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Criticar É Fácil, Raciocinar É Difícil

Recentemente, recebi uma crítica a um artigo publicado no ano passado intitulado Certificação de Analista de Sistemas. Críticas e sugestões são muito bem vindas para melhorarmos nosso conteúdo, ratificar ou abandonar uma idéia, mas desde que essas críticas sejam bem embasadas.

Critique Suas Críticas Antes Que Outra Pessoa o Faça

Naquele artigo, opinei sobre um projeto de lei que visava regulamentar a profissão de analista de sistemas. Me posicionei contra essa lei argumentando que ela visava criar cabides de emprego e favorecer os profissionais de baixa qualidade, mas diplomados. Além disso, afirmei e expliquei que desenvolvedores de software estão mais próximos do artesanato do que da engenharia. Sobre essa última parte, um leitor do blog afirmou:

Absurdo! Jamais contrate alguém que pensa assim a não ser se o software por ele desenvolvido não seja para nada sério

O problema não é a crítica em si, mas sim a falta de argumentos. Eu diria que é muito fácil afirmar que se gosta de azul porque é uma cor bonita e ainda mais fácil afirmar, ao ser questionado sobre o porquê de se gostar de certo time de futebol em detrimento de outros: por que sim!

É muito fácil lançar uma idéia vazia no ar. Por exemplo:

Gosto de orientação a objetos porque é legal

E daí? Ou pior ainda:

Odeio COBOL porque é muito antigo e não é orientado a objetos!

A palavra “porque” marca o início de uma explicação, mas nos exemplos citados ela está longe de ser plausível. Uma pessoa muito famosa que lança idéias e ideais aos quatro ventos é o cantor Bono Vox. Em uma ocasião, ele disse algo como:

Povos da América do Sul, vocês precisam de unir!

Mas para fazer o que? Caridade? Guerra? Contrabando? Sem justificativas, são apenas palavras vazias usadas para manobrar pessoas sem senso crítico.

Em Citroen, Mais Um Caso de Descaso, conto minha experiência ao colidir contra o processo de atendimento ao cliente da Citroen do Brasil. Expliquei porque não concordava com o processo deles e dei sugestões para melhorá-lo. Também descobri que estava amparado pelo Código de Defesa do Consumidor e o citei para embasar minha crítica.

Se É Subjetivo, Torne Objetivo

A orientação a objetos é um paradigma de desenvolvimento de software que melhora nosso entendimento do problema. Melhorar é uma palavra subjetiva, ou seja, que não pode ser medida sem a aplicação de algum critério objetivo. Da mesma forma, o trabalho de um artesão é fruto, dentre outras coisas, de sua criatividade. E como se mede criatividade? Dentre outros critérios, pela singularidade, o que é natural uma vez que não existem duas pessoas que compartilhem o mesmo cérebro e sejam capazes de produzir o mesmo conhecimento.

Isso implica que dois artesão não produzirão uma obra idêntica, mesmo que estes sejam irmãos, criados juntos durante toda a vida e tenham tido a mesma formação artística. De forma análoga, dois desenvolvedores de software nunca produzirão o mesmo software.

E Para Concluir

Ao criticar uma idéia, esteja bem preparado para a contra-argumentação.

Quem não se comunica se trumbica. (Chacrinha)

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  1. Marcos Miguel
    08/06/2010 às 5:17 PM

    Rodrigo,
    Além de curiso e interessantíssimo o artigo é também questionador, principalmente a comparação da profissão de analista de sistemas com o artesão.
    “desenvolvedores de software estão mais próximos do artesanato do que da engenharia.”
    Antes de lhe fazer meu questionamento, concordo com você quando coloca as palavras de Fábio Akita de que” bons profissionais não são formados. Bons profissionais se formam… “ e também concordo que o analista, o bom analista vai se apurando com a experiência e quando compara nossa lógica com o artesanato, confesso que fiquei ainda mais orgulhoso de ter escolhido esta profissão e de estar sempre buscando um aperfeiçoamento nela.
    Também sou contra o referido projeto de lei, ainda mais da forma com foi arquitetado, pois realmente ele apenas prejudicaria os profissionais atuais e abria ainda mais as portas para migração de profissionais de outras áreas para TI, até mesmo porque creio o mercado de TI já esta muito bem encaminhado para termos ou não credibilidade de cada profissional. Porém sou a favor das certificações, pois o mercado valoriza, busca e incentiva a certificação e destaca aqueles que os possuem e isso é ótimo para o bom profissional que sempre busca aperfeiçoar suas capacidades e ainda serve como medidor e referencia do profissional com mercado e atualidade, mas somente a certificação não garante a permanência desse profissional em sua colocação pois o mercado vai exigir as competências que as certificações confirmam eu ter, ou seja, o bom profissional é valorizado novamente e mesmo se ele não tiver a certificação mas obtiver as competências a falta do destaque dadas pelas certificações acredito não irão prejudicá-lo. E essa Rodrigo, é a minha primeira pergunta. Você acredita que o mercado valoriza mais as certificações, competências ou as duas juntas?

  2. 08/06/2010 às 11:38 PM

    Olá Marcos,

    Obrigado pelo comentário. Fico feliz quando noto interesse nos artigos que escrevo. Esse artigo em particular não tem novidade. Mesmo a comparação entre programadores e artesãos é antiga. Antes de responder sua pergunta, quero definir habilidade e competência.

    Por definição, habilidade está associada ao saber fazer; é uma ação física ou mental que indica a capacidade adquirida. Gosto de pensar que habilidade é conhecimento na prática. A competência é a capacidade da pessoa em mobilizar suas habilidades (saber fazer), seus conhecimentos (saber) e suas atitudes (saber ser) para solucionar determinada situação ou problema. É necessários um conjunto de habilidades (síntese, análise, organização, etc) para compor uma competência (analista, desenvolvedor, arquiteto, professor…).

    Possuir uma certificação ou um diploma não implica possuir competência e, por conseguinte, não implica possuir todas as habilidades necessárias para exercer uma função. Alguém recém-formado em sistemas de informação está automaticamente apto a integrar uma equipe de desenvolvimento de software? Provavelmente não.

    Já vi casos de pessoas graduadas com louvor em cursos de tecnologia da informação que se mantiveram apenas alguns meses no mercado de trabalho e acabaram se enveredando por outras áreas. Alguns recomeçaram toda a jornada desde o vestibular. Isso ocorreu porque descobriram tardiamente que não possuíam o conjunto de habilidades ou faltava alguma habilidade essencial das quais precisam em seus empregos. É provável que as famílias dessas pessoas incentivassem ou até exigissem que elas seguissem determinada carreira. Como navios à deriva, aceitaram o rumo da maré e acabaram colidindo com os rochedos da falta de competência.

    Agora sim, respondendo sua pergunta, acredito que ainda hoje as empresas valorizem mais os candidatos a vagas que possuam mais certificações e graduações, infelizmente. Todavia, pagam caro por essa política de contratação quando esses novos funcionários começam a produzir software de má qualidade. Quando o software começa a “apodrecer”, as empresas iniciam a contratação de desenvolvedores experientes não ligando muito para sua formação escolar ou certificações. Certificações deveriam ficar em segundo plano. Um dos melhores desenvolvedores com os quais já trabalhei é formado em Física. Outro sequer possuía diploma de graduação ou certificações, mesmo assim era um profissional muito competente.

    Não sou contra as certificações, mas sou muito cético para utilizá-las como confirmação de uma competência. Pode-se até colocar uma certificação como pretexto de estudo, mas o objetivo a ser alcançado é o conhecimento, que é o precursor das habilidades que um profissional competente deve ter.

  3. 10/05/2013 às 10:38 PM

    O fato de um programador de software ser comparado a um artesão não o desmerece em nada! É um elogio. Parabéns pelo post.

  4. 12/05/2013 às 8:52 PM

    Obrigado, Ecio. Acredito que nossa profissão ainda não é madura o suficiente para ser determinística, como a engenharia civil, por exemplo, que está aí há milhares de anos. Quando estamos definindo arquitetura, nomeando classes, métodos, variáveis ou o que quer que seja, estamos utilizando nossa criatividade. Quando nos relacionamos com clientes, gestores ou com outros desenvolvedores, estamos fazendo uso da nossa empatia. O ponto é que desenvolvimento de software tem várias pontas que se desprendem da engenharia e flertam com as ciências humanas. A comparação com o artesanato é uma forma de demonstrar que algo que é produto da interação entre pessoas e que está embebido em criatividade é único e não pode ser reproduzido.

  1. 03/01/2017 às 6:24 AM

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