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Habilidade e Competência

Quando pequeno, costumava fazer a lição de casa ou estudar para prova na casa dos meus avós. Enquanto estava compenetrado nas tarefas ou nos estudos, às vezes meu avô se dirigia a mim com frases que geralmente começavam assim:

Você que está estudando pra burro, me responde uma coisa (…)

E fazia uma pergunta aparentemente ilógica ou apresentava uma situação e esperava que eu utilizasse meus conhecimentos escolares para responder. Ele não acreditava que conhecimento acadêmico era útil e valorizava apenas a prática. Ele normalmente me vencia, pois ao ser submetida a uma pergunta capciosa uma pessoa inexperiente, por mais conhecimento acadêmico que tenha, fica desorientada.

Meu avô estava parcialmente certo. Na verdade, é necessário equilíbrio entre atitude, conhecimento e habilidade para formar uma pessoa competente. Por definição:

A habilidade está associada ao saber fazer: ação física ou mental que indica a capacidade adquirida

Gosto de pensar que:

A habilidade é o conhecimento na prática

Síntese, análise, organização e liderança são exemplos de habilidades. Notem que habilidade não se relaciona diretamente com profissão. Para entendermos como habilidade e profissão se relacionam, precisamos definir competência:

A capacidade da pessoa em mobilizar suas habilidades (saber fazer), seus conhecimentos (saber) e suas atitudes (saber ser) para solucionar determinada situação-problema

Competência também pode ser definida como:

Conjunto de habilidades harmonicamente desenvolvidas e que caracterizam uma função ou profissão específica

Ser arquiteto, médico ou professor de lógica são exemplos de competências. Um marceneiro necessita saber utilizar um serrote, um martelo, um formão e como escolher madeiras. As habilidades devem ser desenvolvidas na busca das competências.

Possuir um diploma não implica possuir competência e, por conseguinte, não implica possuir todas as habilidades necessárias para exercer uma função. Alguém recém-formado em sistemas de informação está automaticamente apto a integrar uma equipe de desenvolvimento de software? Provavelmente não.

Em cursos, livros, apostilas, conversando com os colegas e professores e colocando a mão na massa um aluno encontra o conhecimento necessário para se graduar em determinada área de conhecimento, mas isso não é o suficiente para desenvolver todas as habilidades necessárias para se tornar competente nessa área.

Já vi casos de pessoas graduadas com louvor em cursos de tecnologia da informação que se mantiveram apenas alguns meses no mercado de trabalho e acabaram se enveredando por outras áreas. Para isso, precisaram começar toda a jornada novamente desde o vestibular. Isso ocorreu porque descobriram tardiamente que não possuíam o conjunto de habilidades ou faltava alguma habilidade essencial das quais precisam em seus empregos.

É provável que as famílias dessas pessoas incentivassem ou até exigissem que elas seguissem determinada carreira. Como navios à deriva, aceitaram o rumo da maré e acabaram colidindo com os rochedos da falta de competência.

Voltando Para a Trilha

Você já foi tachado de incompetente direta ou indiretamente por um superior? Eu já, e isso dói, principalmente quando estamos seguros do que queremos. A auto-estima diminui bastante, ainda mais quando se é estagiário. Porém, um feedback, desde que bem feito, nos faz refletir em direção a descoberta de nós mesmos. Sabendo quem somos e o que temos, precisamos descobrir o que falta.

Descobrindo o que faltava, corri atrás e evoluí. Como o anão do livro “Quem Mexeu no Meu Queijo?”, parei de esperar que as coisas acontecessem para só então me mexer. Hoje, uma situação cômoda me coloca em alerta.

Conclusão

Para que seja considerado bom, um profissional deve reunir o conjunto de habilidades – ou ao menos as habilidades principais – exigidas para ter a competência necessária para ocupar certo cargo.

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  1. 29/01/2013 às 9:23 AM

    Lendo a matéria sobre “Engenheiro vs Diploma vs Ciências da Computação” do InfoQ, me deparei com seu comentário que trazia o link até este post. Compartilho da mesma opinião, digo opinião, pois a divergência de raciocínio sobre o assunto é muito grande. Mas ainda assim creio que esta seja a mais correta, os fatos na prática tem dito. Um fato interessante que tenho observado ao longo dos meus 6 anos de experiência com desenvolvimento de software, e creio que muita gente também já percebeu, é que as pessoas menos competentes, porém na grande maioria das vezes, são pessoas com maior engajamento acadêmico, muito habilidosas, conhecem muitos algoritmos, cálculos, mas que não tiveram prática em projetos/problemas do dia-a-dia, onde na realidade esse “monte” de habilidades acabam que não servindo muito. Por outro lado, pessoas experientes em projetos, que dominam determinadas ferramentas/linguagens de desenvolvimento, porém com conhecimentos básicos em algoritmos/cálculos, mas com uma capacidade incrível de resolver um problema, se dão melhor nas empresas, pois as empresas necessitam de pessoas pró-ativas, que “se viram” para resolver determinado problema. Esse é o verdadeiro engenheiro.

  2. 29/01/2013 às 10:27 AM

    Obrigado pelo comentário, Rafael. Esse assunto me desperta interesse desde que fiquei sabendo da possibilidade da criação de uma lei para regulamentar a profissão de Analista de Sistemas. Escrevi um artigo (http://atitudereflexiva.wordpress.com/2009/12/06/certificacao-de-analista-de-sistemas/) onde comento o argumento que utilizam para justificar essa idéia:

    “Se um médico comete um erro, um paciente morre. Se um programador comete um erro, um avião cai. Se engenheiros e médicos precisam de diploma (competência) para exercer suas profissões, por que programadores e analisas não precisariam?”

  1. 06/12/2009 às 9:47 PM
  2. 17/02/2010 às 12:32 PM
  3. 19/03/2010 às 10:38 PM

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