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Convivendo Com os Bugs

Em conversa recente com um antigo colega, surgiu o seguinte axioma:

Um bom software sempre tem bugs!

Inicialmente, como não poderia deixar de ser, fiz brincadeiras e disse que ligaria para o chefe dele. Até fizemos uma charge satirizando essa história:

Soa estranho, não? Entre técnicos, bugs às vezes são tratados de forma corriqueira e até chata, mas fico imaginando a reação de um diretor ou mesmo do presidente da empresa quando alguém usa esse argumento para justificar alguma coisa.

Depois desse momento cômico, comecei a pensar melhor no assunto e cheguei a conclusão de que a afirmação desse colega não é equivocada. Qualquer software em que possamos pensar possui bugs. Até nosso querido JSE, entre um release e outro, pode apresentar defeitos no HotSpot.

Brooks afirmou que o custo de manutenção de um grande programa é tipicamente 40% maior que o custo de seu desenvolvimento. Ele também constatou que este custo é fortemente afetado pela quantidade de usuários: “More users find more bugs”.

Se nos propusermos a imaginar todo e qualquer possibilidade de uso combinado das funcionalidades de um software, perdemos o time to market. Um usuário, mais cedo ou mais tarde, sempre encontra um defeito realizando uma operação não prevista.

Tendo a possibilidade de lançar um produto que se tornará precursor de vários spin-offs, há maior preocupação em correção de bugs, ainda mais se for uma aplicação crítica, mas mesmo assim eles estarão inclusos no pacote.

Mesmo sabendo disso, não devemos deixar de lado testes unitários e políticas de garantia de qualidade. Em outras palavras, devemos aceitar a existência dos bugs em produtos finais da mesma forma que aceitamos a iminente queda de cabelo: nunca deixando de usar xampu.

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  1. Roberto
    24/04/2010 às 1:19 PM

    Bugs são inerentes a qualquer software, isto é fato.

    A questão, no caso, é se um “BOM software tem bugs”. Isso é uma contradicão, uma vez que, se o software é bom, deve ter POUCOS bugs (como falei, todo software tem bugs, sem excecão)

    Outra questão é se o desenvolvedor já tem essa premissa na cabeca (software PODE ter bugs), inconscientemente ele vai “afrouxar” a qualidade.

    Assim sendo, ainda sou da política de “O software NÃO DEVE ter bugs”.
    Bugs devem ser excecões, não a regra

    • 25/04/2010 às 1:05 AM

      Concordo que estar ciente da existência de bugs não deveria implicar em “afrouxamento” da qualidade.

      O problema não é o bug identificável através de testes unitários ou testes controlados de cenário, mas sim aquele que aparece depois de algum tempo de operação do software. É extremamente caro construir um sistema à prova de usuário.

      Portanto, “todo software TEM bugs” e o “BOM software TEM POUCOS bugs”.

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