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O Chapeleiro Louco

Já ouviu falar em funcionário Bombril: aquele que tem mil e uma utilidades? Você também é daqueles que usam muitos chapéus durante o desenvolvimento de software? Bem vindo à chapelaria maluca do software.

Em pequenas empresas ou quando uma equipe é pequena, cada profissional atua em vários papéis durante o processo de desenvolvimento. Em um mesmo dia, posso ser líder técnico, desenvolvedor, tester, analista e até suporte técnico de segundo nível. Dizem que um músico que tenta tocar vários instrumentos não toca bem nenhum. Não me queixo de usar tantos chapéus. Na verdade aprendi muito e ampliei minha visão, mas vejo uma clara falta de foco que compromete a qualidade do meu trabalho, pois não posso me dedicar ao máximo a uma atividade em particular sem prejuízo de outras.

Em Fábricas de Software, que são anomalias no mundo do desenvolvimento, os profissionais não usam mais de um chapéu, pois há distinção clara entre as áreas do processo de desenvolvimento, como análise e testes. Mesmo tendo foco e tarefas muito bem definidas – apertar parafuso, ou melhor, colocar um botão na tela –, o produto final dessa “linha de montagem” é alguma coisa que por definição é software (programa de computador, manuais, especificações e planos de teste), mas que tem péssima qualidade interna e está sujeita a muitas falhas. Quanto mais alto o nível CMMI da fábrica pior é a qualidade do código produzido.

Para ser um chapeleiro é necessária empatia. Você deve se comportar como o dono do chapéu e ter o mesmo ponto de vista dele. Deve se submeter às mesmas restrições dele e até simular as mesmas expectativas que ele tem. Por exemplo, um antigo chefe me disse que para realizar testes do ponto de vista do usuário deveríamos retirar nosso cérebro e colocá-lo de lado, pois o usuário normalmente consegue realizar ações impensáveis tanto no momento de concepção quanto de implementação do software.

Conclusão

O chapeleiro necessariamente deve saber o momento ou a ocasião certa de trocar de chapéu. Chapéu implica responsabilidade e personalidade. Uma grande coleção de chapéus indica falta de foco. Cabe ao profissional decidir quantos chapéus ele é capaz de usar sem que seu trabalho seja comprometido.

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