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Carregando a Bandeira da Argentina

Fiquei em dúvida se deveria ou não postar esse assunto, mas ao ler o post do Akita, entendi que eu também escrevo uma espécie de síntese de experiências passadas. Portanto, quando escrevo uma crítica, não estou retratando situações de meu emprego atual e nem de um antigo em particular. Adiciono minhas experiências passadas ao que leio em outros blogs ou que descubro conversando com colegas de trabalho e antigos colegas da faculdade. Às vezes, pinto uma caricatura das pessoas para manter o tom humorístico ao qual se propõe esse blog. Além disso, esse post não tem nada contra nossos amigos argentinos. Apenas exponho aqui o fato de que muitas vezes fazemos algo que não gostaríamos de fazer.

Ao Vencedor as Batatas

Desde muito cedo, as pessoas sentem necessidade de competir, mas não basta competir por competir. O objetivo é vencer, mas não apenas vencer por vencer. Muitas, não contentes com a vitória, procuram formas de humilhar seus adversários para que a vitória seja mais saborosa.

Quem nunca viu um torcedor amigo de um torcedor do time adversário utilizando a camisa do rival? Trata-se de uma aposta firmada entre os dois que daria poderes ao vencedor. Quando um dos dois amigos perde a aposta, o outro usa por certo tempo ou em certa ocasião a camisa do rival, para que todos saibam que ele perdeu e, indiretamente, para que se sinta pior do que já está. Assim prossegue até que a zombaria ultrapasse o limite do suportável e os dois briguem.

Essas pessoas trazem para o ambiente de trabalho uma forma de conduta que não condiz com o que se espera de um profissional moderno. Na vida empresarial, após alguns sucessos muitas vezes questionáveis, as pessoas se tornam tão seguras de si mesmas que acabam se fechando para o diálogo e fazendo com que suas idéias prevaleçam. Para que suas idéias prevaleçam, é natural que essas pessoas tendam a centralizar o poder em suas mãos, podando manifestações de personalidade e o nascimento de idéias que contrariem as suas, o que favorece a política do comando e controle.

Esses profissionais agem como eternos vencedores de apostas, vestindo a todos que lhes são subordinados com a camisa da seleção Argentina e escolhendo alguns para cruzar a cidade tendo em mãos a bandeira de los hermanos.

Diga, mas não me Contradiga

Certa vez participei de um treinamento na forma de dinâmica de grupo que foi muito interessante. Dentre outras coisas, foi-nos ensinada uma forma estruturada de questionar as atividades que tínhamos que realizar em nosso cotidiano mantendo o foco no resultado. Não deveríamos nos referir a atividades como tarefas, mas sim como objetivos e para cada objetivo deveríamos fazer perguntas como:

  • O quê?
  • Para quê?
  • Para quem?
  • Quando?
  • Como?

Essas perguntas servem para categorizar, contextualizar, estimar e priorizar nossos objetivos de negócio. Infelizmente, essas perguntas podem ser respondidas da seguinte forma pela gerência:

  • O quê?
    • Alteração na tela de cadastro
  • Para quê?
    • Não sei e não importa
  • Para quem?
    • Para mim
  • Quando?
  • Como?
    • Se vira, você é pago para isso

Respostas como essas inibem nosso senso crítico. Para evitar discussões infrutíferas, aceitamos as “tarefas” e as fazemos sem mais questionamentos, mesmo que já tenhamos avisado dos possíveis problemas futuros.

Afundando o Navio

Quando uma pessoa humilde não está segura do que diz, um simples “por que” a faz refletir e ela acaba chegando a conclusão de que o que ela disse é equivocado. Modéstia, boa índole e sede de conhecimento são algumas das características de um líder servidor – como no livro o Monge e o Executivo – e também de uma pessoa sábia ou em busca da sabedoria. Sábio é aquele que conhece o suficiente para admitir que sabe pouco e, portanto, está ciente de que não é dono da verdade.

O poder traz consigo a responsabilidade. O excesso de segurança implica em potenciais tragédias. Alguém muito seguro faz afirmações que se assemelham a dogmas, pois não podem ser questionadas. Assim como o capitão experiente e arrogante do navio Titanic, o chefe seguro pode afundar seu projeto e se afogar junto com sua equipe.

Conclusão

Não aceite tudo que lhe é imposto. Questione, questione e questione. Questionamento não é uma atitude rebelde e nem qualquer outro tipo de manifestação negativa, mas sim uma forma de mostrar interesse pelo projeto e pela empresa à qual você é subordinado, pois sua omissão também é culpada quando o projeto fracassa.

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