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Moramos na Casa que Construímos

É natural para um desenvolvedor de software deixar um projeto. São vários os fatores que motivam sua saída:

  • Fim do projeto;
  • Quebra de contrato;
  • Deficiência técnica;
  • Melhor proposta salarial, tecnológica ou estrutural;
  • Desgaste nas relações com a equipe ou com a gerência;
  • Vontade de fazer algo diferente;
  • Etc.

No projeto atual participei da análise, definição de arquitetura, escolha de ferramentas, desenvolvimento, testes, implantação, acompanhamento da homologação e sou líder da equipe. É um processo clássico – ou quase – de desenvolvimento, mas com essa distinção de fazes e chapéus, minhas qualidades e deficiências foram expostas. Percebi que não era competente agindo em tantas frentes, mas escolhi ser o porco, e não o frango.

Também percebi que tinha relativo conforto na posição que ocupava – o que é ruim para qualquer profissional – e isso me colocou em alerta, por isso estou mudando de projeto, mas não de empresa. A nova equipe trabalha com práticas ágeis; adotaram Scrum e parece que já tiveram algum sucesso. Estou muito curioso e empolgado. Vamos ver. Tecnologicamente, não vou fazer nada diferente do que vinha fazendo ou já fiz em outras empresas: o projeto utiliza Swing, Java 2D e, talvez, Java 3D.

Trabalhei arduamente durante duas semanas com um deadline. Faltando dois dias para atingir esse prazo, fui informado que deveria continuar ali por mais uma semana. Fiquei muito chateado. Terminei o dia verdadeiramente desmotivado. Enquanto ia pra casa, me lembrei de uma história, que era mais ou menos assim:

Pedro era um homem trabalhador e honesto. Era casado e tinha duas filhas já adultas, formadas e casadas. Foi empreiteiro durante toda sua vida. Casa após casa e tijolo por tijolo ao longo de mais de trinta anos de trabalho árduo e honesto, ele adquiriu o direito de se aposentar. Após construir a que parecia ser sua última casa, o patrão, notadamente uma pessoa íntegra e justa, pede a Pedro que construa uma última moradia. O chefe permitiu que o antigo funcionário utilizasse o material que quisesse nessa construção, mas o coração e a mente de Pedro não estavam mais no trabalho. Durante toda sua existência ele esperou por uma vida simples e despreocupada em companhia da esposa em uma casa própria. Ele construiu a casa sem o mesmo cuidado que costumava ter. Sonegou reforços nos alicerces, utilizou materiais de baixa qualidade para alvenaria e utilizou apenas uma mão de tinta da mais barata existente no mercado. No dia da entrega, o patrão se apresenta a Pedro e lhe entrega a chave da casa que este acabara de construir dizendo: “More na casa que você mesmo construiu”.

Comecei o dia seguinte com uma atitude renovada e positiva. Prometi para mim mesmo que usaria o tempo que me restava no projeto para fazer o máximo possível em todas as áreas de minha competência; passaria todo o conhecimento do negócio e técnico que fosse possível e trabalharia mais horas por dia sem me queixar.

Conclusão

Mesmo que ninguém veja meus esforços, estarei em paz com minha consciência ao finalizar meu trabalho. Afinal, é nessa casa que quero morar.

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Categorias:Geral
  1. Nenhum comentário ainda.
  1. 17/02/2010 às 12:33 PM

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