Início > Atitude > A Nova Vítima da Ditadura do Politicamente Conveniente: O Paulistano

A Nova Vítima da Ditadura do Politicamente Conveniente: O Paulistano

E mais uma vez São Paulo vira refém de uma minoria. Dessa vez, é a minoria contrária ao uso das sacolas plásticas utilizadas para trazer as compras feitas nos super mercados, o que forçará os paulistanos a comprar sacolas para carregar as compras e para descartar o lixo:

Sancionada pelo então prefeito Gilberto Kassab, a lei municipal 15.374 vetava a distribuição das sacolinhas a partir de janeiro de 2012. Em junho de 2011, o TJ suspendeu a proibição. A Prefeitura recorreu, mas em 2013 a decisão foi ratificada pela Justiça. O sindicato agora poderá recorrer da proibição apenas no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Fonte: Justiça paulista considera legal proibição de sacolas plásticas

‘Conforme dados da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), o banimento das sacolas plásticas dos supermercados vai acarretar aumento de 146,1% no custo mensal das famílias com embalagens’, disse José Ricardo Roriz Coelho, presidente do Sindiplast.

Fonte: Justiça paulista considera legal proibição de sacolas plásticas

Essa lei vem do mesmo “saco” de onde foi tirada a brilhante ideia de que o paulistano precisava de ciclofaixa mesmo que ele não soubesse disso. Essa última foi parida pelo iluminado Fernando Haddad, o “maníaco da ciclofaixa”, que é provavelmente o prefeito mais incompetente que São Paulo já viu. Suas ideias para nossa cidade são comparadas a duas rodas puxadas por quatro patas. Parabéns para quem ajudou a colocar ele lá.

O “saco” do qual me refiro é o do politicamente conveniente – termo mais preciso do que politicamente correto – que dia após dia enche o nosso saco. O finado Alborghetti diria:

Tô com o saco na garganta!

O politicamente conveniente é uma doença que está se enraizando em nossa cultura. Ela vem com aquele ranço autoritário do pensamento igualitário e se manifesta pelo medo: temos medo de nos expressar contra o pensamento corrente; temos medo de fazer humor, pois podemos ser tratados como preconceituoso; temos medo de não separar o que é de plástico do que é de papel para reciclagem; temos medo de dizer que não nos importamos com as crianças que passam fome na África. Sobre esse último ponto, antes que alguém me julgue, lembre-se de que todos conhecem alguém que está precisando de alguma coisa material, uma palavra amiga ou um apoio moral. Fazendo um pouco por alguém que está passando por um momento difícil já é o suficiente para melhorarmos o mundo.

Não concordo com a retirada das sacolas plásticas. De forma geral, não concordo com nenhuma postura autoritária e ainda mais quando ela vem do pensamento politicamente conveniente, que visa atender aos anseios de uma minoria em detrimento da maioria. Afinal, o que é uma ditadura senão o governo de uma minoria? Durante o curto tempo em que vigorou a lei, os paulistanos foram obrigados a comprar sacolas mais resistentes para carregar as compras, sacolinhas plásticas para descartar o lixo e a quase se digladiarem por caixas de papelão, que rapidamente acabavam.

Acho que essa lei ataca o efeito e não a causa. A Prefeitura acha que o grande vilão é a sacola plástica, mas esquece que ela só polui porque alguém a descarta indevidamente; ela só polui porque a Prefeitura, que é responsável pela coleta de lixo na cidade, só se preocupa em reciclar cerca de 1% do lixo; ela só polui por que o Estado tem leis que garantem acesso a educação a todos os brasileiros, mas não se interessa em conscientizar a população sobre como proceder com o descarte do lixo.

Parabéns para a Prefeitura de São Paulo por mais uma vez atuar contra a maioria dos paulistanos e a forçá-los a mudar suas rotinas sem atacar as causas dos velhos problemas e causando novos problemas!

Anúncios
  1. Rodrigo
    15/10/2014 às 10:42 PM

    Somado à tudo isso, ainda há todo um esquema para fazer com que você, cidadão, se sinta o único responsável pelos problemas que daí vão decorrer. A máfia das grandes redes, por sua vez, tem todo o interesse, é claro, de retirar esse custo de suas operações. A municipalidade, pra variar, não vai dar cabo de todas as ações que deveriam ser sua obrigação, e que você listou muito bem no final do texto. Infelizmente estamos fadados a sempre pagar o preço que outros deveriam pagar, ou melhor: pagamos duas vezes. Já pagamos de cara (e caro) no paraíso da tributação, e pagamos novamente quando é preciso compensar o trabalho (ou sua falta) de alguém que não assumiu suas responsabilidades (e ai de nós se não arcarmos com todas as nossas!), tristeza refletida ainda na (im)prestação dos serviços públicos.

  2. 18/10/2014 às 10:29 AM

    A livre concorrência com igualdade perante a lei, mediação de conflitos pelo Estado – única atuação válida deste, pois é embasada em leis claras – e diminuição da carga tributária naturalmente diminuirão a tendência à formação de cartéis como forma de proteção contra a sanha de um Estado populista. Para sobreviver, um estabelecimento comercial deve inovar. Caso contrário, é justo que seja atropelado por um concorrente mais criativo e arrojado. Muita gente é contra a retirada das sacolas plásticas. Ora, por que os estabelecimentos comerciais não poderiam simplesmente oferecer sacolas como opcionais? Pensando bem, já é assim. Por que alguns estabelecimentos mais requintados não poderiam escolher retirar as sacolas e adaptar suas estratégias de negócio para uma linha ecológica? Uma ou outra escolha visa atingir certo público. Enfim, precisamos de menos Estado ditando cada pormenor de nossas vidas.

  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: