do tempo, mesmo que seja mero espectador, já causa alteração na história: ele ocupa lugar no espaço, ele deixa células da pele no ambiente, ele respira e até tira fotos:

ku-xlarge-6-600x494

Por fim, a viajante do tempo leva Bill para o futuro. Essa ação potencializou um timequake, que se tornou devastador. Antes da destruição do mundo, o casal atemporal é enviado para um passado remoto dando a impressão de um recomeço no estilo Adão e Eva. Para reforçar essa impressão, o robô Shelldon, que era uma mistura macabra de Homem de Lata e C-3PO, proferiu uma adaptação da famosa frase de Winston Churchill – essa frase foi dita originalmente após a primeira vitória aliada contra os nazistas em El Alamein no norte da África – fazendo com que o velho Primeiro Ministro Britânico rolasse no túmulo:

Esse não é o fim. Esse não é o início do fim. Esse é o fim do início.

Mill10

Anúncios
  1. Nenhum comentário ainda.
  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: