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Certificação de Analista de Sistemas

Mais de uma vez ouvi falar da existência de uma proposta para regulamentação da profissão de Analista de Sistemas. O texto integral da lei pode ser lido aqui.

Acredito que essa certificação serve apenas para criar empregos para pessoas ociosas e frear o desenvolvimento tecnológico no nosso país impedindo profissionais qualificados de atuar e dando passagem a diplomados desqualificados, que devem ter ficado muito contentes, pois agora serão protegidos por leis.

Sou cético com relação a certificações em geral e a essa em especial principalmente devido a justificativa para sua existência, que é baseada em um uso errado da lógica:

Se um médico comete um erro, um paciente morre. Se um programador comete um erro, um avião cai. Se engenheiros e médicos precisam de diploma (competência) para exercer suas profissões, por que programadores e analisas não precisariam?

Esse argumento me lembra a piada do livro sobre lógica:

O Manoel vai passando em frente a uma livraria e vê um amigo saindo com um livro debaixo do braço.
– Que livro é esse? – ele pergunta, curioso.
– Um livro sobre lógica!!
– Lógica! O que é isso?
– Eu vou te dar um exemplo. Você tem aquário em casa?
– Tenho!
– Então, se você tem aquário em casa, logicamente tem água dentro!
– É, tem sim!
– Se você tem aquário e ele tem água, logicamente tem um peixe dentro!
– Acertou de novo!
– Se você tem um aquário com água e peixes, é provável que você tenha uma ou mais crianças em casa.
– Sim, tenho dois filhos!
– Se você tem filhos, logicamente, você não é gay! Entendeu, Manoel?
– Entendi! Que legal!
E fica tão entusiasmado que acaba comprando um exemplar também. No caminho encontra um outro amigo que lhe pergunta:
– Que livro é esse, Manoel?
– É um livro sobre lógica!
– Lógica! O que é isso?
– Eu vou te dar um exemplo, você tem aquário em casa?
– Não!
– Então, logicamente, você é um gay!

Medicina e engenharia tiveram milhares de anos de erros e acertos. As primeiras pirâmides não tinham o formato que conhecemos. Houve muita experimentação até que essa profissão criasse um body of knowledge amplo.

Desenvolvedores de Software não podem e nem devem ser comparados a médicos ou engenheiros. Se fosse possível definir com exatidão um software antes que ele fosse construído, as fábricas de software não seriam o fracasso que são; empresas orientadas a CMMi, ISO, Spice e similares cheias de PMPs seriam referências no desenvolvimento de software e não buracos negros que sugam os investimos e lançam a luz das iniciativas e talentos individuais no limbo.

Um antigo professor de Engenharia de Software afirmava que software era obra de engenharia; o software deveria ser submetido ao ciclo clássico de desenvolvimento com papéis bem definidos e ferramentas de medição integradas ao processo, etc, etc e etc. Preciso dizer que esse professor não teve muito sucesso como desenvolvedor de software?

Desenvolvedores de software estão mais próximos do artesanato do que da engenharia. Um programador muda a maneira como ele faz a mesma coisa de projeto para projeto e sua “arte” se refina com a experiência.

Conclusão

Como disse o Fábio Akita:

Bons profissionais não são formados. Bons profissionais se formam. Bons profissionais, no Brasil, tragicamente podem acabar sendo empurrados a serem péssimos profissionais. Péssimos profissionais não são formados. Péssimos profissionais sempre serão péssimos. Não há esperança para eles.

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  1. Otaci Martins
    23/05/2010 às 12:39 PM

    “… Desenvolvedores de software estão mais próximos do artesanato do que da engenharia”

    Absurdo !

    Jamais contrate alguém que pensa assim a não ser se o software por ele desenvolvido não seja para nada sério.

  2. 05/06/2010 às 2:28 PM

    Olá Otaci,

    Desculpe a demora para responder.

    Acho que uma crítica só é relevante se houver justificativas plausíveis ou quando pelo menos demonstram alguma manifestação intelectual para que possamos utilizar nosso tempo para responder.

    Preferi escrever outro artigo para responder seu comentário e para que não apareçam outros comentários do tipo “gosto de amarelo porque é uma cor alegre” aqui.

    Leia, entenda, pesquise e pense um pouco antes de responder:

    https://atitudereflexiva.wordpress.com/2010/06/05/criticar-e-facil-raciocinar-e-dificil/

    Att.

  3. aohana
    31/01/2013 às 11:32 AM

    Rodrigo, tirando a parte do artesanato, concordo integralmente com seu Post. Sabe o que é realmente difícil cara? É ver que isso é um problema quase que insolucionável com base na educação brasileira, onde todo mundo é ensinado a ser proletariado.

    Se a mente do povo mudasse, essa postura de empregado protegido também mudaria, mas ponha anos de educação sólida pra isso ocorrer e não vejo o problema se resolvendo em curto prazo (tomara que eu esteja errado).

    O lado bom, é que quem domina mesmo as habilidades do desenvolvimento de Software, sabe o quanto nossa área é nova, o quanto ainda não temos como definir processos e métricas exatas para calcular acertos e erros de um desenvolvedor.

    Quais seriam os padrões? Se um novo padrão ou cultura hacker surgisse nos EUA, seria barrada no Brasil só porque o “conselho” não a conhece e a mesma nunca foi testada? Já pensou o inferno que seria pra essa galera? Resumindo, o que querem mesmo é criar um escudo da mediocridade onde medíocres que não têm nada mais além de diplomas, irão se proteger e claro, mais um órgão público, vampiro de uma nova classe que ainda nem sabe ao certo como se definir.

    Engraçado ver que boa parte dos países desenvolvidos já passaram por essa discussão que estamos tendo e o resultado é sempre o mesmo. Não dá. Como se definir padrões em uma área que ainda está se descobrindo?

    Quanto ao avião que cai por conta do erro do programador, a INFRAERO já tem seu controle de qualidade que faz MUITO MAIS do que um conselho burocrático chinfrim faria se existisse. Conselho pra controlar CRUDs? Poupem-me de tamanha idiotice.

    É isso aí, continue sua luta, pois eu realmente acredito que ela vale a pena.

  1. 05/06/2010 às 2:15 PM
  2. 09/01/2011 às 9:30 PM
  3. 26/05/2014 às 8:37 PM
  4. 03/01/2017 às 6:24 AM

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