Pelo Fim do Coitadismo Organizado

Chamo de “coitadismo organizado” o conjunto de todos os grupos que se aproveitam de uma característica étnica ou social em comum para outorgar a si mesmos o direito de imporem suas vontades sobre a maioria das pessoas – que podem ou não possuir essas mesmas características – através do discurso de vitimização que na verdade carrega ódio e um profundo desprezo pelas Leis e pelas diferenças entre os seres humanos e que acaba culminando em autoritarismo. O coitadismo não é privilégio dos movimentos afro-descendentes. Ele também se manifesta nos movimentos feministas – chamadas vulgarmente de feminazis -, ciclistas urbanos – em particular, os ciclofascistas de São Paulo que ganharam força na gestão do prefeito petista Fernando Haddad -, grupos homossexuais e ativistas verdes e vermelhos em geral, mas aqui vou focar nos movimentos afro-descendentes por causa de uma entrevista muito interessante que assisti.

Antes de continuar, nesse artigo utilizarei o termo “afro-descendente” no lugar de “negro” não por causa do politicamente correto, que é uma das coisas que está destruindo nossa sociedade e está comprometendo nosso futuro, mas sim por causa de uma observação muito coerente de Carl Sagan na página 56 do livro Bilhões e Bilhões. Ele explicou que a melanina, pigmento responsável pelo que interpretamos como cor da pele, absorve a maior parte da luz visível – apenas uma parte da frequência de ondas de luz visível e adjascentes são refletidas por ela -, o que permite que reações eletro-químicas em nossos olhos as captem. Portanto, na maior parte do espectro de cores, todos os humanos são negros. Para a ciência, a vida começou na África. Sendo assim, pensando bem, além de negros somos todos afro-descendentes. Percebeu que temos que forçar muito a imaginação para estabelecer um critério que diferencie um ser humano de outro?

Um entrevistador americano afro-descendente perguntou a dois representantes de algum movimento relacionado aos direitos dos afro-descendentes “o que vocês querem?”. Os entrevistados ficaram perdidos com a pergunta, pois não esperavam ouvi-la de um “igual”, mas o entrevistador explicou que “vocês” significa aquelas pessoas que só reclamam, que culpam os outros pelo fracasso dos pais e pelos próprios fracassos. Entendo a limitação intelectual e a faísca de fanatismo dos entrevistados, o entrevistador foi mais específico: “o que vocês querem que os brancos façam?” Os entrevistados, sem aceitar que o entrevistador afro-descendente se excluisse daquele grupo étnico ali supostamente representado, questionaram as motivações e intenções do entrevistador. O entrevistador disse que no mundo há duas realidades: o bem e o mal. Ele se via entre os bons, representados por afro-descendentes, asiáticos e etc. Os mals seriam os próprios entrevistados, que culpam os outros pelos próprios insucessos e disseminam o ódio por onde passam.

Em 1981, Thomas Sowell, economista americano, debateu com uma feminista a suposta diferença entre mulheres e homens no mercado de trabalho. O Dr. Sowell desconstruiu totalmente os mitos a respeito do machismo e do feminismo propagados pela mídia, pelas universidades e por governos progressistas. Tudo que ele disse continua válido, mas mais do que desmontar as falácias feministas em particular e as falácias socialistas em geral, chamo a atenção para a atuação brilhante de uma pessoa afro-descendente que não age como coitada e oprimida e que argumenta utilizando números reais, fatos, e não dados cujo contexto tenha sido suprimido para poderem ser “entortados” até se adaptarem à visão de mundo daquela feminista.

Outro afro-descendente que está causando dores de cabeça aos movimentos coletivistas é o vereador paulistano Fernando Holiday, do MBL (Movimento Brasil Livre). Ele é afro-descendente, homossexual e pobre, mas defende o liberalismo, o que vai contra a cartilha dos movimentos sociais e até do politicamente correto. Por isso, a alta nobreza coletivista o trata como traidor quando ele, dentre outras coisas, defende o fim das cotas raciais, que acabam humilhando os beneficiários aos invés de ajudá-los. Nas palavras de Holiday:

Não estou fazendo nada mais que trazer as ideias para dentro da Câmara. Uma das minhas propostas, não a principal, mas uma das que pretendo propor ao longo do próximo ano (2017), é a revogação das cotas raciais nos concursos públicos municipais. Acredito que acaba incentivando o racismo. (…) Acredito que é uma medida prejudicial para o estado de São Paulo e prejudicial, inclusive, para os próprios afro-descendentes.

As pessoas devem conseguir empregos e vagas em universidade por méritos próprios que só são adquiridos com muito esforço. Chega de choro, gritaria, pancadaria e quebra-quebra para conseguir que as coisas mudem. Vamos debater idéias. Movimentos sociais, que seriam melhor descritos como movimentos parciais, vão continuar se proliferando e fazendo pressão para adquirir privilégios e poder para seus líderes e para os partidos que apoiam utilizando a retórica do oprimido. Eles não querem enxergar que a única minoria que tem credibilidade é o indivíduo: é ele quem trabalha, é ele quem estuda, é ele quem compra casa e é ele quem vota. Os membros desses grupos devem se informar, devem ter a mente aberta e acessar boas fontes de informação para criarem uma boa base para debates. Se a esquerda aceitasse sugestões, pois monopoliza a verdade e todas as virtudes, eu diria para preferirem buscar informações nos livros. Sei que no começo é difícil, mas depois de alguns livros com ilustrações de bichinhos, palhaços alegres e sóis sorridentes, eles estarão preparados para ler coisas mais sérias, como O Segredo, Cinquenta Tons de Cinza, Crepúsculo e outras maravilhas modernas que explicam porque caçar Pokémon é mais interessante para os adolescentes. Ler é uma tarefa difícil para quem não tem esse costume, mas nunca é tarde para começar.

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Alguns coletivos, como por exemplo aqueles formados por afro-descentes, cobram da sociedade uma suposta “dívida histórica”. Nesse caso, deve-se refletir sobre como o racismo se manifesta e qual seria a maneira correta de lidar com ele, pois o racista também é o populista, que trata o afro-descendente como um imbecil que deve ser tutelado pelo Estado. Preste atenção nas falas dos políticos em campanha eleitoral e perceba nuances de totalitalitarismo que estimulam a luta de classes e o racismo.

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Liderança – Correntes de pensamento

O site Administradores.com divulgou um pequeno estudo agrupando os estilos de liderança em quatro correntes: centrada no líder, centrada nos liderados, centrada na situação e integradora.

Corrente Centrada no Líder

Esta corrente diz que a liderança é uma qualidade intrínseca do líder, desprezando a influência dos liderados e do meio. Enfatiza que a liderança é nata, e que não pode ser aprendida. Concluiu afirmando que o líder é um ser predestinado.

Corrente Centrada nos Liderados

A corrente nega que a liderança seja nata. Afirma que o líder é produto do grupo e que representa e sintetiza, em um determinado momento, o ideal dos integrantes daquela coletividade. O ser humano quando em grupo precisa de um guia, de um líder, e o grupo atribui a um indivíduo experiente essa liderança.

Corrente Centrada na Situação

Esta corrente defende que a necessidade faz o líder. Ou seja, o líder brotará no seio de um grupo quando a situação conjuntural do ambiente em que esse grupo está assim o exigir.

Corrente Integradora

Não atribui o surgimento da liderança, a qualquer fatalidade, seja oriunda de ocorrências fortuitas da dinâmica grupal, seja por coincidências ligadas às características especiais do líder. A liderança é resultado de uma interação: o “líder” precisa ter competências natas, os liderados precisam querer ter um líder e a situação deve favorecer a atuação do líder.

Um Experimento Socialista

Li essa história faz alguns anos. Ela é tão simples que até um socialista médio conseguiria entender. A história trata de uma experiência solicialista muito curiosa proposta por um professor a seus alunos. Segue a íntegra da experiência descrita no site do Instituto Mises Brasil.

O Experimento

Um professor de economia na universidade Texas Tech disse que ele nunca reprovou um só aluno antes, mas tinha, uma vez, reprovado uma classe inteira.

Esta classe em particular tinha insistido que o socialismo realmente funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e ‘justo’.

O professor então disse, “Ok, vamos fazer um experimento socialista nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos suas notas nas provas.” Todas as notas seriam concedidas com base na média da classe, e portanto seriam ‘justas’. Isso quis dizer que todos receberiam as mesmas notas, o que significou que ninguém seria reprovado. Isso também quis dizer, claro, que ninguém receberia um “A”…

Depois que a média das primeiras provas foram tiradas, todos receberam “B”. Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.

Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos estudaram ainda menos – eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se aproveitariam do trem da alegria das notas. Portanto, agindo contra suas tendências, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos. Como um resultado, a segunda média das provas foi “D”. Ninguém gostou.

Depois da terceira prova, a média geral foi um “F”. As notas não voltaram a patamares mais altos mas as desavenças entre os alunos, buscas por culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela classe. A busca por ‘justiça’ dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma. No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala. Portanto, todos os alunos repetiram o ano… Para sua total surpresa.

O professor explicou que o experimento socialista tinha falhado porque ele foi baseado no menor esforço possível da parte de seus participantes.

Preguiça e mágoas foi seu resultado. Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual o experimento tinha começado. “Quando a recompensa é grande”, ele disse, “o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós.

Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros sem seu consentimento para dar a outros que não batalharam por elas, então o fracasso é inevitável.”

Conclusão

“É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade. Cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber. O governo não pode dar para alguém aquilo que não tira de outro alguém. Quando metade da população entende a idéia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação. É impossível multiplicar riqueza dividindo-a.”

Adrian Rogers, (1931-2005)

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Categorias:Atitude

Dedução das Fórmulas das Áreas de Figuras Planas Através da Integral

Você já se perguntou por que a área de um triângulo é dada por “base vezes altura dividido por dois”? Com as integrais, podemos deduzir as famosas fórmulas de cálculo de área das figuras planas. Vamos deduzir algumas fórmulas de área de figuras planas, mas primeiro precisamos tratar do “ioiô-mixoxô”, pois ele vai ser útil em nossas deduções. Esse famigerado nome é a decoreba que nos remete à famosa equação fundamental da reta:

y – y0 = m(x – x0)

Nessa equação, a distância entre dois pontos P0(x1,y1) e P(x,y) é dada por m, que é chamado de coeficiente angular da reta. O coeficiente angular da reta nada mais é que a tangente de um ângulo que engloba os dois pontos hipotéticos citados. Lembramos que uma tangente é uma reta que pode ser segmentada e medida:

eq_reta

Da figura acima, deduzimos que:

tg α = sen α / cos α

ou

tg α = cateto oposto / cateto adjascente

tg α = (y – y0) / (x – x0)

Em cada demonstração, integraremos uma função dada pela equação da reta em intervalos pré-definidos [a,b]:

integral_deducao1

Dedução da Área do Triângulo

area_triangulo

Aplicando as relações extraídas da equação da reta no gráfico acima, temos:

y – y0 = m(x – x0)
y – 0 = (H/B)(x – 0)
y = (H/B)x

Por fim, a integral da função encontrada nos dá a área sob a função em determinado intervalo:

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Dedução da Área do Quadrado

area_quadrado

Aplicando as relações extraídas da equação da reta no gráfico acima, temos:

y – y0 = m(x – x0)
y – 0 = 0(x – 0)
y = a

Por fim, a integral da função encontrada nos dá a área sob a função em determinado intervalo:

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Categorias:Matemática

Uma Proposta de Design para Composição e Geração de Arquivos CSV

Precisei fazer o download de registros do banco de dados no formato CSV (Comma-Separated Values). É uma tarefa relativamente simples de se implementar, mas procurei alguma biblioteca que já fizesse isso. Todas as que encontrei não me pareciam bem projetadas e algo me dizia que eu teria problemas de encoding. Além disso, não havia nenhuma informação de que essas bibliotecas que encontrei implementavam a RFC4180, que é a referência oficial para formato de arquivos CSV.

Procurei alguma técnica para implementar meu próprio código de geração de CSV, mas também não encontrei – é o hábito de procurar. Tudo que encontrei foram pessoas concatenando e fazendo parse de strings e manipulando arrays. Essa é a primeira coisa que qualquer desenvolvedor pensaria em fazer, mas senti falta de um design mais bem elaborado. Achei a inspiração para fazer minha API no Data Pipelane, que é uma ferramenta de exportação para CSV e Excel. Fiz a minha implementação, mas não vou compartilhar aqui porque há muitas implementações por aí. Vou apresentar as ideias que tive e o caminho que me levou à elas para te inspirar a desenvolver sua própria solução.

Minha análise foi voltada para encontrar o que seria a menor informação; a menor parte que agregaria valor ao modelo. Concluí que era o “campo” ou “coluna” em um modelo tabular, ou seja, aquilo que aparece “n” vezes em cada linha e varia de interpretação conforme a coluna. Encapsulei os campos em classes de acordo com o tipo primitivo (String, Number, Boolean, etc) e os instanciei com um factory method. Em seguida, comecei a olhar para a linha em si, pois a vi como uma coleção de campos. Sendo a linha uma coleção de campos, simplesmente criei uma classe que represente uma linha com seus “n” campos:

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Figura 1 – Modelo dos campos

A vantagem da primeira parte desse modelo é o reaproveitamento dos campos para representar outras informações de mesmo tipo, pois eles encapsulam tipos primitivos. Se na sua aplicação há um tipo mais complexo que deve ser formatado para apresentação como campo, você pode definir uma classe de campo para ele e formatar a apresentação, mas isso nos leva a segunda parte do modelo.

Imagine a dificuldade de formatar o valor numérico de um campo telefone ou CPF para uma dada apresentação. Claro que essa responsabilidade poderia ficar no próprio campo, mas imaginei os campos como “guardiões” de tipos primitivos básicos, e o telefone e o CPF nada mais seriam que tipos numéricos. Para poder reaproveitar os campos, pensei em delegar a formatação da apresentação para tipos especializados. Injetar formatadores opcionais nas classes concretas de campo pensando no padrão composite e no padrão strategy pareceu uma boa ideia. Reaproveitar campos implica reaproveitar formatadores, mas também permite que façamos outras combinações de campo e formatador.

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Figura 2 – Modelo dos formatadores

A última coisa que faltava nesse modelo era uma abstração para o cabeçalho da coluna, pois poderíamos querer internacionalizá-los ou fazer alguma outra formatação antes da apresentação e essa tarefa deveria ficar na classe que o encapsula:

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Figura 3 – Classe que representa o cabeçalho de uma coluna

Para as colunas, poderíamos ter utilizado a mesma linha de pensamento de dos campos com seus formatadores, mas não enxerguei essa necessidade. Para meu contexto, todas as colunas têm as mesmas características: são texto simples.

Agora que ficou definido o modelo das linhas, dos campos, dos formatadores e do cabeçalho, comecei a pensar em como juntar tudo isso para gerar o CSV. O cabeçalho deve ser escrito uma vez na saída caso seja necessário, mas as linhas devem ser escritas “n” vezes. Pensei no padrão builder para montar o CSV com o cabeçalho e as linhas. Essa abstração – que pode escrever em um arquivo, em um OutputStream, ou em outro local qualquer – deve se preocupar com o encoding e em atender a RFC4180 para compor a estrutura do CSV, ou seja, separar os campos por “,”, adicionar a quebra de linha, etc:

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Figura 4 – Classes responsáveis pela criação do arquivo CSV

Conclusão

Por mais simples que seja uma implementação, nunca descuide do design, pois a manutenção corretiva e evolutiva serão prejudicadas, mas também não o valorize demais. Eu poderia ter abstraído mais esse modelo? Sim, o céu é o limite, mas devemos entender que refactoring é uma constante em desenvolvimento de software. Para não exagerar na modelagem, vale a pena ter em mente o aviso de Scott W. Ambler:

Muitas vezes, vejo desenvolvedores de software desviarem-se de suas tarefas para tentar construir um software que satisfaça às necessidades de seus usuários de um modo eficaz, com cenários tolos do tipo “o que acontecerá se…”. Eles começam a modelar demais o software para resolver todos os problemas imagináveis, com os quais os clientes dificilmente estão preocupados ou acreditam ser tão remotamente provável deles acontecerem que estariam dispostos a correr o risco. Então, por modelarem em excesso, os desenvolvedores também constroem em excesso. Sim, você não quer ser completamente simplista em seu trabalho. É razoável esperar que alguns problemas em banco de dados e falhas de rede, entre outros, realmente ocorram, mas você precisa ser realista quando estiver modelando

Referências

1. [https://northconcepts.com/blog/2012/12/10/export-csv-and-excel-from-java-web-apps-with-data-pipeline/]
2. [https://www.mkyong.com/java/how-to-export-data-to-csv-file-java/]
3. [http://viralpatel.net/blogs/java-read-write-excel-file-apache-poi/]
4. [http://www.mkyong.com/java/jexcel-api-reading-and-writing-excel-file-in-java/]
5. [http://viralpatel.net/blogs/java-read-write-csv-file/]
6. [http://zetcode.com/articles/opencsv/]
7. [https://tools.ietf.org/html/rfc4180]
8. [http://www.dofactory.com]

Categorias:Arquitetura

Pelo Fim dos Sindicatos

E mais uma vez, o profissional de tecnologia da informação que queira se opor à “Contribuição Assistencial” imposta pelo SINDPD/SP (Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados e Empregados de Empresas de Processamento de Dados do Estado de São Paulo) conforme Notificação para 2017 devem redigir uma Carta de Oposição, se dirigir a um canto da zona leste da cidade de São Paulo, debaixo e sol durante algumas horas na fila deixando o trabalho de lado para não precisar entregar seu dinheiro a sindicalistas. Na primeira vez que entreguei essa carta, o local de coleta era na zona oeste da cidade próximo a uma estação do metrô, mas como aparentemente muita gente se utilizou dessa facilidade, o sindicato alterou o endereço para criar dificuldades.

O blog AnchisesLandia compartilhou uma mini FAQ para responder as dúvidas mais comuns relacionados à contribuição:

1. O que é a “Contribuição Assistencial”? Essa “Contribuição Assistencial” é um desconto mensal direto na folha de pagamento, que corresponde a 1% do salário do empregado, com teto máximo de R$ 40,00 por mês;

2. Não é obrigatório contribuir com o sindicato? Sim, mas essa aberração criada pelo SINDPD/SP, é diferente da contribuição sindical obrigatória por lei. A contribuição sindical é aplicável aos trabalhadores CLT, deve ser paga obrigatoriamente uma vez por ano e corresponde a 1 dia de trabalho. Ela é descontada sempre no mês de Abril do ano corrente;

3. Todo trabalhador de TI deve entregar essa carta? Não, somente os trabalhadores que são filiados ao SINDPD. Verifique na sua Carteira de Trabalho ou com o RH da sua empresa qual é o sindicato que os empregados da empresa estão afiliados;

4. Eu nunca me filiei a um sindicato. Devo me opor? Mesmo que você jamais tenha se afiliado a um sindicato, a empresa aonde você trabalha está, e ela escolhe um sindicato “default”, no qual todos os empregados ficam associados. Ela faz isso para, entre outras coisas, pagar sua contribuição anual, exigida por lei – e isto consta na sua carteira de trabalho (CTPS);

5. O que fazer se mudar de emprego durante o ano? Neste caso, você deve apresentar para o RH do novo empregador uma cópia da carta entregue no início do ano, na empresa anterior. Assim você evita ser cobrado no novo emprego;

6. Em caso de dúvidas, procure o RH de sua empresa. Não corra o risco de perder a viagem.

Uma Reflexão

Você já parou para pensar sobre o que é e o que faz um sindicalista? É alguém que acha que representa uma categoria, mas não pertence necessariamente àquela categoria e muitas vezes sequer sabe o que faz um profissional daquela categoria. A visão de mundo do sindicalista é fortemente alinhada à do socialista com relação à eterna luta de classes – nós (eles) contra eles (nós) – e a igualdade forçada – todos devem ser iguais ao pior de todos para alcançar a verdadeira justiça social. Deve ser engraçado ouvir como um funcionário do SINDPD/SP define um programador. É impossível não fazer uma analogia entre um sindicalista e um padre que acha que pode dar conselhos sobre a vida sexual tendo prestado votos de castidade. A experiência se alia ao conhecimento para conferir autoridade à quem quer aconselhar ou interceder por terceiros.

O que é um sindicato? Um sindicato é uma franja socialista que funciona como depósito de correligionários de partidos políticos que trata os trabalhadores como seres pobres de espírito e de recursos, sofredores e ingênuos – verdadeiros “idiotas úteis” que precisam ser protegidos para depois serem utilizados para os projetos de poder totalitaristas. A bandeira do sindicalista é proteger o trabalhador da ganância dos poderesos empresários, pois um sindicato é formado por um grupo de pessoas que não entende como funciona a economia de mercado. A fonte de renda dos sindicatos é o dinheiro que tomam de forma compulsória dos associados. O poder dos sindicatos vem de duas fontes: as ameaças de greve e o alinhamento ideológico com partidos políticos. Margaret Thatcher precisou comprar brigas com os poderosos sindicatos para preparar a Inglaterra para o século XXI.

Por que os sindicatos e todos os grupos de esquerda fazem protestos em dias úteis por volta das 17:00? Primeiro, porque não trabalham ou não têm nada importante para fazer em seus empregos – eles, assim como muitos funcionários públicos e partidários políticos, têm uma visão de mundo atrasada que endossa o baguncismo social em nome de uma ideologia; atrapalhar o direito de ir e vir e transformar a cidade em um caos não importa para essa gente. Segundo, porque 17:00 é o horário que a maioria dos trabalhadores costuma deixar o trabalho e, se juntando aos trabalhadores que estão voltando para casa e para suas famílias depois da jornada de trabalho, faz parecer que aquela meia dúzia de gatos pingados conseguiu juntar centenas de milhares de apoiadores. A visão de mundo esquerdista não convence mais as pessoas comuns. Hoje, para juntar algumas centenas de pessoas para ocupar alguns metros quadrados da Avenida Paulista, eles precisam “alugar” militantes com pão com mortadela e transporte gratuito.

As relações trabalhistas deveriam ser apenas entre o prestador de serviço que negocia diretamente e livremente com o empregador o tipo de trabalho realizado, as condições de trabalho e o valor/hora pago. Quando parte ou toda a negociação é entregue a um grupo, o indivíduo, que é quem realmente produz e é pago pelo que faz, fica para segundo plano. O indivíduo passa a ser um peão descartável em um jogo político que atrapalha o progresso e só beneficia os líderes dos grupos e os partidos políticos que eles representam. O artigo 8o da Constituição Federal de 1988 estipula a livre associação profissional ou sindical, mas a CLT é explícita ao outorgar aos sindicatos a mediação das relações trabalhistas. Ou seja, nossas mãos estão atadas.

Vou entregar a carta de oposição mesmo sabendo que no ano que vem estarei automaticamente vinculado a esse sindicato novamente. Mesmo assim, encaro esse ato como um protesto velado que está alinhado com um dos meus valores mais caros: a liberdade.

Referências

1. [http://www.sinthoresp.com.br/site/palavra-do-presidente/organizacao-sindical]
2. [http://www.conteudojuridico.com.br/artigo,a-constituicao-federal-de-1988-e-o-poder-sindical-brasileiro,42795.html]

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Para Ler Nietzsche Sem Que Você e Ele Chorem

Friedrich Wilhelm Nietzsche (Röcken, 15 de outubro de 1844 — Weimar, 25 de agosto de 1900) foi um filósofo, crítico cultural, poeta e compositor alemão. Karl Ludwig, seu pai, e seus dois avós eram pastores protestantes, o que levou o próprio Nietzsche a pensar em seguir a mesma carreira. Ele escreveu vários textos críticos sobre a religião, a moral, a cultura contemporânea, filosofia e ciência, exibindo uma predileção por metáfora, ironia e aforismo. A deturpação de seu legado pelos divulgadores de seus escritos no começo do século XX teve grande influência na consolidação dos ideais do partido nazista. Sim, Nietzsche ficaria horrorizado se naquele tempo vivo fosse.

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Figura 1 – Nietzsche

Li Quando Nietzsche Chorou, de Irvin D. Yalom, faz alguns anos. É uma história meio forçada da relação entre médico e paciente (Nietzsche) na qual os dois descobrem a amizade depois de enfrentarem e vencerem juntos seus demônios interiores. Se acrescentássemos “… e vivendo altas aventuras…”, teríamos o enredo da maioria dos filmes da Sessão da Tarde. Achei uma péssima maneira de conhecer Nietzsche. Não recomendo e daqui em diante esqueça que eu te contei que li aquele livro.

Não sou filósofo, não tenho formação em campo equivalente e nem sequer sou da área de humanas, mas gosto muito de filosofia e queria compartilhar minha impressão e minha preparação para ler Assim Falou Zaratustra, obra máxima de Nietzsche segundo ele mesmo. Ler Nietzsche não é fácil. Trata-se de uma literatura densa, eu diria. Entender Nietzsche pela boca de Zaratustra é dificílimo. A impressão que me deu era de alguém no meio da feira comprando cebola e se esforçando para ouvir e entender o que outra pessoa estava gritando lá da banca de peixes, do outro lado da feira. Isso é por causa da distância contextual, conceitual e de formação entre um leitor comum e um escritor incomum.

Pode cheirar à pleonasmo, mas Nietzsche é só para leitores ativos. Para ler Nietzsche não é necessário ser o super homem idealizado por ele e você também não deve esperar sê-lo ao final da leitura e talvez nem queira esse peso sobre seus ombros. Tire da cabeça a ideia de que ler Nietzsche é divertido, dá status e que citar Nietzsche te faz parecer mais inteligente e mais legal. Ler Nietzsche com o livro erguido à frente em um café chique não vai te ajudar a encontrar uma “parceira intelectual” com quem se unir em prol da evolução da raça. É tolice. Leia Nietzsche para saber o que pensava um dois maiores filósofos que já viveu. Leia com isso em mente e diminua suas expectativas.

Antes de se aventurar no mundo de Nietzsche, prepare-se, mas não ache que ler outros filósofos fará a tarefa de enfrentar Nietzsche mais fácil. Já li vários livros de Jostein Gaarder e acho que são uma boa forma de se preparar intelectualmente para ler trabalhos filosóficos mais complexos, pois aquelas histórias me fizeram questionar a realidade da natureza e a vida em sociedade. Não cheguei a nenhuma conclusão, mas filosofar também é produzir perguntas que nem sempre são respondidas. Questionar as coisas é a ginástica que neurônios enferrujados necessitam. Já li vários livros – na verdade eram cartas escritas para o amigo Lucius – de Sêneca, mas até achei engraçada uma passagem de Assim Falou Zaratustra onde o personagem principal debocha de um sábio que aparentemente sabia como viver uma boa vida e em particular como se fazia para ter uma boa noite de sono. Zaratustra conclui que esse personagem sabia bastante sobre o sono. Assim debochou Zaratustra.

Assisti a um vídeo sobre o Crepúsculo dos Ídolos. O autor daquele vídeo afirmava que essa era a obra de Nietzsche menos difícil de ler. Embora tenha entendido o niilismo em Nietzsche, o significado da “morte de Deus” e a culpabilidade de Sócrates, ainda assim achei a história difícil de entender. Como sou um analfabeto filosófico, procurei outras fontes de informação.

Já assisto o professor Clóvis de Barros Filho faz algum tempo. Ele faz parte de um grupo de filósofos que de uns tempos para cá aparece quase que diariamente nas mídias, como o professor Mário Sérgio Cortella, o professor Leandro Karnal e o professor Luís Felipe Pondé. Eles já até fizeram alguns “crossovers literários”. Assisti à uma palestra na qual o professor Clóvis diz que uma grande autoridade em Nietzsche era a Viviane Mozé. Assisti as explicações dela em um Café Filosófico especial sobre Nietzsche e achei bem esclarecedor.

Não faz muito tempo que comecei a me interessar por filosofia, mas até que consegui compreender bastante coisa sobre mim e nosso mundo recorrendo ao conhecimento filosófico inclusive dos professores que citei anteriormente. Só depois dessa preparação intelectual me senti confiante para ler Nietzsche. Como não pretendo ler todos os livros dele, acho que Zaratustra, de acordo com o que li e assisti por aí, é o que contempla a maior parte das idéias do autor. Por enquanto é o suficiente sobre esse autor, pois minha fila de livros e autores para ler só tem aumentado.

Referências

1. [http://www.mundodosfilosofos.com.br/nietzsche.htm]
2. [http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2016/06/4-reflexoes-que-vao-te-introduzir-ao-pensamento-de-nietzsche.html]

Categorias:Filosofia