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Cheira Scrum, Mas Fede Waterfall

No Brasil, a adoção do framework Scrum vem crescendo. Já há relatos de projetos bem sucedidos que utilizaram seus benefícios. Infelizmente, o Scrum não é imune ao jeitinho brasileiro, que é a raiz da maioria dos problemas em todos os níveis hierárquicos começando, é claro, pela pequena e inocente gambiarra feita no código.

O Jeitinho Brasileiro

Quando uma organização está realizando experimentos implantando Scrum aos poucos, ela dificilmente chegará a seguir todas as recomendações desse framework, pois ela parte de um ScrumBut:

  • Scrum, Mas sem Product Owner;
  • Scrum, Mas sem Stand-up Meeting;
  • Scrum, Mas sem Sprint Review;
  • Etc.

Uma organização que não abraça o Scrum na íntegra ou que o adapte ignorando seus valores mais caros será apenas ScrumAnd:

  • Scrum E suas relações com os processos internos;
  • Scrum E suas relações com políticas de qualidade;
  • Scrum E a cultura da empresa;
  • Scrum E quaisquer adaptações necessárias.

A partir do ScrumAnd começam a aparecer coisas absurdas como Scrum com CMMi, Scruwaterfall, e por aí vai. Se uma organização não tem comprometimento com os valores do Scrum, ele vai morrendo aos poucos, pois esses valores e suas práticas deixam de fazer sentido para o time – vale lembrar que pessoas são mais importantes que ferramentas e processos:

  • O que adianta fazer Sprint Planning se os requisitos mudam durante o sprint e o time se vê obrigado a implementá-los de acordo com a versão atual dos casos de uso, mas restrito ao tempo estimado uma ou duas semanas antes da revisão?
  • Para que nos comprometermos com uma certa quantidade de atividades se durante o sprint colaboradores são remanejados?
  • A grande quantidade de atividades bloqueadas é consequência da falta de auto-gerenciamento da equipe?
  • Teoricamente, o Sprint Review serve para levantarmos pontos falhos e sugerirmos melhorias para o processo, mas do que adianta tal esforço e desperdício de tempo se colidimos com as estruturas organizacionais?

De Volta Às Origens: o Caos

A consequência imediata da descrença causada pelas restrições internas é não atingir a meta do sprint, mas o que me preocupa são as consequências para o time em médio prazo. O time passa a duvidar da aplicabilidade do Scrum ao seu cotidiano.

Em pouco tempo, a equipe deixa de ser auto-gerenciável e necessita de um líder a moda antiga. O Scrum Master, por pressão gerencial, se vê obrigado a assumir essa função.

Começam a aparecer especialistas, ou melhor, donos de partes do código. Os integrantes do que já foi um time Scrum começam a culpar uns aos outros pelo fracasso. Começam a aparecer relatórios de bugs e daí a caça às bruxas tem início.

Os post-its e o kanban são substituídos pelo Jira. O burn-down é substituído pelo MS-Project. Ocorre uma divisão em fases distintas para análise, arquitetura, desenvolvimento e teste.

Conclusão

Scrum não é infalível, isso é fato, mas ainda acredito que seja o melhor caminho desde que estejamos dispostos a deixar de lado o jeitinho brasileiro que acaba transformando vinho em vinagre. Quando os valores do Scrum não são bem entendidos ou menosprezados antes do início de sua implantação, pode-se prever um futuro funesto. O Scrum vai definhando um pouco a cada dia tomando chá de waterfall em doses homeopáticas. Será que sobrará pelo menos uma sombra do Scrum após todas essas regressões?

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  1. rafaelxy
    24/11/2009 às 8:45 AM

    Muito bem colocado!

    O mais importante é vencer as barreiras culturais e suas raízes!

  2. 07/12/2009 às 10:39 AM

    Rodrigo, bom post! Acredito que o seu texto pode ser resumido na simples questão que a organização inteira precisa comprar a idéia do Scrum, desde a alta gerência até os desenvolvedores! A idéia é como disse nosso amigo aí, vencer barreiras e acreditar que vai dar certo! Normalmente, como vc citou, políticas internar e burocracias extremas podem SIM barrar o crescimento de qualquer prática ágil na empresa! Estimativas no Scrum são relacionadas a pesos e não horas (nesse ponto figura o compromentimento do time com o projeto), o que quebra as pernas de muitos! Aí entra em questão a visão da área comercial..

  3. 07/12/2009 às 12:56 PM

    Rafael, concordo com você. Scrum é quebra de barreiras e paradigmas. Como Scrum também exige alinhamento de objetivos entre áreas funcionais, as deficiências das estruturas organizacionais são colocadas a mostra, o que não é bem visto pela alta gerência, principalmente pelos indivíduos que adoram burocracia.

  4. 15/01/2010 às 10:34 AM

    Pessoalmente nunca trabalhei em um projeto com Scrum, mas vejo com muita simpatia e interesse. E ja vi tudo o que foi descrito acontecer de fato, há pouquíssimo tempo atrás, em alguns projetos com os quais eu tive algum contato.

    Eu só acho errado colocar essa falha na conta do jeitinho brasileiro. Mesmo porque acho que o jeitinho brasileiro muitas vezes é mais benéfico do que maléfico. Eu coloco na conta da estrutura engessada da maioria das empresas, cujos gestores precisam de uma planilha com recursos, estimativas loucas e afins. Scrum é visto na maioria dos lugares como um modismo nerd, e não como um processo a ser implantado na organização como um todo.

    Isso não é jeitinho, isso é conservadorismo besta.

  1. 26/12/2009 às 11:22 AM
  2. 26/06/2010 às 10:31 AM

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