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Adapte e se Adapte

Esse é um post do tipo não me orgulho disso. Acho que as experiências ruins são mais proveitosas que as boas para nosso amadurecimento como pessoas e como profissionais. Por isso, vou compartilhá-la com você.

Dificuldade de Adaptação

O mês que passou foi um dos mais difíceis da minha carreira. Com a troca da gerência do projeto, o processo definido por nosso time e para nosso time foi destruído, assim como o próprio time, porque fomos divididos em dois grupos com objetivos diferentes. A passividade de minha postura, motivada por alguns desentendimentos com a gerência, se tornou nociva para o projeto, pois adotei uma atitude mental do tipo “vou fazendo e não vou mais opinar; meu salário é o mesmo”.

Minha nova gerente percebeu que não comprei as idéias dela e que havia desistido, informalmente, de agir como um líder, pois não poderia quebrar a confiança que meus colegas tinham em mim; eu não estaria sendo sincero se tentasse convencê-los a aceitar algo do qual eu mesmo não acreditava. Depois de uma longa conversa com ela, prometi mudar minha postura e encontrar uma forma de adaptar o que fazíamos ao que ela me provou ser o mais  importante naquele momento do projeto, dessa forma aumentando a integração entre a equipe de desenvolvimento e a equipe de testes.

Era Tudo Estresse

Lendo bem por cima o artigo 5 Ways to Reduce Workplace Stress, me surpreendi ao entender que tinha vários dos sintomas do estresse no trabalho.

O autor chama a atenção para aquela sensação de que as coisas não estão indo bem; uma percepção de que há algo errado, mas temos apenas uma vaga idéia do que seja. Criamos, em nossa mente, um ambiente que nos faz sentir pouco ou nada importantes. Ele afirma que o estresse no trabalho é motivado por uma perda ou uma sensação de perda de controle, que acarreta graves consequências para o indivíduo:

  • Pessoas estressadas não raciocinam bem
  • Pessoas estressadas processam a linguagem com eficiência
  • Pessoas estressadas não têm boa memória
  • Pessoas estressadas não generalizam ou não adaptam velhos pedaços de informação a novos cenários tão bem quanto pessoas não estressadas
  • Pessoas estressadas não conseguem se concentrar
  • Estresse crônico abala nossa habilidade de aprender

A palavra estresse é utilizada hoje no sentido negativo para indicar desgaste físico ou emocional. Além dos aspectos psicológicos citados, o estresse também compromete nossa integridade física.

Do ponto de vista fisiológico, são necessários pelo menos um agente estressor (como responsabilidades, problemas cotidianos, etc) para exiger do indivíduo uma reação adaptativa; a essa reação se dá o nome de coping (lidar). Tais reações de coping podem ser funcionais ou disfuncionais, conforme cumpram ou não sua função na superação da situação na adaptação a ela.

A Síndrome Geral da Adaptação é uma teoria que afirma que:

O organismo reage à percepção de um estressor com uma reação de adaptação (ou seja, o organismo se adapta à nova situação para enfrentá-la), o que gera uma momentânea elevação da resistência do organismo

Uma reação de alarme é seguida de um estágio de resistência e por fim um estágio de esgotamento físico. Acho que cheguei muito perto do estágio de esgotamento não apenas físico, mas mental

Em Busca de Uma Postura Ágil

Meu estresse foi causado por uma dificuldade de adaptação às mudanças, o que faria com que qualquer iniciativa ágil caísse por terra. Dizem que para vencer o estresse, precisamos, dentre outras coisas, relaxar, nos alimentar corretamente e ter um hobby. De forma mais geral, precisamos nos encher de novos valores.

Para esse recomeço, fui buscar um pouco de inspiração na fonte, o Manifesto for Agile Software Development. Ele afirma que “responder às mudanças é mais importante do que seguir um plano”. Dois dos princípios do manifesto expandem esse valor:

Aceitar mudanças de requisitos, mesmo no fim do desenvolvimento. Processos ágeis se adéquam a mudanças, para que o cliente possa tirar vantagens competitivas

Em intervalos regulares, o time reflete em como ficar mais efetivo, então, se ajustam e otimizam seu comportamento de acordo

O Manifesto for Software Craftsmanship parece ter uma síntese de alguns valores ágeis:

Não apenas responder às mudanças, mas também adicionar valor em um ritmo constante

Atualmente, estamos estabilizando uma versão (corrigindo bugs) para apresentação ao cliente, pois não podemos contar com sua colaboração como parte do time – o contrato foi fechado assim e não vai mudar. Nosso trabalho já era orientado a casos de teste, mas agora propus a adoção de dois kanbans justapostos: um para gerenciar atividades de teste e outro para gerenciar o desenvolvimento.

Esse processo é orientado a tarefas, o que é ruim para motivação da equipe. O que propus é apenas um paliativo enquanto penso em algo mais sólido e mais motivador, inclusive para mim. O Lean parece ser uma boa fonte, principalmente no que diz respeito à eliminar gastos, mais poder para o time, maximizar aprendizado e integridade conceitual do software.

Conclusão

Mais importante do que ter um processo bonito é entregar software funcionando o mais rápido possível para não abalar o valor transformativo do produto perdendo a vantagem competitiva que nosso cliente almejava.

Minha postura recente contradisse muito do que afirmo, reafirmo e ratifico nesse blog sobre postura profissional, por isso, peço desculpas a quem me lê e a meu time.

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  1. 03/01/2011 às 9:53 PM

    Muito bom o post. É uma virtude reconhecer as atitudes, principalmente quando você mesmo as considera “erradas”. Você é um ótimo profissional que tive o prazer de trabalhar por algum tempo. Caso não tenha lido ainda, dê uma olhada no livro Liderança Radical de Steve Farber. Abs

    • 04/01/2011 às 6:46 AM

      Valeu, Danilo. Li o seu post “Mude seu mundo”. A proposta desse livro é bem o que preciso para começar a ver as coisas com mais clareza. Abs.

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