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Não Siga Sua Paixão

Esse é um texto “desmotivacional” escrito especialmente para que você reflita sobre a relação entre aquilo que você gostaria de fazer e aquilo que você é capaz de fazer. Mike Rowe apresentou vários insights que ele chamou de “Verdades Sujas”, ou seja, aquelas que ninguém quer ouvir. Por isso mesmo, começo com uma provocação: você acha que sua paixão é o suficiente para ter sucesso na vida?

Tenho certeza que você já ouviu os clichês que são partes integrantes dos discursos das pessoas que recebem prêmios: “não deixe ninguém lhe dizer o que fazer!” e “nunca desista do seus sonhos!” dizem elas. É importante ter paixão, sonhar e se esforçar, mas é estranho dizer a alguém para nunca desistir dos seus sonhos sem saber qual é o sonho da pessoa. E se ela sonha em se matar ou em matar alguém?

Essas são frases clássicas da auto-ajuda. Leandro Karnal faz uma crítica a auto-ajuda: “se chama auto-ajuda porque ajuda o autor do livro”. Todas as frases da auto-ajuda estão relacionadas ao indivíduo, ao eu. Basta pensar que acontece, pois o “eu” pode tudo. Karnal afirma que apenas crianças e esquizofrênicos acreditam que o discurso cria; que o pensamento se materializa. Em seguida, ele desconstrói essa afirmação propondo que o autor do livro de auto-ajuda se atire de um prédio e pense positivamente e com firmeza que pode voar. Em poucos segundos de “terapia aérea”, o autor do livro concluirá que Newton é mais forte, pois ele perceberá que estará sendo atraído para o centro da Terra – ou, segundo Einstein, viajando no espaço-tempo – independente da intensidade do pensamento positivo ou negativo.

Não há relação entre sua paixão e as habilidades necessárias para realizá-la. Só porque você tem uma paixão não significa que você é bom naquilo. No caso de hobbies não há problema algum em você perseguir uma paixão como esquiar, jogar futebol e tocar piano, mas quando se trata de sobrevivência no mercado de trabalho, deve-se ter uma atitude diferente.

Um diploma não implica encontrar o emprego dos sonhos mesmo porque é lá que eles estão: no mundo das ideias. Aguardar o emprego dos sonhos ou perseguir paixões te impede de ver várias oportunidades reais que se apresentam e desenvolver uma paixão genuína pelo trabalho que você já tem.

Sua felicidade no trabalho tem pouco a ver com o trabalho em si. Mike Rowe afirma que entrevistou muitas pessoas que alcançaram o sucesso em suas respectivas áreas e ouviu basicamente a mesma história: “olho ao redor para ver para onde todas as pessoas estão indo e então sigo o caminho oposto. Vou bem no meu trabalho, prospero e percebo que essa se tornou minha paixão”. Essas pessoas seguiram oportunidades que se apresentaram e como resultado prosperaram.

O sucesso depende de uma relação complexa de muitas variáveis que interagem – a própria paixão, esforço, estudo, maturidade, sorte, etc. Por isso, nunca siga sua paixão, mas sempre leve-a com você.

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