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Estudante, Professor e Pesquisador

Anos atrás, quando ainda acreditava que diplomas e certificados tinham alguma utilidade além de alimento para traças, participei de um processo seletivo para mestrado em Engenharia de Software no Departamento de Sistemas Digitais do Instituto de Engenharia Elétrica da Universidade de São Paulo.

O processo teve várias fases: cartas de recomendação dos professores da minha faculdade, análise curricular, conhecimentos em engenharia da computação e outros tópicos gerais para a Engenharia Elétrica, assuntos específicos para os Sistemas Digitais e uma entrevista com os professores doutores desse departamento.

Passei em todas as fases, exceto na entrevista, mas não vou entrar em detalhes do porquê, pois posso estar sendo injusto com a instituição. Na entrevista, que foi em uma sala de aula, me colocaram sentado à mesa do professor e todos os doutores – cerca de dez – sentaram nos lugares dos alunos e ficaram me fazendo muitas perguntas. A meu ver, respondi a todas de maneira satisfatória.

Uma das perguntas que obviamente seria feita eu não havia sequer cogitado responder. Perguntaram por que eu queria fazer mestrado. Pensei um pouco e respondi mais ou menos assim:

São três os motivos e eles fazem parte do que acredito seja a evolução natural de um acadêmico. Primeiro, aprender. Acredito que todos devem ter uma base sólida de conhecimentos e estar constantemente aprendendo algo novo e aperfeiçoando o que já sabem. Segundo, ensinar. Não basta aprender por aprender. Ensinando também se aprende, mas o principal objetivo é passar o conhecimento para outras pessoas. Terceiro, inovar. Se apenas ficarmos estudando e ensinando, a humanidade não dará um passo além. Ficará estagnada.

Minha resposta foi tão bonita e profunda que eu deveria estar pleiteando uma vaga na Academia Brasileira de Letras e não em um curso de engenharia de software, mas, enfim, adoro algoritmos e arquitetura de software. Hoje, refletindo um pouco sobre aquela resposta, entendi que ela, com algumas adaptações, transcende o contexto acadêmico.

Todo o desenvolvedor de software deve estar constantemente atualizando seus conhecimentos. Atualização de conhecimento não é apenas aprender a utilizar a mais nova ferramenta para lidar com um problema antigo, mas também é incrementar o seu arsenal de técnicas mesmo que seja aprendendo conceitos ou metodologias já consolidadas, como refactoring de código e TDD. É impressionante a quantidade de pessoas que sequer ouviram falar de qualquer uma das duas.

Aquele que sabe muito não deve se fechar em seu mundinho ou se esconder atrás de um monitor. Ele tem a obrigação de passar o conhecimento para outros membros da equipe ou, se for o caso, indicar um caminho para que o outro encontre a solução por si mesmo. Chamo a isso atitude e comprometimento.

A última responsabilidade – vamos dizer assim – de um desenvolvedor de software é inovar. Não é necessário ser um guru para criar algo novo. Também não é necessário quebrar um paradigma ou tentar inventar uma bala de prata para deixar seu nome na história. Basta adicionar mais um tijolo no muro do conhecimento. Sendo disciplinado e objetivo, qualquer um cria um framework, institucionaliza um padrão, uma técnica, uma tecnologia ou inicia um projeto open source.

Conclusão

Estudante, professor e pesquisador são as três faces de um bom desenvolvedor de software.

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Categorias:Geral
  1. 09/08/2009 às 9:17 PM

    Parabéns pelo post.

    Eu gostei muito do seu blog.

    abraços,

    Abu

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