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Ator ou Figurante?

De acordo com a terceira edição do livro UML Distilled:

An actor is a role that a user plays with respect to the system

Na Wikipédia há um complemento a essa definição:

Actors may represent (…) a particular facet (i.e., “role”) of some entity that is relevant to the specification of its associated use cases.

Em outras palavras, atores não são necessariamente pessoas, mas necessariamente realizam interações que agregam valor a um sistema. Os casos de uso são as unidades de iteração entre um ator e o sistema, como na figura abaixo:

Fig. 1 – Interação Ator/Caso de uso

Fig. 1 – Interação Ator/Caso de uso

Entra em Cena o Figurante

Em algumas organizações existem departamentos especializados em testes que visam auxiliar os atores a homologar as implementações dos casos de uso entregues. Há empresas que dão tanto poder a área de testes que acabam criando uma anomalia em seus próprios processos de homologação de sistemas, pois essa equipe acaba “roubando a cena” e ditando as regras de aceitação dos testes com base em critérios próprios e variáveis, o que acaba distanciando seu objetivo dos interesses do departamento que solicitou o produto e onde estão os verdadeiros atores.

Essas empresas estendem a dicotomia Ator -> Caso de Uso adicionando mais uma personagem ao “elenco”: o Figurante. No cinema, o Figurante é a personagem de um filme que não é fundamental para a trama principal e serve apenas como composição do cenário ou formação das personagens principais. Infelizmente, o Figurante muitas vezes age como se fosse a estrela do elenco. Passa a interferir na trama e inventar regras que entram em conflito com as heurísticas do negócio.

Uma interação entre o ator e um caso de uso geralmente é escrita como:

Ator realiza caso de uso

Já uma iteração entre um Figurante e um caso de uso é:

Figurante acha que realiza caso de uso

Fig. 2 – Interação Figurante/Pseudo caso de uso

Fig. 2 – Interação Figurante/Pseudo caso de uso

Um caso de uso é um conjunto de cenários associados para atingir uma meta de um Ator. Não se pode afirmar que um Figurante tem uma meta associada ao negócio, portanto, ele é um pseudo ator que realiza um pseudo caso de uso.

Um Decorador Frustrado

Um Figurante se preocupa mais com a forma do que com o conteúdo. Assim como um decorador, seu trabalho é focado em aspectos visuais.  É comum que ele se atenha a detalhes da apresentação, como alinhamento de componentes visuais, tipo, estilo e tamanho da fonte dos labels, tamanho dos botões, cores, etc.

Dessa forma, a acurácia do resultado dos testes baseados nas regras de negócio escritas nos casos de uso ficam em segundo plano. Se o caso de uso for realizado por um Figurante, o resultado final não serve como parâmetro para que se faça uma análise mais detalhada de problemas encontrados.

Freqüentemente preciso convencer nossos figurantes de que aquilo que eles alegam como imprescindível não é relevante, não está de acordo com a especificação ou irá prejudicar o trabalho dos usuários (atores) quando o sistema entrar em produção.

Conclusão

Figurantes comprometem a homologação e até o levantamento de requisitos em um processo clássico de desenvolvimento de software. O Figurante é uma figura descartável no cenário organizacional. Para que seja comprovada a insanidade de se manter uma equipe de testes na empresa cliente, faça o seguinte questionamento: você pediria autógrafo para um figurante de um filme?

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