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Quem é o Culpado Pelos Nossos Problemas?

Véspera da abertura da Copa, saindo do trabalho e conversando com um colega enquanto nos dirigíamos ao Metrô. Falávamos sobre política, greve dos metroviários, manifestações na Paulista, etc. No meio da conversa, afirmei que a culpa de tudo que estava acontecendo era do PT. Meu colega discordou veementemente e alegou que a culpa era das pessoas que votaram nesse partido. Como não gosto de discutir com colegas para não causar uma situação constrangedora, acenei com a cabeça e mudei de assunto.

Aquele colega não estava errado quanto à raiz do problema, mas em se tratando de Brasil, não podemos afirmar que o problema é o próprio brasileiro e ranger os dentes. As pessoas são e sempre foram as mesmas e não vão mudar suas opiniões de forma notável sobre assuntos tão polêmicos quanto política e futebol por mais que evidências contrárias às suas convicções se apresentem. Demoram-se décadas e algumas gerações para se alterar uma característica cultural de um povo – vide “jeitinho brasileiro”.

Como as pessoas não vão mudar em uma velocidade visível, não é correto atribuir culpa à elas. A culpa tem que ser atribuída ao espertalhão da vez, que se aproveita da inferioridade cultural e da memória curta do brasileiro para se apresentar como monopolista das virtudes utilizando um discurso populista e mentiroso que visa apenas ganhar os votos que precisa para ganhar o poder. O espertalhão da vez é o PT e em particular o Lula, o apedeuta – essa expressão é bastante utilizada pelo Reinaldo Azevedo da Veja.

Aqui abro parênteses para perguntar para mim e responder para você: por que não afirmei que o espertalhão se aproveita da falta de dinheiro das pessoas, o que seria mais óbvio? Porque ser pobre não é motivo para ser ignorante, ladrão, vagabundo ou tudo isso junto, como sindicalistas e em particular aqueles vinculados ao PSTU. Estou afirmando que você só é um coitado se deliberadamente entregar sua liberdade para um partido totalitário sem vergonha.

Quando era um país de hegemonia católica, Deus era bastante acionado para prover todas as necessidades – inclusive se alguém quisesse ganhar na loteria! O problema é que essa dependência – aqui não questiono religião – fez do brasileiro um povo extremamente paternalista. Hoje, Deus foi substituído pelo Estado, que é um papai todo poderoso e assistencialista. Parece que o brasileiro não confia em si mesmo. Se fosse possível, o brasileiro depositaria até o fornecimento do ar que respira nas mãos do Estado, que consequentemente criaria um Bolsa Oxigênio, mas é melhor não dar idéias.

Sempre que há um problema relacionado à segurança, transporte, educação e saúde, o mais comum é que se afirme: “alguém deveria fazer alguma coisa!”. Essa indireta, que na verdade tem destinatário, é captada pelo Estado populista que assume o papel do representante do povo e começa a inchar para atender a essas necessidades. Com o tempo, a má fé dos poderosos por trás da estrutura estatal influencia a criação de leis para mudar as regras do jogo democrático e se perpetuar no poder.

Leis são debatidas no Legislativo, que faz suas emendas, mas governos bolivarianos como o nosso preferem decretos, que ganham força de lei sem passar pelo Legislativo. Isso é bem típico das tiranias. A mais nova boçalidade da presidente Dilma Rousseff é a Política Nacional de Participação Social, que basicamente fará com que o Executivo, patrulhado por “representações sociais” e em particular “movimentos sociais”, passe uma rasteira no Legislativo e forçará todo o brasileiro a ser um militante político para não ser considerado um cidadão de segunda classe. Alegando representar os interesses do povo e a reparação de erros históricos para com as minorias, ela quer instituir a ditadura indireta através da democracia direta.

Por que você e eu, leitor amigo, não resolvemos os conflitos e interesses que se apresentem formando associações para ganharmos representação política? Simples: porque você e eu trabalhamos para pagar as contas, inclusive as contribuições sindicais que se transformam nos salários dos “vagabundos profissionais”, temos que levar nossos filhos à escola e ao hospital e temos que continuar estudando para não ficarmos fora do mercado. Enfim, não temos tempo ocioso durante nossa rotina semanal para militar. Quem tem tempo para militar são os moleques que não trabalham nem estudam e são bancados pelos pais. Por isso, a democracia representativa que existe hoje é a mais adequada.

Para finalizar, não dá para discordar do meu colega, mas se nos aprofundarmos demais na análise da causa raiz, damos menos importância para o aqui e o agora e abrimos espaço para a ação de máfias políticas que ganham o poder de forma democrática para destruir os pilares da democracia atuando de dentro para fora tal como vermes.

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  1. Priscilla De Andrade
    29/07/2016 às 11:39 PM

    Você é muito inteligente
    E esforçado 🙂

  2. 30/07/2016 às 5:35 PM

    Olá Priscilla. Obrigado pelo elogio, mas não me acho inteligente. Na verdade, relendo esse texto dois anos depois acho até que ficou bem ruim, rs. Abs

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